Rússia prepara-se para “terceira guerra mundial” com abrigos antinucleares

maiakinfo / Flickr

O presidente russo Vladimir Putin, com o primeiro-ministro Dmitri Medvedev

O presidente russo Vladimir Putin, com o primeiro-ministro Dmitri Medvedev

As autoridades russas estão a preparar abrigos antinucleares em Moscovo, noticiou a principal estação de televisão da Rússia, referindo que a “terceira guerra mundial já começou” por causa do conflito na Síria.

A menos de 48 horas das negociações sobre o cessar-fogo na Síria e em plena crise diplomática entre Paris e Moscovo, a agência France Presse refere que o apresentador do Rússia 24 – o principal canal de televisão de notícias do país – afirmou que as baterias antiaéreas russas na Síria vão “abater” aviões de guerra norte-americanos.

Na mesma emissão, o canal difundiu uma reportagem sobre a preparação de abrigos antinucleares em Moscovo.

Por outro lado, em S. Petersburgo, o jornal Fontanka indica no seu site que o governo russo se prepara para racionar o pão “por causa de uma futura guerra”, apesar de as autoridades afirmarem que pretendem apenas proceder à regulação do preço da farinha.

Segundo a France Presse, as estações de rádio russas lançaram, esta semana, o debate sobre os “exercícios de defesa civil e mobilização” que fazem parte dos programas do Ministério das Situações de Emergência e que prevê também planos de evacuação e de combate a incêndios.

Em Moscovo, sublinha a agência de notícias francesa, são inúmeras as pinturas murais “patrióticas” e de apoio ao Presidente Vladimir Putin e que são difundidas através de imagens de televisão.

De acordo com a redação da France Presse em Moscovo, a “febre” patriótica e as referências sobre a “iminente terceira guerra mundial” têm como causa a rutura verificada nas negociações entre Washington e Moscovo, no dia 3 de outubro, sobre o conflito na Síria, após o fim do cessar-fogo alcançado em Genebra no passado mês de setembro.

De acordo com as Nações Unidas, os bombardeamentos da aviação da Rússia e das forças de Damasco transformaram a cidade de Alepo num “inferno na Terra” assim como provocaram críticas por parte dos países ocidentais, nomeadamente da França.

A Armada russa desembarcou nos últimos dias no porto sírio de Tartous várias baterias antiaéreas S-300 com capacidade para atingir aviões de combate.

No mesmo porto encontram-se várias corvetas da Marinha de Guerra de Moscovo armadas com mísseis.

Segundo a análise da France Presse, trata-se de armamento que pretende demonstrar força contra as forças militares dos Estados Unidos.

Escalada de tensão

Em Moscovo, a escalada da tensão diplomática é “amplificada” através dos meios de comunicação social que publicam os “inúmeros” comunicados do Ministério da Defesa russo, e nomeadamente as declarações do general Igor Konachenkov, porta-voz do Exército da Rússia que tem dirigido críticas diretas contra a Casa Branca e ao Pentágono.

“Eu quero recordar aos ‘estrategas’ americanos que os mísseis antiaéreos S-300 e S-400 que asseguram a defesa das bases russas em Hmeimim e Tartous, na Síria, têm um raio de ação que pode vir a surpreender qualquer aeronave não identificada”, disse o responsável militar russo no dia 6 de outubro.

Na cadeia de televisão estatal Rússia 1, o apresentador Dmitri Kissilev e diretor da agência de notícias Ria Novosti resumiu as declarações do general Konachenkov para que as “pessoas simples as possam entender”, explicando que a ameaça é dirigida diretamente aos aviões norte-americanos.

Kissilev disse também que existe um “Plano B” dos Estados Unidos para a Síria que consiste no “uso da força” contra o presidente Bashar al-Assad e a aviação da Rússia. O jornalista “avisou” igualmente os países ocidentais de que os mísseis instalados no enclave russo em Kaliningrad, próximo da Polónia, “podem” estar armados com ogivas nucleares.

“Atualmente, a Rússia está mais do que preparada, sobretudo do ponto de vista psicológico, para uma espiral de confrontação com o Ocidente”, afirmou, por seu lado, o politólogo Gueorgui Bovt no site de notícias Gazeta.ru.

Na semana passada, o ex-presidente soviético Mikhail Gorbatchev – que iniciou há 30 anos o fim da Guerra Fria – disse à Ria Novosti que o mundo avança “perigosamente para a zona de alerta vermelho“, referindo-se ao conflito na Síria.

Mesmo assim, na quarta-feira, num primeiro sinal de alívio, após vários dias de acusações, Moscovo anunciou uma reunião internacional sobre a Síria, agendada para sábado na Suíça, entre o secretário de Estado norte-americano John Kerry e o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov.

/Lusa

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12 COMENTÁRIOS

  1. O homem e as suas “doenças” de sempre, ao longo da história da humanidade: dificuldade de viver em paz!
    A ânsia do poder, e a falta de valores, rapidamente faz esquecer a experiência traumática do passado…

    • Da Rússia ?
      E o resto do Mundo ?
      A podridão começa precisamente nos poderios de todo o Mundo incluindo atualmente Portugal em que somos governados a muitos anos por gente sem escrúpulos que se esqueceu por completo do que é ser Português e navega ao sabor desses poderios e de interesses próprios, os povos do Mundo já esqueceram o passado recente de grandes guerras mas claro é com estas que as economias voltam a crescer, faz parte da história o humano por questões de economia arranjar sempre guerras.
      Triste mas pura verdade.

  2. E pronto…um jornalista disse, é o disse que disse. Por causa destes e outros boatos é que começa a confusão. Por acaso estas palavras vieram do presidente da Rússia, ou de outro dirigente politico desse País? Não, certo? Então porque alimentar boatos e ilações. Muitos jornalistas já disseram barbaridades no passado e vieram depois a público pedir desculpa, e outros nem se deram ao trabalho, só querem vender notícias e espalhar brasas, são estas pessoas que alimentam conflitos que não existem inicialmente mas que ,por causa deste tipo de boatos, passam a existir.

  3. Podem até ser boatos mas para lá caminhamos, as guerras trazem subidas de economias já falidas por alguns Países e interessam a outros tantos, é o humano no seu melhor por e apenas poderio e dinheiro.

    • Não, não caminhamos. Mas uma pequeníssima facção de gentinha sem escrúpulos quer realmente que isso aconteça. Por isso plantam essa ideia na consciência colectiva e os media são os seus fantoches.
      Perguntem a vocês mesmos, quem beneficia com guerra, o povo não o é com certeza.
      Não vai haver guerra mundial nenhuma. Nunca mais!

  4. Isto parece um mar de tolinhos. Será que a Rússia acredita que algum dia poderá entrar numa guerra a valer com o ocidente? Quem lhe compraria o petroliozito, o gaz e os cereais com que vai mantendo os seus orçamentos de miséria. Não se esqueça que um técnico altamente especializado em Moscovo tem um ordenado de cerca de 500 Euros o que simplesmente quer dizer que a Rússia não tem um mercado interno onde ir buscar impostos e outros rendimentos.É certo que vive muito das armas (obsoletas) que vende aos países árabes e das redondezas mas isso são gotas de água. Quanto ao conflito na Síria é certo que o presidente Assar já deveria ter desaparecido há muito tempo e será apenas uma questão de tempo porque nem ele nem os russos vão ganhar coisa alguma. O Ocidente apenas se tem contido por causa dos civis, do mesmo modo que não tem feito mais contra o Daesh também por causa de civis e não porque não saiba quem são, quantos são, quem os apoia e onde se localizam as suas ainda operacionais bases, os meios que têm, etc. Coitados não passam de uma tropa fandanga que Israel sozinho eliminará numa tarde. Só é pena que a Rússia e o Irão que são civilizações antigas e de digno registo histórico se não se demarquem de “Assades” e não deixem a democracia faça o seu papel sem antigos ditadores que julgam que ainda podem voltar há vinte ou trinta anos atrás.

  5. O perigo reside exactamente na confiança do “nunca acontece”.
    Amigo Mário, não tenha ilusões. Sou absolutamente contra ditaduras mas, na região do globo onde se situa a Siria, as democracias dificilmente se implementam porque estamos a falar de países constituídos por uma enorme panóplia de etnias e com uma mentalidade muito atrasada, onde predominam varios grupos radicais, cuja influência nas cabecinhas daquelas pessoas é enorme e começam a fomentar ódios entre si e contra os ocidentais desde os bancos da escolinha. Para “domar” aquelas sociedades só mesmo com ditadura ( e com um ditador “controlado” por uma das grandes potencias) infelizmente. A titulo de exemplo temos dois casos bem claros, o Iraque e a Libia. Os ditadores foram abatidos e ambas as sociedades mergulharam no caos. A democracia é um processo longo e não se estabelece ou impõe por decreto e os americanos sabiam bem que era assim quando invadiram o Iraque. Ignoraram durante décadas as atrocidades cometidas pelo regime de Saddam Hussein, exactamente o mesmo tempo em que aquele serviu os interesses americanos na região, quando deixou de o fazer, eis que apareceram os “salvadores” americanos, com a hipocrisia habitual, cheios de preocupações com o povo. Baseados na mentira levaram a região á instabilidade que viveu, vive e viverá por muitos anos.
    Como estamos a falar de uma zona geoestratégica “sensível” para o mundo, quer em recursos, sempre disputados pelas potencias, quer no dominio do controlo regional que implica a capacidade de instalar sistemas de ataque ou defesa, espionagem, etc, pode dali sair um “belo berbicacho” á escala global. Como referiu há pouco, a Russia vive do gáz, do petroleo e dos cereais e “pouco mais”, pois bem, são eexactamente essas as razões pelas quais a Russia não pode abdicar do controlo parcial da região.
    Há muito que sabemos, que aquela região está digamos que dividida, os americanos “controlam” os ditadores de alguns países e os russos outros e o perigo está na tentativa americana de interferir com esse equilibrio, metendo o “bedelho” na Siria, cujo ditador é pro-russo e apoiado por estes. Viu alguma acção militar russa na invasão do Iraque? Não viu de certeza. Fizeram varias acções diplomaticas no seio da ONU mas envolverem-se militarmente não. Respeitaram a tal divisão de controlo regional que referi há pouco.
    É disto que pode surgir uma guerra, a interferência dos americanos numa zona de “controlo politico” russo.

  6. Existe uma teoria básica sobre o planeta terra de que este é na realidade um planeta de estudo de outros seres bem mais avançados do sistema galáctico, assim sendo, pergunta-se: Neste estudo possivelmente galáctico, o que sobra neste planeta “TERRA” que se possa dizer de aproveitável no presente e futuro que leve a uma melhoria desses povos planetários? Fica a reflexão daqueles que se revejam neste entendimento.

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