Rui Rio: PSD não está a cooperar com o PS, mas com o Governo em nome de Portugal

Ricardo Castelo / Lusa

O presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio

O presidente do PSD, Rui Rio, afirmou esta quinta-feira que não está a cooperar com o PS, mas com o Governo de Portugal na crise da pandemia, esclarecendo que aquilo que defende é uma lógica de governação de salvação nacional.

Em entrevista esta noite à SIC, Rui Rio deixou claro que o PSD não vai “vender as suas ideias ao desbarato”, mas terá sempre sentido de responsabilidade devido à crise provocada pela covid-19, garantindo que o seu objetivo é “servir o país”.

“Vamos ser críticos, mas vamos ter uma latitude muito grande. Não estou a cooperar com o PS, estou a cooperar com o Governo de Portugal em nome de Portugal”, garantiu.

O líder social-democrata deu o exemplo da sessão plenária da Assembleia da República de quarta-feira, na qual “o PS votou contra tudo aquilo que o PSD propôs” e “votou com a esquerda muita coisa”. “Acha que eu vinha para aqui desatar a atacar o PS e o Governo com estados de alma? Isto não é para estados de alma, é para olhar para o interesse nacional. Eu não vou abandonar o interesse nacional e a colaboração enquanto isto durar”.

Questionado sobre as declarações que fez, em entrevista anterior à RTP, sobre um Governo de salvação nacional, Rui Rio assumiu que “aí há uma confusão”. “Quando eu falo em Governo de salvação nacional, eu não estou a pensar em formas de Governo, mas na palavra portuguesa que significa salvação”, começou por explicar.

Na perspetiva do presidente social-democrata, o Governo que estiver em funções depois da crise provocada pela pandemia terá de possuir estas características porque Portugal, e a Europa, “vai ficar numa situação económica tão difícil, tão difícil, tão difícil que a lógica de governação a seguir é uma lógica de salvação nacional”, seja qual for o executivo.

Bloco Central é sempre “contranatura”

Sobre a possibilidade de integrar um Bloco Central, Rio afirmou não estar a pensar nisso, reiterando que essa “é sempre uma solução contranatura”. “É muito difícil antever a situação social e económica do país em que vai estar. Aquilo que é mais prudente, mais inteligente, com mais bom senso é não tentar desenhar cenários que nós não temos noção nenhuma de como vão ser”, afirmou o líder do PSD.

Questionado sobre se caso estivesse no Governo neste momento conseguiria cumprir a promessa eleitoral do choque fiscal, Rui Rio assumiu que seria “quase impossível cumprir”, uma vez que essa opção “assentava na folga que o crescimento económico permitia”, que neste momento não existe, uma vez que a economia está parada.

“Não era honesto se dissesse que tinha condições para o fazer com este enquadramento”, assumiu o líder social democrata, antecipando que vai ser preciso desenhar um quadro fiscal que permita melhores condições para a retoma.

Solução europeia é “fundamental”

Na mesma entrevista, Rui Rio considerou ontem fundamental que a Europa tenha soluções “para se financiar como um todo”, em particular os países com mais dificuldades, devido à pandemia, sob pena de se agravarem ainda mais as desigualdades.

O acordo ao qual chegou esta quinta-feira o Eurogrupo sobre pacote de resposta “sem precedentes” à crise da covid-19 foi conhecido durante a entrevista que Rio dava à SIC.

Questionado sobre este acordo e numa primeira reação, o líder do PSD defendeu que “aquilo que é preciso é que haja neste momento financiamento às economias da União Europeia”. “Se não houver por via da União Europeia, um país como Portugal, um país como a Itália, que têm níveis de dívida pública absolutamente brutais, se são largados no mercado, as taxas de juro sobem de uma forma brutal”, advertiu.

Assim, para Rio “é fundamental que a Europa tenha soluções financeiras para se financiar como um todo e em particular aqueles que naturalmente têm mais dificuldade”.

O líder do PSD insistiu que “é fundamental que a solução seja europeia, sob pena de se agravarem ainda mais todas estas desigualdades entre países que já hoje existem”. “E aí, devo dizer, no caso português, que tem uma dívida pública alta, isso leva as taxas de juro para um patamar muito grande, se não for a Europa a segurar”, avisou, considerando que este “é um elemento nevrálgico”.

Sobre os “coronabonds”, de acordo com o presidente do PSD, “o que está subjacente é uma coisa diferente” e que na sua perspetiva “não é muito necessário no momento presente para a responder à liquidez necessária”. “Agora, a seguir, para a retoma, aí é que a coisa tem de ser mais estruturada”, apontou.

ZAP // Lusa

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1 COMENTÁRIO

  1. O Rui Rio, também contribuiu com o PS quando o A Costa foi “eleito” primeiro ministro pela extrema esquerda quando perdeu as eleições com o Passos Coelho. Contribuiu, porque nunca apoiou o PSD quando o PSD e CDS tiveram de governar com a “trioka”. Na altura era amigo do Costa. Agora vem evocar o interesse nacional

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