Uma rocha de 1815 pode mudar aquilo que sabemos sobre a formação de Marte

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JPL-Caltech / USGS / NASA

Valles Marineris, o “Grand Canyon” de Marte

Uma nova análise ao meteorito Chassigny, que caiu na Terra em 1815 pode mudar aquilo que sabemos sobre a formação de Marte.

Aquilo que conhecemos sobre a formação de Marte pode mudar significativamente. Tudo graças a um meteorito que caiu na Terra vindo de Marte e que pode conter pistas que revelam detalhes sobre a forma como surgiu o planeta vermelho.

Em causa está o meteorito Chassigny, cuja queda foi testemunhada no dia 3 de outubro de 1815, às 8h da manhã, precisamente em Chassigny, no leste de França. O meteorito é composto quase completamente por olivina com camadas intercaladas de piroxena, feldspato e óxidos.

O Chassigny é particularmente importante porque, ao contrário da maioria dos meteoritos de Marte, ele contém compostos de gases nobres diferentes da atual atmosfera marciana.

Uma nova análise do meteorito sugere que a forma como Marte obteve os seus gases voláteis — como carbono, oxigénio, hidrogénio, nitrogénio e gases nobres — contradiz os nossos modelos atuais sobre como os planetas se formam, escreve o ScienceAlert.

A conceção geral é que o Sol e os planetas se formaram há 4,6 mil milhões de anos, a partir de uma nuvem de gás e poeira chamada nebulosa solar. Uma onda de choque de uma explosão de supernova próxima provavelmente iniciou o colapso da nebulosa solar. O Sol formou-se no centro e os planetas formaram-se num disco fino que orbita ao seu redor.

Até aqui tudo bem, mas como e quando é que certos elementos foram incorporados aos planetas tem sido uma questão que nunca atingiu consenso entre a comunidade científica.

Acredita-se que os gases voláteis são absorvidos por um planeta em formação, sendo sugados antes de, mais tarde, serem parcialmente desgasificados para a atmosfera à medida que o planeta arrefece. Depois, mais gases voláteis chegam ao planeta através do bombardeamento de meteoritos.

“Podemos reconstruir a história da entrega volátil nos primeiros milhões de anos do Sistema Solar”, disse a geoquímica Sandrine Péron, citada pelo ScienceAlert.

Isto é apenas possível se tivermos acesso a informações de que precisamos. É aí que entra o meteorito Chassigny.

A sua composição de gases nobres difere da atmosfera marciana. Isto sugere que veio do manto e é representativo do interior planetário e, portanto, da nebulosa solar.

“A composição do interior marciano para o crípton é quase puramente condrítica, mas a atmosfera é solar”, disse Péron. “É muito distinta”.

Isto sugere que os meteoritos estavam a entregar gases voláteis a Marte muito antes do que os cientistas pensavam. Desta forma, a história da formação de Marte pode ser diferente.

Marte terá então adquirido uma atmosfera de nebulosa solar depois se esfriar, caso contrário os gases condríticos e os gases nebulares estariam muito mais misturados do que o observado agora.

“Embora o nosso estudo aponte claramente para os gases condríticos no interior de Marte, também levanta algumas questões interessantes sobre a origem e composição da atmosfera primitiva de Marte”, salienta o coautor Sujoy Mukhopadhyay, citado em comunicado pela Universidade da Califórnia.

Os resultados do estudo foram publicados esta semana na ilustre revista científica Science.

  Daniel Costa, ZAP //

1 Comment

  1. Como é que um meteorito pode ser expelido de um planeta? Como ele adquire energia para conseguir atingir a velocidade de escape e vencer a atracção gravítica do planeta?

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