Entre Rui Rio e Luís Montenegro, há quem vote no regresso de Passos Coelho

António Cotrim / Lusa

Passos Coelho e Rui Rio.

O presidente do PSD, Rui Rio, e o antigo líder parlamentar Luís Montenegro voltam hoje a disputar eleições directas, numa inédita segunda volta em que podem votar 40.604 militantes com as quotas em dia. Nos bastidores do partido, a vitória de Rio é dada como certa, mas há quem acredite que só o regresso de Passos Coelho pode “salvar” o PSD.

Na primeira volta, realizada há uma semana, Rui Rio foi o candidato mais votado com 49,02% dos votos expressos (15.546 votos), seguido do antigo líder parlamentar do PSD, que obteve 41,42% do total (13.137). O vice-presidente da Câmara Municipal de Cascais, Miguel Pinto Luz, ficou em terceiro, com 9,55% (3.030), e fora da segunda volta.

Marques Mendes, antigo líder do PSD, foi o primeiro a lançar a possibilidade de Passos Coelho voltar à vida do partido, no seu habitual espaço de comentário na SIC. O comentador avançou que o antigo primeiro-ministro “pode ter o sonho de regressar”, mas a actual situação pessoal, com a mulher a lutar contra um cancro, pode não estar a permiti-lo.

O Observador apurou “junto de fontes próximas” de Passos Coelho que “o antigo líder do PSD tem recebido telefonemas e mensagens nas últimas semanas para que regresse à política activa” no partido, mas ele “não estará disponível neste momento”.

Certo é que no seio do partido, há quem pense que a única alternativa para “unir” o PSD é Passos Coelho, como são os casos de Carlos Carreiras e Miguel Relvas que o assumem publicamente.

“Passos Coelho é o líder natural do centro-direita”, avança Miguel Relvas em entrevista ao Jornal Económico, frisando que “tem o legado rico de tirar o país da falência em quatro anos”, quando foi primeiro-ministro.

Se e quando Pedro Passos Coelho decidir voltar, tenho a certeza de que o partido estará unido”, vinca por seu lado o presidente da Câmara de Cascais durante a apresentação do plano de investimentos do concelho para 2020. Carlos Carreiras, que apoiou Pinto Luz na primeira volta e que se coloca ao lado de Montenegro na segunda, realça que Rio “é a pior solução para o PSD”, mas acredita que vai “ganhar”. “A surpresa será não ganhar”, considera.

O presidente do PSD e recandidato ao cargo votará no Porto e acompanhará na mesma cidade os resultados, enquanto Luís Montenegro votará em Espinho (Aveiro), mas fará a noite eleitoral em Lisboa.

As eleições decorrerão em todo o país entre as 14 e as 20 horas e a proclamação dos resultados será feita pelo Conselho de Jurisdição Nacional (CJN), na sede do partido, em Lisboa.

Na primeira volta, votaram 32.082 militantes, uma taxa de participação de 79%, a mais alta de sempre em percentagem em directas, apesar de ser a mais baixa em números absolutos de todas as eleições do PSD em que houve disputa, devido às novas regras para o pagamento de quotas.

A polémica com o PSD-Madeira – todos os votos da primeira volta na Região Autónoma foram considerados nulos pelo CJN por discrepâncias com o caderno eleitoral oficial – vai manter-se, tendo a estrutura regional decidido que não vai abrir as sedes para a segunda volta, considerando que isso seria uma “humilhação” para os militantes sociais-democratas do arquipélago.

Tal como há uma semana, os resultados poderão ser acompanhados em www.psd.pt, e a secretaria-geral promete aumentar a capacidade de acesso ao site e ter uma versão optimizada para telemóveis.

No total do país, Rio teve na primeira volta mais 2.409 votos que Montenegro, mas os dois candidatos menos votados somaram, em conjunto, mais 621 votos do que o actual presidente.

A ‘chave’ do resultado eleitoral deverá voltar a estar, como habitualmente, nas quatro maiores distritais do PSD: Porto, Lisboa, Braga e Aveiro registam, por esta ordem, o maior número de militantes em condições de votar, centralizando mais de 57% do total.

Nesta última semana, as acusações entre os candidatos de troca de apoios por promessa de lugares – negadas por ambos – marcaram a campanha, bem como as ‘transferências’ dos apoiantes de Pinto Luz para Rio e Montenegro.

Em 2018, Rui Rio derrotou Santana Lopes por 54,15% dos votos (22.728 votos), numa eleição em que o universo eleitoral foi de 70.692 militantes, mas em que acabaram por votar apenas 42.655 (cerca de 60% do total).

ZAP // Lusa

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5 COMENTÁRIOS

  1. Rui Rio é o homem para o PSD e quem diz o contrário são aqueles que gostariam de transformar o PSD no PNL (Partido Neo Liberal). Entre eles estão a ala cavaquista/santanista do partido. Gente que se diz de centro-direita mas que é direita quase extrema, anarco-capitalista.

    Ora o Partido chama-se Social Democrata e como tal deve reger-se pelos valores da Social Democracia e quem os defende, é a ala do partido que apoia Rui Rui, um homem de centro/centro-direita, que é precisamente onde o nosso espectro político tem uma lacuna. Para a direita conservadora da Democracia Cristã, já existe o CDS. Para a direita neo liberal temos o Aliança e também o Chega (versão populista-peixeirada) com as ideologias de estado mínimo. O PSD tem de ser o partido que sempre foi: Social Democrata.

    É natural que bandalhos que mentem sobre a licenciatura (Relvas) apoiem primeiros-ministros medíocres que dizem que se “não sabiam” que a Segurança Social é pra pagar. Mas isso do compadrio entre nódoas, é lá problemas das nódoas. Acho muito bem que Passos Coelho continue a dar aulas de Doutoramento sem ter sequer mestrado, porque isso continua na linha do brilhantismo académico de toda essa gente, como o Relvas. Estão bem uns para os outros, mas longe da política.

  2. O centro-esquerda dentro do PSD, representado por Rui Rio, o que originou foram duas significativas derrotas. Só uma posição dentro do partido, entre o seu centro-esquerda e o seu centro-direita, poderá contribuir para uma maior projecção eleitoral.

  3. Caro Miguel, não consigo perceber se és do PSD ou de outra força política! É que dizer que o RUIM Rio é o homem certo para o PSD… eu diria que é o homem certo para destruir o PSD! Derrota atrás de derrota e anda a lamber o c# ao PS como um vassalo! Aliás com ele, o PPD/PSD já perdeu o PPD, mas pode perfeitamente retirar o D e fica só PS. É o que vai acontecer com ele na liderança! Não era esta a visão do Sá Carneiro! Se ele quer mudar as directrizes do partido, ele é que tem que sair e fundar um novo partido! Mas não, ele SEQUESTROU o partido ( nem sei como o conseguiu), certamente enganando as pessoas como tu que olham para ele e vêm uma pessoa muito idónea! Já eu não consigo ver nada disso! Só o que vejo é uma agenda de destruir o PSD. Foram 20 e poucos % nas últimas eleições e nas próximas desce para 19 ou menos! Se ele não faz de propósito, então é só incompetente!

  4. deixo apenas uma pergunta, o PSD de Rui Rio é diferente do PS em quê mesmo?

    é que o país não tem condições para ter uma geringonça qto mais duas.

  5. Estas escolhas demonstram bem que o psd está completamente na lama e foi colocado lá por passos coelho mas ainda o querem de volta.
    Força, enterrem-se de vez que falta não fazem nenhuma!

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