Rio nega limpeza interna, mas vai valorizar a lealdade nas listas. Aliança ao Chega leva um não, CDS e PS levam um “nim”

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ppdpsd / Flickr

O presidente do PSD, Rui Rio

Apesar de recusar fazer uma purga aos apoiantes de Rangel, Rui Rio mostrou-se irritado com os membros do partido que se opõem à sua direcção mas querem continuar nas listas.

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Competência e lealdade. São estes os critérios que Rui Rio vai usar na escolha de quem vai integrar a lista de candidatos a deputados do PSD. Em entrevista à SIC e à CNN Portugal, o líder laranja falou sobre a preparação do partido para as legislativas, depois de ter superado o desafio interno imposto por Paulo Rangel.

Primeiro a competência, depois a lealdade. Ter alguém que é muito competente mas é desleal não me serve para nada”, sublinhou Rio. Recorde-se que vários nomes de peso no PSD apoiaram Rangel e essa escolha pode agora pesar na hora das decisões — mas o líder lembra que a escolha está nas mãos no conselho nacional.

Apesar dos avisos, Rio não vai excluir todos os apoiantes de Rangel. “O facto de ter estado com o meu adversário não quer dizer que seja necessariamente desleal. Vamos fazer uma medição de todo o comportamento durante a legislatura e não só agora em cima da eleição”, esclareceu, na SIC.

Já na CNN Portugal, o presidente do PSD reforça que não é ingrato e que reconhece o esforço dos que apoiaram Rangel por acreditarem que o eurodeputado era a melhor escolha. Mas já para os adversários internos que que sempre se opuseram à sua liderança, Rio não é tão compreensivo.

“Não se vai fazer uma limpeza étnica, mas não podemos ser todos hipócritas. Determinada pessoa esteve sempre contra mim, sempre contra mim e quer continuar na lista? Há aqui uma contradição. Acredita ou não acredita? Não concorda, mas quer estar?”, acusa o líder do PSD. “Respeito quem tem uma visão diferente, já tenho mais dificuldades em respeitar quem anda aqui com jogos a tratar da sua vida”.

Sobre Carlos Moedas, que nas vésperas das directas deu a entender que apoiava Rangel, Rio diz que o autarca de Lisboa teria sido mais “prudente” se se mantivesse neutro, mas que “ninguém se zanga“. A audiência de Marcelo com Rangel são também águas passadas.

O director de campanha de Rui Rio e autarca de Ovar, Salvador Malheiro, já tinha deixado alfinetadas aos opositores no domingo, dizendo que as directas “permitiram clarificar muito“. “Há muita gente que agora, se calhar, não vai estar disponível para fazer parte das listas. Pelo menos, desde que tenham um pouco de decoro”, criticou.

Já relativamente a Rangel e planos de integrar o seu adversário num possível governo do PSD, Rio deixa tudo em aberto, mas lembra que o eurodeputado tem “um lugar relevante na Europa” e que “vai continuar” no Parlamento Europeu. O líder voltou também a criticar a forma como Rangel o desafiou, dizendo que tudo podia ter sido feito de “forma diferente”.

O presidente do PSD confessou que chegou mesmo a ponderar não se recandidatar à liderança interna. “Muito no início, quando avancei, sabia que avançava com muito atraso e havia que recuperar atraso. Tive uma fase de reflexão a sério. Estive mesmo a pensar ‘vou ou não vou’”, assumiu.

Os cenários pós-legislativas

O possível entendimento pós-eleitoral com o PS foi também abordado, com Rio a lembrar os socialistas nunca viabilizaram um executivo social-democrata e que “o contrário até é mais fácil”. “O PSD ao longo da história tem mais sentido de responsabilidade e de Estado, mas quero acreditar que o PS pode evoluir e perceber que só tem a ganhar se tiver esse sentido de responsabilidade”, declarou.

Já sobre um cenário contrário — com uma vitória do PS e uma derrota do PSD — Rio admite que ainda não pensou nisso e que “logo se vê” qual a melhor decisão.

Rio acredita também que a geringonça está morta e enterrada: “Depois de tudo aquilo que aconteceu, não vejo que António Costa possa editar uma geringonça nos exatos termos em que o fez em 2015. Não acredito que a geringonça possa renascer da mesma forma que nasceu em 2015″.

O líder laranja apela também ao voto útil e diz que o PSD é única força para capaz de chutar com o PS para canto. “O único partido que pode fazer frente ao PS directamente e substituir o PS na governação do país é o PSD”, alerta.

Os eleitores têm de escolher se votam nos sociais-democratas ou se confiam num “partido mais pequenino” e assim permitem “que seja o PS a governar”. Rio voltou também a descartar uma possível aliança com o Chega.

E com os velhos aliados do CDS? Aí, a história já é outra. “Não está completamente decidido. Estou a fazer a reflexão e quero que os outros façam comigo, para perceber se é vantajoso ir com o CDS, numa Aliança Democrática como nos Açores, ou completamente sozinho. Quero ouvir as pessoas. Ambas as decisões têm as vantagens e desvantagens”, remata.

Sobre a reacção de António Costa à sua vitória, Rio lembra que há também divisões internas dentro do PS, até “em torno de uma possível sucessão” ao actual líder. “Se nós temos essa dificuldade, o PS também a tem, verdade seja dita”, considerou.

  Adriana Peixoto, ZAP //

11 Comments

    • Há alguma dúvida de qual o mais preparado para ser primeiro ministro de Portugal? Rui Rio é a única alternativa de seriedade que temos neste momento. É a última esperança deste país repleto jogos de poder com o único objetivo de servir interesses pessoais.

      • Vai-me me dizer que sozinho vai ganhar as eleições? Especialmente com o CDS morto e com guerra dentro do proprio partido, e em que muitos “psd’s votatantes o veem como um pequeno lider sobra do PS”, lol….

  1. “acusa o líder do PSD. “Respeito quem tem uma visão diferente, já tenho mais dificuldades em respeitar quem anda aqui com jogos a tratar da sua vida”.”

    RR continua a correr com quer tachos, assim fizessem os outros partidos, acabava-se a corrupção num abrir e fechar de olhos, mas, só vêm o que não interessa…

    Provavelmente, será um PSD mais pequeno, como por aqui dizem ,embora eu não acredite, mas, grande em valores, bem como, quebrar regras com nível, e, é isso que não entendo, pessoas obcecadas pelas cores e tradições, quando a tradição já não é o que era…

    Já votei em quase todos os partidos, porque, informo-me, vejo programas eleitorais, vejo os debates, ignoro comentários do “além”, e sigo a intuição…

    Simples assim, mas, aceito que seja diferente para uma maioria adormecida e a outra anestesiada…

    Portanto, vamos lá a renovar a assembleia, os programas, e os “actores”, já chega…

  2. Sim, oxalá que sozinho as consiga ganhar…!

    E porque é que as pode ganhar?
    Porque eu acho que, apesar de difícil, é possível!

    E porque é que é possível?
    Porque espero que, na hora de votar, as pessoas deixem as cores partidárias de parte e pensem em quem querem para líder. Querem um líder sério, ou querem mais do mesmo?

  3. A falta de memória humana e falta de memória política têm levado à estagnação social e económica de Portugal. O PS está exausto de Governar. O PS está desgastado. Por exemplo, o Eduardo Cabrita que destruiu o SEF! Os portugueses não têm Médico de Família! O SNS está desmotivado e destruído. Mais Job for the Boys do PS? Há inúmeros militantes do PS sem currículo nos cargos públicos de Dirigentes Públicos. E esta hei?! Portugal precisa de Novo Paradigma de Governação à Direita. O Rui Rio vai ser o próximo Primeiro-ministro de Portugal…só se não quiser ler os resultados da democracia portuguesa. Portugal precisa de Rui Rio e da vontade política do eleitorado Português. Já Chega de PS. Mais estagnação?!

  4. É tempo de um Novo Ciclo Político. É tempo de Esperança Social e de Justiça Laboral para quem trabalha com desempenho e com altruísmo para a Economia e para a Sociedade. Em Portugal temos excelentes trabalhadores e excelentes doutorados e cientistas e investigadores em todos os campos das Ciências. Haja Justiça Laboral e Eficiência Económica para por Portugal na senda do crescimento económico e subsequente desenvolvimento económico-social.

  5. Haver um novo ciclo do PSD , com Rio à frente sem extremismos ou direitismos poderá ser exequível. Rangel estoirou e ainda bem ,porque defendia o passismo. Do passismo das promessas tivemos as piores recordações em que o Gaspar foi o carrasco , um exterminador implacável , do qual resultou o genocídio dos portugueses.
    Rio é um político hábil, experimentado, moderado que no seu mandato anterior , perante Costa , pcp e be mantevre uma posição mais de defesa do que de confronto , pois sabia bem que o muro que queria derrubar era extremamente difícil.
    Nas autárquicas obteve alguns frutos do deu trabalho , sendo a mais determinante ganhar a câmara de Lisboa.
    O governo PSD pode ser um grande governo se não entrar em privatizações que não resultaram , das quais não houve qualquer vantagem com a venda da edp ao pcp chinês, telecom, ctt etc. Os portugueses que trabalham no seu dia a dia não pretendem lideranças autoritárias , em que a carga de impostos é demasiado pesada . Se as empresas são portuguesas compete aos portugueses saber geri-las e não ter a ideia de que os estrangeiros são melhores do que nós. São necessárias adotar estratégias que sejam adequadas para a melhoria da vida dos portugueses.

  6. A vitória de Rui Rio, foi uma pedrada no charco dos interesses e dos de barriga cheia chegando ao desaforo de criticá-lo de perseguidor, dos oponentes. A verdade é que ele é um verdadeiro homem de coluna vertical, respeitador da verdade, dos compromissos e dos princípios. Quem foi sempre do contra e quer sujeitar quem manda, a suportá-lo não presta. Devia ter um mínimo de respeito e dignidade para zarpar pelo seu próprio bem para que lhe seja atribuída uma nota 5, em vez de zero. O sentido da vergonha deve existir dentro de si próprio e é, infelizmente, o que mais se vai vendo, na nossa sociedade. Depois de governos sucessivos em que as criticas e sem vergonha têm subido de tom, querem a continuidade dessa miséria. Espero de Rui Rui e, com muita confiança e convicção que vamos entrar num período de muita seriedade, a bem de nós todos mas, acima de tudo, de um caminho mais nobre, para Portugal.. Ela terá a força necessária para impor as alterações à constituição, para um País verdadeiramente moderno e europeu.

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