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Reviravolta no mistério dos Príncipes da Torre. Há um novo (e improvável) suspeito

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Um dos mistérios mais notórios e emocionantes da história inglesa pode ter uma reviravolta com o surgimento de um novo e improvável suspeito no homicídio dos Príncipes da Torre.

Os príncipes de 12 e 9 anos eram os filhos do rei Eduardo IV, que morreu inesperadamente em abril de 1483. Em maio, o filho mais velho e herdeiro de Eduardo e o irmão mais novo foram levados para a Torre de Londres pelo seu tio, Ricardo, duque de Gloucester, aparentemente para se prepararem para a coroação formal de Eduardo.

O rei Ricardo III é há muito tempo considerado responsável pelo assassinato dos seus sobrinhos, o rei Eduardo V e o seu irmão, Ricardo, duque de York – também conhecidos como “os príncipes da torre” – numa disputa pela sucessão ao trono.

Contudo, 500 anos depois, surgiu um improvável novo suspeito: o médico real. “Foi o médico que fez isto”, defende Mei Trow, historiador e escritor policial, citada pelo jornal britânico The Telegraph.

Trow acredita que o médico John Argentino assassinou não só os filhos de Eduardo IV e Elizabeth Woodville, mas também o Príncipe Arthur, herdeiro e irmão do futuro Henrique VIII, que morreu em 1502 com apenas 15 anos. Os três eram pacientes de Argentine.

“Isto tem de ser mais do que uma coincidência. Em todos os dramas policiais, haverá alguém que dirá não acredito em coincidências. Eu não acredito em coincidências. Três meninos morrem de repente. Não faz sentido, a menos que se tome em consideração o médico deles”, afirmou Trow.

Tinha acesso a inúmeros venenos, que ninguém além de um médico teria entendido. Conseguiria administrá-los de forma muito simples, particularmente no caso dos príncipes na Torre”, acrescentou.

Segundo um relato contemporâneo, o filho mais velho de Henrique VII, Arthur, foi vítima de uma “doença das mais lamentáveis”, que “fez com as partes singulares dele se voltassem para dentro”.

“O que poderia fazer com que as suas ‘partes singulares’ se voltassem para dentro? Complicações hepáticas. O que pode causar complicações hepáticas? Arsénio“, continuou o autor.

Trow destaca ainda um outro relato contemporâneo, que se acredita ter vindo indiretamente de Argentino, segundo o qual Eduardo parecia deprimido.“A depressão é um sintoma de envenenamento por mercúrio”, disse.

Tendo investigado exaustivamente venenos como meio de assassinato, bem como médicos que os administraram, Trow compara Argentino a Harold Shipman, que foi condenado em 1999 pelo assassinato de 15 dos seus pacientes.

Ao contrário da maioria dos médicos desonestos, nenhum dos dois cometeu crimes para obter ganhos financeiros: “É o que eu chamaria de complexo de Deus. Matam porque podem. Têm poder supremo”.

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A investigação de Trow surge no seu próximo livro “The Killer of the Princes in the Tower: A New Suspect Revealed”, que será publicado este mês.

No início deste ano, Tim Thornton, da Universidade de Huddersfield, publicou um estudo que apoiava o  filósofo Sir Thomas More descreveu o rei Ricardo III como um governante “malicioso” que tinha ascendido ao trono após ordenar o assassinato dos herdeiros legítimos, os seus sobrinhos.

“Este novo livro destaca a contínua e crescente fascinação pelo mistério dos príncipes na Torre”, disse Thornton, questionado sobre a teoria de Trow. “Argentino é uma figura bastante consolidada neste mistério. Há muito se sabe que foi provavelmente a última testemunha registada da presença dos príncipes na Torre. Torná-lo o principal suspeito é uma ideia interessante”.

Tracy Borman, autora e historiadora, considerou “interessante” a nova teoria, mas expressou algum ceticismo. “Sobre Arthur, há evidências que sugerem uma doença persistente, não um tipo de envenenamento repentino.”

Alison Weir, autora de dois livros sobre os Príncipes da Torre, descreveu a teoria como “improvável” e argumentou que o Príncipe Arthur tinha tuberculose, de acordo com o testemunho do médico de Catarina de Aragão.

  Maria Campos, ZAP //

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