Encontrados restos com 4 mil milhões de anos dos primeiros organismos da Terra

gorbould / Flickr

Poderão ter sido encontrados no norte da Península do Labrador, no leste do Canadá, os vestígios de vida mais antigos que se conhece

As primeiras formas de vida orgânica na Terra podem ter aparecido há quase 4 mil milhões de anos, revela um estudo publicado esta quarta-feira na revista Nature.

Depois de o ano passado uma equipa internacional de cientistas ter anunciado a descoberta de micro-fósseis com 3,77 mil milhões de anos, na província do Quebec, o leste do Canada volta a presentear a ciência com mais uma descoberta: restos do que poderão ser os mais antigos organismos conhecidos da Terra, com 3,9 mil milhões de anos.

Na nova pesquisa, liderada pelo Departamento de Ciências da Terra e Astronomia da Universidade de Tóquio, no Japão, uma equipa de cientistas analisou isótopos de carbono em material carbonoso e carbonato de rochas sedimentares encontradas no norte da Península do Labrador, no leste do Canadá.

Segundo as conclusões da pesquisa, apresentadas num artigo publicado esta quarta-feira na revista Nature, na região podem ter existido há 3,9 mil milhões de anos algumas das primeiras formas de vida conhecidas no planeta.

Segundo os cientistas, as provas que demonstram a presença de vida no início da história do planeta são ainda fracas – entre outros motivos, devido à falta de amostras de rochas e ao precário estado de conservação do material da Era Eoarqueana, entre 3 mil milhões e 850 milhões de anos atrás.

A análise de isótopos de rochas sedimentárias do Cinturão Supracortical de Isua, no sudoeste da Groenlândia, com data de 3,7 a 3,8 mil milhões de anos atrás, sugere que as partículas de grafite poderiam ter origem biogenética, ou seja, terem sido produzidas por organismos vivos.

Tsuyoshi Komiya et al / Nature

Este insignificante borrão de grafite num pedaço de rocha pode ser o mais antigo vestígio de vida na Terra

Já o estudo de rochas sedimentares com idade semelhante, provenientes do Cinturão de Nuvvuagittuq, no leste do Canadá, e de Akilia, na Groenlândia, não detetou a presença de grafite biogenético.

Os especialistas da Universidade de Tóquio examinaram a presença de grafite nas rochas sedimentares encontradas em Saglek Block, no norte da Península do Labrador.

Com uma detalhada análise geológica das rochas e a medição das concentrações e composições dos isótopos de grafite e do material carbonoso foi possível constatar que o grafite dessas rochas é biogenético.

Além disso, os cientistas determinaram que a ocorrência de uma constante entre as temperaturas de cristalização do grafite e a temperatura metamórfica das rochas indica que o grafite não se originou como consequência de uma contaminação posterior.

Os autores sugerem assim que a descoberta de grafite biogenético nestas rochas da Península do Labrador poderia favorecer o estudo geoquímico dos organismos que os produziram e fornecer mais dados sobre o aparecimento da vida na Terra.

ZAP // EFE

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