Remoção de algumas placas com amianto “aumenta exponencialmente a perigosidade”

Tiago Petinga / Lusa

O Ministro da Educação Tiago Brandão Rodrigues

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, confirmou que ainda há estabelecimentos de ensino com estruturas de fibras de amianto incorporado, esclarecendo que a remoção de algumas aumenta a perigosidade.

O Ministério da Educação removeu “muitos milhares de metros quadrados de placas com amianto” das escolas nos últimos quatro anos, mas o ministro reconheceu que ainda há trabalho a fazer, em entrevista à agência Lusa.

Durante o mês passado, uma dezena de estabelecimentos de ensino encerraram e foram feitos muitos protestos por professores, alunos e encarregados de educação para chamar a atenção para o problema da exposição a estas fibras que podem provocar doenças como cancro do pulmão ou gastrointestinal.

Os protestos foram o resultado de uma ação do Sindicato de Todos os Professores (STOP), que estima existirem mais de cem estabelecimentos de ensino em situação crítica.

Sindicatos e também associações de pais e ambientalistas, como a Zero ou o Movimento Escolas Sem Amianto, têm criticado o facto de não ser conhecida uma lista oficial com o número de estabelecimentos com amianto, nem um calendário de obras.

O ministro também não respondeu à Lusa sobre quantas escolas ainda têm amianto, referindo que há “muitas placas de fibrocimento com amianto que estão absolutamente protegidas” e que a sua remoção “aumenta exponencialmente a perigosidade”.

Para o coordenador do Movimento Escolas Sem Amianto (MESA), André Julião, não retirar agora o amianto é “empurrar o problema com a barriga”, uma vez que mais tarde as estruturas vão acabar por se danificar.

maxnathans / Flickr

“O alarmismo social é a pior coisa que se pode fazer, porque estamos a falar de uma comunidade educativa. As nossas escolas são, em termos genéricos, lugares muito seguros”, garantiu o ministro. Tiago Brandão Rodrigues afirmou que existe um plano de intervenção que veio estabelecer prioridades e, por isso, a remoção não é feita “à mesma velocidade e com a mesma prioridade em todos os sítios”.

“Nós fizemos a remoção de muitos milhares de metros quadrados de placas com amianto ao longo destes quatro anos. É um trabalho invisível, do qual não damos conta”, sublinhou, recordando o trabalho feito no seu anterior mandato, já com a pasta da Educação.

Questionado se garantia que quem está diariamente nas escolas está em segurança, afirmou: “O que posso dizer é que os serviços do Ministério da Educação têm aferido a perigosidade da exposição a materiais que contenha amianto ao longo dos tempos e tem definido prioridades nas intervenções. É isso que temos feito, com responsabilidade”.

Os trabalhos de remoção realizados até agora foram “feitos em segurança”, sem o perigo de alunos, professores e funcionários poderem vir a inalar as fibras libertadas para o ar, acrescentou o ministro.

Tiago Brandão Rodrigues observou que o seu Ministério tem trabalhado com o Ministério do Ambiente e com as autarquias, que têm a seu cargo a gestão do pré-escolar e 1.º ciclo. “Tem sido dado nota de um conjunto de autarquias que têm estado a fazer esse trabalho e é importante continuar a fazê-lo”, comentou.

À Lusa, o coordenador do MESA lembrou que pais, alunos e trabalhadores das escolas ficariam mais descansados se conhecessem uma calendarização de obras nos diferentes estabelecimentos de ensino.

Questionado sobre a conclusão do plano de remoção, o ministro também não avançou qualquer data, mas deixou a promessa de “trabalhar para que esta questão do amianto seja uma questão do passado”.

ZAP //

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4 COMENTÁRIOS

  1. A melhor forma de evitar a exposição e de resolver a questão da remoção e de onde depositar, é a reparação do existente e posterior isolamento com massas adequadas.

    • Exacto!.. Na maioria dos casos, é melhor deixar o amianto em paz, pois a sua remoção pode aumentar substancialmente o risco de contaminação. Mas a esteria pelo amianto já está fora de controle….Como outras aliás!

      • Vai lá vai… como isto anda… A histeria deve ser tanta na cabeça do ZeCão que o homem até anda estérico.

        Ó ZAP e que tal diariamente publicarem, juntamente com as notícias, um tema adicional intitulado: “Assim se escreve em bom português”?
        Só hoje, já podiam pegar no pagar/pagado no esteria/histeria e há por aí muito mais matéria. Já nem vou aos quaisqueres ou aos houvessem…

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