Disparos de satélites e naves de Star Trek? Relatório revela como seria uma guerra no Espaço

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USS Discovery

A criação da Força Espacial dos Estados Unidos evocou todos os tipos de noções fantasiosas sobre o combate no Espaço. Assim, um novo relatório explica o que é física e praticamente possível quando se trata de uma eventual guerra espacial.

As ideias para uma possível guerra espacial são infinitas: os satélites militares vão girar e disparar uns contra os outros? Haverá naves maiores semelhantes à USS Enterprise?

Publicado na revista The Aerospace Corporation, o relatório apresenta vários conceitos básicos que provavelmente governarão qualquer combate espacial num futuro previsível. Todas as restrições físicas sugerem que as batalhas precisarão de ser planeadas com bastante antecedência.

De acordo com o Ars Technica, ao contrário de uma guerra na Terra, que normalmente envolve um esforço de forças opostas para dominar um local físico, os satélites em órbita não ocupam um único local.

Assim, segundo os autores do relatório Rebecca Reesman e James Wilson, controlar o espaço não significa necessariamente conquistar fisicamente setores do espaço.

Em vez disso, o controlo envolve a redução ou eliminação das capacidades dos satélites adversários, ao mesmo tempo que se garante a retenção da capacidade de operar livremente as suas próprias capacidades espaciais para comunicações, navegação e observação.

Ao considerar como controlar o Espaço, os autores expõem as formas em que o combate espacial é contraintuitivo para formuladores de políticas e estrategistas.

Por um lado, os satélites movem-se rapidamente, mas de forma previsível: os satélites em órbitas circulares normalmente usadas movem-se a velocidades entre 3 e 8 quilómetros por segundo, dependendo da sua altitude. Em contraste, uma bala viaja apenas cerca de 0,75 quilómetros por segundo.

Por outro lado, o Espaço é grande: o volume de espaço Entre a órbita terrestre baixa e a órbita geoestacionária é de cerca de 200 biliões de quilómetros cúbicos – 190 vezes maior do que o volume da Terra.

Além disso, dentro dos limites da atmosfera, aviões, tanques e navios podem mover-se nominalmente em qualquer direção. Os satélites não têm essa liberdade. Devido à atração gravitacional da Terra, os satélites estão sempre a mover-se num caminho circular ou elíptico, constantemente em queda livre ao redor da Terra. Colocar dois satélites no mesmo local não é intuitivo – requer um planeamento cuidadoso e um timing perfeito.

Por fim, os satélites manobram-se lentamente: enquanto os satélites se movem rapidamente, o Espaço é grande e isso faz com que as manobras propositadas pareçam relativamente lentas.

Perante todos estes fatores, as ações terão que ser planeadas com bastante antecedência. “Qualquer conflito no Espaço será muito mais lento e deliberado do que uma cena de Star Wars”, disse Reesman. “Isso requer muito mais pensamento de longo prazo e posicionamento estratégico de ativos.”

Desde meados da década de 1970 e o advento das armas anti-satélite na União Soviética e nos Estados Unidos, o Espaço tem sido tratado como um domínio contestado pelos Estados Unidos, a União Soviética e outras potências emergentes. Embora nenhuma guerra tenha ocorrido no Espaço, a capacidade de derrubar armas espaciais foi vista por novas potências como a China (em 2007) e a Índia (em 2019) como um meio de demonstrar as suas capacidades.

Além dos mísseis em terra, o relatório identifica várias formas pelas quais os satélites podem ser atacados. Os sinais de rádio podem ser usados para bloquear os satélites do oponente ou falsificá-los enviando comandos prejudiciais. Esta seria uma extensão da guerra eletrónica já usada em batalhas navais e aéreas.

Algumas nações – como França – chegaram a falar sobre o uso de armas no Espaço para proteger os seus próprios satélites. No entanto, os autores sugerem que satélites usando armas cinéticas para derrubar satélites opostos parecem improváveis por enquanto dada a energia necessária para manobrar uma arma orbital numa trajetória adequada.

As nações têm um forte incentivo para não destruir outros satélites devido ao potencial de criar detritos perigosos que afetariam potencialmente os ativos de todas as nações no Espaço – e os detritos gerados no Espaço têm um efeito duradouro.

No entanto, numa guerra, uma nação pode decidir que vale a pena perder permanentemente o acesso a alguns satélites na órbita geoestacionária devido a escombros a fim de ganhar uma guerra terrestre.

ZAP //

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