Refrigerantes light causam o mesmo risco de doenças cardíacas que bebidas normais

Um novo estudo da Universidade Sorbonne, em Paris, descobriu que bebidas adoçadas artificialmente – como as light, diet e zero – podem ser tão prejudiciais para o coração quanto os refrigerantes normais.

Os investigadores, que acompanharam 104 mil pessoas ao longo de dez anos, descobriram que os consumidores de bebidas açucaradas e artificialmente adocicadas revelam até 20% mais probabilidade de sofrer doenças cardíacas do que aqueles que evitam refrigerantes.

O estudo, publicado esta segunda-feira no Journal of American College of Cardiology, revelou ainda que as pessoas que ingerem muitas bebidas light ou diet mostraram o mesmo risco elevado de padecer de doenças cardíacas em comparação com aquelas que bebiam as versões normais, com açúcar.

“O estudo sugere que bebidas adoçadas artificialmente podem não ser um substituto saudável para as bebidas açucaradas”, disse o autor principal do artigo Eloi Chazelas, alertando ainda para outra questão que se prende com o debate sobre “impostos, rotulagem e regulamentação de bebidas açucaradas e bebidas com adoçantes artificiais”.



“Já sabemos que as bebidas adoçadas com açúcar são más quando se trata de problemas cardiovasculares e de saúde em geral”, disse à CNN o cardiologista Andrew Freeman.

Além disso, um estudo publicado no ano passado descobriu que as mulheres que bebem refrigerantes açucarados, bebidas isotónicas ou sumos mais de duas vezes por dia – um copo, uma garrafa ou uma lata – têm um aumento de 63 % de risco de morte prematura, comparando com mulheres que ingerem essas bebidas menos de uma vez por mês.

Já o mesmo exercício nos homens revelou que o segundo grupo, os que tomavam as bebidas duas vezes por dia, registaram um aumento de risco de morte prematura de 29%

“Muitas pessoas dizem: ‘Bem, os refrigerantes diet e as bebidas adoçadas artificialmente talvez sejam melhores do que as bebidas adoçadas com açúcar.’ Mas nos últimos dois anos tem havido várias evidências de possíveis danos causados pela ingestão de bebidas adoçadas artificialmente, particularmente em mulheres”, disse Freeman.

Danielle Smotkin, porta-voz da American Beverage Association, disse que “os adoçantes de baixas ou sem calorias foram considerados seguros por órgãos reguladores em todo o mundo” e que há, até, um estudo do Organização Mundial de Saúde que “mostra que esses adoçantes são uma ferramenta útil para ajudar as pessoas a reduzir o consumo de açúcar e a controlar o peso”.

“Apoiamos o apelo da OMS para que as pessoas reduzam o consumo de açúcar nas suas dietas e estamos a fazer a nossa parte criando bebidas inovadoras com menos ou zero açúcar, rotulagem clara das calorias, práticas de marketing responsáveis ​​e embalagens mais pequenas”, disse Smotkin.

A nova pesquisa francesa, que analisou os dados de mais de cem mil adultos, pediu aos participantes que preenchessem três registos alimentares de 24 horas, a cada seis meses, e depois dividiu-os em três grupos – os que não consomem bebidas açucaradas nem diet, os que consomem pouco e os que consomem muito.

Entre 2011 a 2019, os hábitos de consumo de bebidas açucaradas e de bebidas diet foram comparados separadamente a quaisquer primeiros casos de “derrame, acidente isquémico transitório, enfarte do miocárdio, síndrome coronária aguda e angioplastia”.

Os autores do estudo explicaram que não contaram com os primeiros casos de doença cardíaca que ocorreram durante os três primeiros anos e que obtiveram um resultado estatisticamente significativo.

Em comparação com pessoas que não ingeriam bebidas light ou diet, os grandes consumidores tinham 20% mais probabilidades de ter doenças cardiovasculares em algum momento. Mas o resultado foi semelhante tanto para os grandes consumidores de bebidas açucaradas como para os que não as consomem, descobriram os investigadores.

“Os estudos epidemiológicos, mesmo aqueles com uma grande amostra, estão sujeitos a armadilhas potenciais, incluindo causalidade reversa [por exemplo, indivíduos que já são obesos escolherem bebidas light ou diet como uma ferramenta para controlar o seu peso] e confusão residual, como observaram os investigadores”, explicou o Calorie Control Council, associação que representa a indústria de alimentos e bebidas de baixas calorias.

Não ter estudos mais definitivos é uma grande limitação, disseram os autores do artigo, explicando que deste modo é impossível determinar se a ligação se deve a um adoçante artificial específico, a um tipo de bebida ou a outro problema de saúde oculto.

“Sabemos que as pessoas que consomem refrigerantes diet às vezes já estão acima do peso ou são obesas, então temos de nos perguntar que outros fatores de confusão residual e do estilo de vida já existem”, disse Freeman.

Segundo o Expresso, em 2018 cada português consumiu 60 litros de refrigerantes, o que equivale a 3,3 quilogramas de açúcar, um valor inferior ao que tinha sido registado em 2017, quando começou a ser aplicado o imposto sobre estas bebidas. Em 2017, o relatório do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável revelava que o consumo per capita tinha sido de 75 litros (4,4 Kg de açúcar).

STS, ZAP //

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