Novas reações nucleares nas ruínas de Chernobyl. São como “brasas numa churrasqueira”

Vladyslav Cherkasenko / Unsplash

Sinal de aviso de radioatividade em Pripyat, cidade próxima da Central Nuclear de Chernobyl, na Ucrânia

Nas profundezas das ruínas da Central Nuclear de Chernobyl, 35 anos após o pior acidente nuclear da História, as reações de fissão nuclear começaram a surgir novamente.

Uma equipa de cientistas do Safety Problems of Nuclear Power Plants (ISPNPP) detetou, recentemente, um número excecionalmente alto de neutrões num sala inacessível na Central Nuclear de Chernobyl, a 305/2. Isto sugere que começou a ocorrer uma nova reação de fissão nuclear.

Os investigadores estão a tentar perceber se estas manifestações físicas se apagarão por conta própria com o tempo ou se será necessária uma intervenção direta.



Neil Hyatt, da Universidade de Sheffield, disse à Science Magazine que a situação é muito semelhante a “brasas numa churrasqueira”. No fundo, os restos do Reator n.º 4, que explodiu a 26 de abril de 1986, estão a realizar pequenas reações com as massas de urânio soterradas pela imponente estrutura física da central de Chernobyl.

Anatolii Doroshenko, do ISPNPP, adiantou que sensores posicionados à volta da proteção do reator destruído identificaram um número crescente de neutrões – um indício de fissão nuclear – vindo de uma sala inacessível.

Desde a última semana, tem-se vindo a colocar a hipótese de desmantelar o reator. “Ainda há muitas incertezas. Mas não podemos descartar a possibilidade de um acidente”, disse Maxim Saveliev, outro especialista do Instituto.

Ainda assim, os neutrões estão a aumentar a um ritmo lento, o que dá aos cientistas alguns anos de pesquisa para saber como evitar eventuais ameaças.

A culpada pode ser a chuva. O sarcófago – conhecido como “Shelter” -, erguido um ano após o desastre com o objetivo de isolar o Reator n.º 4, permitiu que a água da chuva escorresse nos escombros e componentes remanescentes.

Como a água reage com os neutrões a ponto de se aprimorarem e destruírem núcleos de urânio, o fenómeno pode fazer com que o número destas partículas aumente.

Os especialistas chegaram a instalar irrigadores de gadolínio, um elemento químico capaz de absorver neutrões, na década de 1990. No entanto, como se encontram no teto do “Shelter”, não penetram nas partes mais profundas dos escombros.

Não há qualquer probabilidade de o desastre de 1986 se repetir, uma vez que a estrutura que alavancou o incidente já não existe. Apesar disso, os cientistas concordam que os desenvolvimentos recentes não podem ser ignorados.

Liliana Malainho, ZAP //

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3 COMENTÁRIOS

  1. Isto havia de ser era no Kremlin onde estão e estiveram os responsáveis por estas engenhocas pouco ou nada seguras!

  2. De mal a pior, isso que disse, com o devido respeito, é um perfeito disparate. Aquela central, à data, seria talvez a mais avançada do planeta. E tal como o 1o grande acidente antes desse, os anos 70 nos EUA, foi erro humano.
    Passe bem

  3. Complatamente em desacordo nem era nada avançada, nem segura, e nem tinha bons tecnicos. Antes pelo contrario por isso se deu o acidente, quando pelo menos em França Inglaterra e mais paizes existiam variias centrais e aqui sim mais modernas e com tecnicos de mais experiencia.

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