A química entre duas pessoas é química a sério — e o segredo para fazer amigos está no cheiro

Um novo estudo concluiu que as pessoas que sentem um “click” instantâneo e que se tornam amigas costumam ter cheiros semelhantes.

Alguma vez conheceu uma pessoa e imediatamente gostou dela? Acontece que o termo “química” entre duas pessoas que se tornam amigas não é mesmo por acaso, já que essa afinidade tem mesmo uma explicação química.

Um novo estudo publicado na Science Advances recrutou 20 pares de pessoas do mesmo sexo que eram amigas e que afirmam que sentiram um “click” imediato quando se conheceram.

Na experiência principal, os pares foram instruídos para se lavarem com sabão sem fragrância, evitarem comidas com caril ou alho e para dormirem sozinhos numa cama. Os participantes usaram uma camisola de algodão lavada para dormir, que depois guardaram num saco de plástico onde estas foram congeladas e descongeladas uma hora antes do teste.

Através de um nariz eletrónico chamado PEN3 eNose e de um grupo de voluntários, concluiu-se que os pares de amigos tinham cheiros mais semelhantes do que estranhos que tinham sido emparelhados aleatoriamente após se cheirarem t-shirts usadas pelos membros da amostra, revela o Science Alert.

Nem todas as experiências deram resultados claros, no entanto. Quando 24 voluntários foram instruídos a comparem três amostras de cheiro ao mesmo tempo — duas de amigos e uma de um estranho — já tiveram mais dificuldades do que na comparação de apenas duas amostras em simultâneo.

Os voluntários tiveram ainda de avaliar os 40 odores corporais de pares de amigos, dizendo se os consideram agradáveis, intensos, sexualmente atraentes, competentes e se acham que pertencem a uma pessoa com uma personalidade calorosa. Quando os investigadores combinaram todas as notas dadas, os pares que “clicaram” eram mais semelhantes do que os pares aleatórios.

A equipa também quis tentar prever se as semelhanças no cheiro ajudam a prever se duas pessoas vão “clicar” quando se conhecem. Para isto, foram recrutados voluntários que nunca se tinham conhecido e que tiveram de fazer o “jogo do espelho” em silêncio, onde se aproximavam tentavam copiar os movimentos das mãos uns dos outros durante dois minutos sem falarem.

No total, o teste criou 66 pares e um terço afirmou que sentiu química com a pessoa que lhe calhou — e o eNose confirmou que os pares que se deram melhor eram quimicamente mais semelhantes do que os pares que não sentiram o “click”.

Apesar de haver muitas espécies que se cheiram mutuamente para saberem se outros animais são de confiança, nas sociedades humanos há um tabu em torno do valor social do olfato que leva a que este seja desvalorizado, mas os autores comprovaram assim que os estranhos “começam a interessar-nos ao primeiro farejo” e não só à primeira vista.

  ZAP //

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