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Quatro aviões estiveram parados em plena época de incêndios

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José Coelho / Lusa

Helicóptero Kamov Ka-32A-11BC da frota da Protecção Civil no combate a um incêndio

O jornal Público teve acesso a inúmeros documentos que confirmam quer a versão do segundo comandante nacional, Albino Tavares, quer a da Comissão Técnica Independente (CTI) e ainda emails que provam que o Governo deu autorizações de reforço de meios ao longo dos meses.

Os documentos a que o Público teve acesso confirmam que a ANPC fez, de facto, um pedido de reforço de meios humanos para a faseDelta (de 1 a 15 de outubro de 2017), de 105 equipas de bombeiros, das quais o Governo apenas autorizou 50 – versão que consta no relatório dos técnicos.

Já a 9 de outubro, a ANPC pediu um novo reforço de equipas de bombeiros e o Governo autorizou a mobilização de mais 164 equipas. Esta versão é corroborada por ambas as partes.

No entanto, no relatório da CTI está dado como autorizado o pedido de dia 9 de outubro. Aos jornalistas, Jorge Gomes juntou as duas autorizações – a do dia 27 e a do dia 9 – sendo que ao primeiro pedido só cedeu em parte.

O pedido de 200 horas suplementares para quatro aviões anfíbios a 8 de setembro foi negado pelo Governo, segundo a ANPC. No entanto, segundo o Público, o Governo tinha autorizado outros pedidos anteriores para compra de horas suplementares de aviões anfíbios.

Em suma, o Estado tinha alugado seis aviões médios Fireboss, quatro dos quais tinham contrato até ao dia 5 de outubro e dois até ao dia 31. Mas, dada a quantidade de incêndios, os aviões voaram mais do que era suposto, pelo que em agosto foi feito um pedido de horas suplementares de voo – e aprovado.

Mas a ANPC, perante o cenário agressivo deste verão, fez um novo pedido de 200 horas para o quatro aviões com contrato até dia 5, mas foi recusado. Jorge Gomes diz desconhecer esta proposta.

Mais tarde, a ANPC fez um novo pedido, desta vez de 70 horas suplementares para dois destes aviões, que foi aprovado. Assim, a 23 de setembro, quatro aviões esgotaram as horas de voo, pelo que a ANPC apenas contava com dois Fireboss a 15 de Outubro.

Ora, parados desde dia 23 de setembro, a Proteção Civil fez um pedido de reforço desta frota a 9 de outubro, recorrendo à locação de quatro destas aeronaves para o período entre 13 e 31 de Outubro, segundo o jornal.

De acordo com o que foi dito à CTI, este teria sido um pedido recusado. No entanto, os documentos a que o Público teve acesso provam que Jorge Gomes pedia estimativas de custos para o aluguer num email de 10 de outubro, estimativa que só chegou ao Governo a 16 de outubro.

Este é um dos pontos que não estão corretos no documento dos peritos, dado que o governante deu despacho positivo a 17 de outubro.

Além desta, há outro exemplo de uma autorização que chegou tarde. Segundo o relatório da CTI, o pedido de alocação de oito helicópteros médios até ao final de outubro, feito no dia 9, foi aprovado. Contudo, não chegou a tempo.

Segundos os emails, o secretário de Estado deu despacho positivo a tempo (14 de outubro), mas esta confirmação só foi dirigida à Proteção Civil dois dias depois, não tendo estes meios sido utilizados no ataque inicial naqueles dias.

Segundo o jornal, e a partir da leitura dos documentos a que teve acesso, ambos os lados têm razão em alguns pontos. No entanto, Jorge Gomes, para se defender, referiu por vezes autorizações diferentes daquelas que eram mencionadas no relatório dos técnicos, sendo difícil provar se eram ou não corretas, conclui o Público.

  ZAP //

4 Comments

  1. ….tenho a certeza absoluta que se fosse a direita que estivesse a governar aquando dos incêndios, os escroques avermelhados na AR, parceiros da geringonça, de tanto criticarem até a saliva lhes escorria da boca….

  2. A compra dos Kamov foi o melhor negócio que o Estado português fez até hoje para o combate a incêndios, nem tão pouco peças de substituição existem, estão todos condenados à sucata!.

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