Proibido na Índia: cientistas dos EUA vão “ressuscitar” cérebros na América Latina

A equipa de cientistas da empresa biotecnológica norte-americana Bioquark pretendem retomar as suas experiências de “ressuscitação” de cérebros de pessoas mortas, que, depois de terem sido proibidas na Índia, desta vez serão realizadas na América Latina, informou o CEO da empresa Aira Pastor.

“Claro que é ridículo esperar que tudo dê certo pela primeira vez, usando apenas um método. Assim, vamos aplicar vários métodos ao mesmo tempo. Acho que temos muitas probabilidades de sucesso, só precisamos de nos focar nesta ideia e encontrar as pessoas certas para a concretizar”, disse Aira Pastor à Scientific American.

Em maio do ano passado, as autoridades norte-americanas concederam à Bioquark uma inédita licença para reamimar 20 mortos, experiência em que a empresa de Filadélfia iria tentar recuperar parte das funções do cérebro com uma proteína sintética, BQ-A, células estaminais especiais, estímulos com lasers e estímulos eléctricos do sistema nervoso.

Originalmente, os cientistas da Bioquark planeavam realizar as suas experiências na Índia, num hospital onde contavam com um grupo de “voluntários” em estado de morte clínica, cujos parentes tinham concordado doar os seus corpos para fins científicos.

A “morte cerebral” das vítimas tinha sido causada por enfartes e problemas cardíacos diversos, condições em que o corpo do doente permanece vivo com a ajuda de máquinas, mas o cérebro já não funciona. A partir do momento em que uma pessoa não seja capaz de viver sem a ajuda de máquinas, é considerada como morta.

A morte cerebral é causada pela atrofia dos sectores inferiores do tronco cerebral, por exemplo na consequência de um trauma ou de falta sistemática de oxigénio. Esta parte do cérebro é crítica para o organismo humano, pois sem ela o corpo não consegue respirar ou controlar a actividade cardíaca.

No âmbito do projecto ReAnima, os cientistas esperavam, com a ajuda de injecções de BQ-A, células estaminais e impulsos de lasers, “voltar a pôr em funcionamento” o cérebro de pessoas mortas, mas o Conselho de Pesquisas Médicas da Índia proibiu a realização destas experiências, por razões formais e éticas, em novembro de 2016.

De acordo com Pastor, a Bioquark está agora já nas últimas etapas de conversações com autoridades de países latino-americanos, que já aceitaram a ideia da empresa. Segundo o cientista, as primeiras experiências podem começar este verão. Já os locais onde os ensaios vão ter lugar serão revelados “nos próximos meses”.

O objetivo principal destes ensaios, sublinha o diretor da Bioquark, não é “ressuscitar completamente pessoas, mas apenas a recuperação parcial da actividade cerebral depois de ser determinada a morte clínica. Caso os cientistas consigam ultrapassar esta tarefa, então os especialistas da Bioquark darão os passos seguintes.

Alguns cientistas continuam no entanto a achar que estas experiências “são cientificamente infundadas” e acusam a Bioquark de dar às pessoas esperanças inúteis baseadas na expectativa de trazer de volta os seus entes falecidos. A realização de tal proeza, dizem, teria que ser reconhecida como um milagre. “Até mesmo pelo Papa“.

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