Proibidas idas ao WC nos intervalos e nada de furos. Escolas adiantam-se à DGS com planos próprios

Rodrigo Antunes / Lusa

A cerca de 15 dias do arranque do novo ano lectivo, a Direcção Geral de Saúde (DGS) está ainda a alinhavar as regras específicas para a reabertura das escolas. Algumas escolas estão já a adiantar-se, definindo os seus próprios planos de contingência.

A DGS prometeu divulgar, nos próximos dias, as “regras mais específicas” para a reabertura do ano lectivo, depois de já ter publicado as medidas mais gerais. Mas quando faltam apenas cerca de 15 dias para o seu arranque há escolas que se adiantam com planos de contingência e medidas muito concretas.

“Não tenho de esperar pelo ministério para fazer andar as coisas”, explica o director da Escola Secundária de Almeida Garrett [ESAG) em Vila Nova de Gaia, Paulo Mota, em declarações ao Jornal de Negócios.

Neste estabelecimento, o plano de contingência divulgado até inclui a forma como serão organizadas as idas à casa de banho que só poderão ocorrer durante as aulas e nunca nos intervalos. Em tempos normais, seria precisamente ao contrário.

“É impossível supervisionar os alunos nas idas à casa de banho nos intervalos”, salienta o director da ESAG no Negócios.

As idas dos alunos ao quadro também estão proibidas como “uma medida preventiva”, já que se pudessem ocorrer seria necessário estar a higienizar sistematicamente o quadro e o apagador, “o que é impensável”, explica Paulo Mota.

Também não pode haver furos. “Sempre que o professor faltar ou tiver de se ausentar por motivos de indisposição inesperada e não for possível a sua substituição, o aluno deverá permanecer no seu lugar, dentro da sala, mantendo o silêncio, realizando tarefas escolares da disciplina em causa ou de outras, durante todo o tempo lectivo”, explica-se no plano de contingência da ESAG.

Cada turma terá sempre a mesma sala atribuída e cada aluno terá sempre a mesma cadeira e a mesma mesa”, aponta ainda o documento, frisando que as salas devem estar com as janelas e portas sempre abertas “para arejar”.

As salas só poderão ter “no máximo 28 alunos” ou 29, nos casos excepcionais relacionados com retenções, e os alunos poderão lanchar no seu interior, mas terão que trazer a comida de casa porque as máquinas de vending e o bar não estarão a funcionar.

As refeições vão decorrer em regime de take-away e “cada grupo de alunos estará confinado ao seu sector de aulas e a um espaço exterior delimitado por sinalética horizontal”, nota também o plano.

Outras escolas estão a prever organizar o ano lectivo com “horários desfasados”, com umas turmas a terem aulas de manhã e outras na parte da tarde, como é o caso dos estabelecimentos do Agrupamento de Escolas Fernando Pessoa, em Santa Maria da Feira.

Além disso, as Escolas Fernando Pessoa vão optar também pela “atribuição de uma única sala por turma”, bem como pela “redução dos tempos de intervalo entre aulas”, como se explica num documento com as linhas orientadoras para a reabertura do novo ano lectivo.

Entretanto, o director da ESAG queixa-se de que “há documentos [da DGS] que têm alguma contradição entre si, nomeadamente em relação ao distanciamento social – um metro, quando possível, o que significa que, quando não for, pode ser só 10 centímetros”, nota no Negócios.

A ministra de Estado e da Presidência, Maria Silva Vieira, já veio deixar uma “mensagem de tranquilidade” aos pais, garantindo que “as famílias devem estar descansadas e confiantes porque os estabelecimentos escolares são capazes de enfrentar esta pandemia”.

“As escolas estão preparadas para esse início, criaram os seus circuitos, prepararam-se para poder receber os alunos”, salienta a governante, referindo que “têm à sua disposição as orientações de que necessitam”.

O ano lectivo vai começar entre 14 e 17 de Setembro.

ZAP //

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15 COMENTÁRIOS

  1. “… explica o director da Escola Secundária de Almeida Garrett [ESAG) em Vila Nova de Gaia, Paulo Mota, em declarações ao Jornal de Negócios.

    Neste estabelecimento, o plano de contingência divulgado até inclui a forma como serão organizadas as idas à casa de banho que só poderão ocorrer durante as aulas e nunca nos intervalos. Em tempos normais, seria precisamente ao contrário. …”

    mas que é isto? será que com este modelo os alunos estarao com a atençao nas aulas?
    que ridiculo esta medida

  2. A meu ver acho que estão todos malucos!! Vão para o Avante e estão se borrifando para tudo e para todos, agora querem medidas de prisão?? Tão mas é passados!! O futuro do pais e do mundo estarem com estas medidas? Os nossos filhos? Isto é uma loucura e vergonha

  3. 3000 alunos por 10 WCs, 1 de cada vez, 3 min de utilização por aluno (ótimista). São 300 idas ao WC, ou seja, 900 min de utilização, ou seja 15 horas de utilização.

    Já despediram as mentes brilhantes que lançaram esta ideia?

  4. Houve remodelação governamental? Agora “A ministra de Estado e da Presidência, Maria Silva Vieira” mudou de nome, confundido com outra personagem nada credível a quem dão voz?

  5. Mandem mas é os miudos para casa que isto não tem jeito nenhum. Vão brincar com a saúde do raio que os parta. As crianças passaram a ser cobaias?

  6. Se um aluno tiver um problema intestinal ou urológico faz nas calças? Humilhante.
    Nos meus tempos de criança, recordo (nunca me esqueci) uma professora não deixou uma criança de 10 anos ir à casa de banho…e o miúdo fez nas calças na carteira onde estava.
    Professora Estúpida.

  7. Como é possível a ministra de Estado e da Presidência, Maria Silva Vieira, deixar uma “mensagem de tranquilidade” aos pais, garantindo que “as famílias devem estar descansadas e confiantes porque os estabelecimentos escolares são capazes de enfrentar esta pandemia”. Quando existem surtos de piolhos quem
    trava o surto????? Acordem para a vida, vai ser uma desgraça nacional, os miúdos irem para a escola presencial!!! Em países nossos vizinhos verifica-se isso mesmo já existem escolas a fecharem.

  8. A minha opinião é esta:
    Enquanto esta «coisa» não desaparecer, deixem mas é os miudos em casa, em segurança.
    Eles são o n/futuro.

    • Infelizmente não se faz uma sociedade sem convívio. Não podemos continuar fechados em casa e esperar que a sociedade continue como era dantes. Sem convívio as nossas crianças não vão crescer e desenvolver-se da mesma forma.

  9. Medidas idiotas e inúteis, que não lembram ao diabo. Essa de não ir ao quarto de banho no intervalo e de ir durante a aula merece o prémio Nobel da estupidez. E a de ficarem retidos e quietinhos na sala de aula em caso de “feriado” é outra igual.

  10. “O aluno deverá permanecer no seu lugar, dentro da sala, mantendo o silêncio”. Frase escrita por alguém cujos filhinhos frequentam algum colégio chique da Linha. Mas deu para rir.

  11. Mas qual Covid qual carapuça! Acordem e deixem de acreditar nisto que só apareceu para controlar ainda mais as pessoas. Isto já estava planeado há muitos anos! Quem tiver olhos que veja!!!

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