Primeiro-ministro do Japão irrita China, Coreia e Estados Unidos com visita a templo

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O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, com o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, com o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, visitou hoje, em Tóquio, o templo de Yasukuni, que homenageia os soldados mortos, entre os quais criminosos de guerra, o que já gerou fortes críticas da China, avisos da Coreia do Sul e desapontamento dos Estados Unidos.

O político conservador japonês elegeu o dia em que se cumpre um ano da sua chegada ao poder para visitar pela primeira vez o polémico templo na qualidade de chefe do Governo.

“É um mal-entendido pensar que esta visita significa venerar os criminosos de guerra”, disse Abe depois de realizar una breve oração no interior do recinto.

O primeiro-ministro nipónico afirmou que “rezou pelo descanso dos que perderam a sua preciosa vida pelo Japão na guerra”, assegurando que não teve a intenção de provocar os países vizinhos como a China ou a Coreia do Sul com a visita.

“Com a minha decisão queria mostrar o meu propósito de que o Japão nunca voltará a participar em nenhuma guerra”, afirmou o primeiro-ministro japonês, que sublinhou que se esforçará para que Pequim e Seul “possam entender o objetivo desta visita”.

As visitas de membros do Governo nipónico a Yasukuni, que presta homenagem aos milhões de soldados mortos em conflitos armados entre 1853 e 1945 e a 14 criminosos da II Guerra Mundial, gera todos os anos o protesto dos países ocupados pelo Japão no século XX.

Esta foi a primeira visita de um primeiro-ministro nipónico a Yasukuni desde a visita de Junichiro Koizumi, em 2006.

A visita do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe a Yasukuni é “absolutamente inaceitável para o povo chinês” e o Japão deverá “assumir as consequências”, reagiu o diretor geral dos assuntos asiáticos do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Luo Zhaohui, numa declaração no microblog do ministério.

EUA “desapontados” com visita de Shinzo Abe a santuário

Os Estados Unidos estão “desapontados” com a visita que o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, efetuou hoje ao santuário Yasukuni, considerando que esta irá aumentar a tensão regional, de acordo com a embaixada norte-americana em Tóquio.

“O Japão é um valioso aliado e amigo. No entanto, os Estados Unidos estão desapontados com a visita do líder do Governo, a qual vai exacerbar as tensões com os (países) vizinhos”, refere um comunicado da embaixada, citado pela agência noticiosa AFP.

A reação norte-americana surge poucas horas depois de Shinzo Abe ter visitado o santuário de Yasakuni – feito que um chefe de Governo japonês não fazia desde 2006 -, o qual presta homenagem aos milhões de mortos do exército Imperial entre 1853 e 1945, entre eles 14 criminosos da Segunda Guerra Mundial.

A visita provocou reações críticas imediatas também da China e da Coreia do Sul, países que sofreram a colonização japonesa na primeira metade do século XX.

Coreia do Sul adverte para “grandes repercussões diplomáticas” contra Japão

Um alto funcionário do Governo da Coreia do Sul advertiu hoje que a visita realizada pelo primeiro-ministro japonês ao santuário de Yasukuni, onde repousam restos mortais de criminosos de guerra, terá “grandes repercussões diplomáticas”.

“O Japão sabe o quão grandes serão as repercussões diplomáticas da visita do primeiro-ministro ao santuário Yasukuni”, disse à agência Yonhap a fonte governamental de Seul, quando se aguarda uma posição formal do Ministério dos Negócios Estrangeiros de seul.

O primeiro-ministro japonês visitou hoje de forma inesperada e quando um chefe do Governo não o fazia desde 2006 o santuário de Yasukuni que presta homenagem a milhões de mortos do exército Imperial entre 1853 e 1945, entre eles 14 criminosos de guerra da Segunda Guerra Mundial.

A China e a Coreia do Sul foram colonizadas pelo Japão na primeira metade do século XX e criticam duramente as visitas ao templo, consideradas um símbolo da opressão japonesa na Ásia e um monumento ao militarismo do inimigo.

/Lusa

 

 

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Ninguem fica desampontado com os USA, pelo atos que faz?, invasão do Iraque, mentindo sobre armas quimicas que não existiriam, espionagem a todo o mundo, e muito mais que só daqui a muitos anos se irá saber a verdade

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