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Primeira indiana a dirigir a Associação de Estudantes de Oxford é obrigada a abandonar o cargo. Índia fala em discriminação

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Rashmi Samant

Rashmi Samant foi a primeira indiana a estar à frente da Associação de Estudantes da Universidade de Oxford, mas o sonho durou pouco. A jovem teve de abandonar o cargo depois de ter sido acusada de partilhar posts discriminatórios nas redes sociais. O caso está a causa indignação na Índia.

Em fevereiro, Rashmi Samant, de 22 anos, tornou-se a primeira mulher indiana a ser eleita presidente da Associação de Estudantes da Universidade de Oxford.

No entanto, no espaço de apenas uma semana, o que a imprensa indiana celebrou como uma conquista histórica, acabou por sofrer uma reviravolta quando Samant foi acusada de racismo devido a algumas partilhas que havia feito nas suas redes sociais.

No centro da polémica estão partilhas feitas há alguns anos, e agora excluídas pela estudante. Por exemplo, em 2019, Samant escreveu na legenda de uma foto sua na Malásia as palavras “Ching Chang”, e em 2017 fez um trocadilho com o Holocausto em outra legenda, altura em que partilhou uma foto sua no Memorial do Holocausto em Berlim.

Segundo alega, um outro post também está a ser usado como arma de para manchar o seu nome. Samant escreveu na legenda de uma foto “mulheres, mulheres trans e homens”. Os críticos frisam que separar mulheres e mulheres trans vai contra a sua própria campanha sindical estudantil de inclusão.

A Oxford Campaign for Racial Awareness and Equality, um dos vários grupos de estudantes que exigiram a renúncia de Samant, frisou que as partilhas eram ofensivas e convidou a jovem a fazer “um pedido formal de desculpas às comunidades do leste asiático, judaica e transexual”.

Inicialmente, Samant tentou justificar as partilhas dizendo, por exemplo, que “Ching Chang” era uma referência a uma piada interna. Contudo, posteriormente a estudante explicou-se através de uma carta aberta onde pede desculpa a “todos os alunos que foram magoados por minhas ações ou palavras” e acabou por abandonar o cargo.

No início deste mês, Samant respondeu aos críticos e ao que ela chamou de “cultura de cancelamento”, dizendo que foi vítima de um “julgamento cruel nas redes sociais” e de intolerância racial.

Samant contou ao The Times of India que há estudantes que estão a ser encorajados a fazer “declarações difamatórias” sobre si. Revelou ainda que foi hospitalizada por causa do stresse que a polémica lhe causou.

Numa outra entrevista, referiu que era injusto julgá-la pela partilha de posts feitos há vários anos, argumentando que era “uma pessoa totalmente diferente”.

“JusticeForRashmiSamant”

O tratamento que Samant  recebeu por parte dos seus colegas de Oxford gerou uma onde de indignação na Índia, onde os utilizadores do Twitter e do YouTube se uniram em campanhas online com as hashtags “JusticeForRashmiSamant” e “AntiHinduOxfordUniversity”.

Os seus apoiantes incluem nacionalistas hindus. A Swarajya Magazine, uma publicação hindu de direita, classificou a sua quase expulsão como uma “caça às bruxas” anti-hindu.

O caso também chamou a atenção do Governo indiano quando, durante uma discussão parlamentar na semana passada, um funcionário descreveu o tratamento de Samant como um exemplo de racismo no Reino Unido.

“Como o país de Mahatma Gandhi, nunca podemos desviar os nossos olhos do racismo”, disse o ministro das Relações Externas da Índia, S Jaishankar, aos legisladores.

A reação indiana contra a exclusão de Samant levou três grupos de estudantes da Universidade de Oxford a emitir declarações a esclarecer que a renúncia não teve nada a ver com o fato da jovem ser indiana, hindu ou mulher.

A declaração acrescentou que os comentários de Samant feitos após o abandono do cargo estão a alimentar uma “narrativa perigosa do Hindutva” que prospera na exclusão e discriminação de certas comunidades, embora marginalizadas.

De acordo com o VICE, esta semana um porta-voz da Universidade de Oxford confirmou aos media que recebeu a denúncia de assédio de Samant e que a instituição abriu uma investigação.

  Ana Isabel Moura, ZAP //

7 Comments

  1. Os países anglo-saxões enlouqueceram de vez. A “Branca de Neve e os Sete Anões” agora teria de se chamar a “Cabra Colonialista e os Sete Homens Pequenos Oprimidos”…

  2. Nem mais. Esta [email protected] está omnipresente nos países anglo-saxonicos onde é ainda mais forte do que nas outras partes do mundo.

    Quer dizer, se um gajo branco é corrido de um cargo, é normal… Foi demitido porque estavam descontentes com o desempenho dele. Se for mulher ou não-branca, ui… Isso já é de certeza um caso de descriminação. Da maneira que a “Woke” culture funciona, mulheres e minorias étnicas, NUNCA fazem nada de mal, nunca são incompetentes nem maus naquilo que fazem. Se são mulher ou BAME, têm sempre lugar vitalício garantido, só por serem mulher e BAME.

    • Quando os homens dominam todas as instâncias do poder vocês não se queixam, mas é um mimimi do caraças quando alguma mulher belisca esse poder. Vá, não se vitimizem!

  3. Portanto a cultura do cancelamento só se aplica a brancos, se for a alguém de outra raça é “motivo de indignação”. Entendi

    • Durante milénios os homens dominaram o mundo, agora não suportam a perda de alguns privilégios. Estão com medo de perder a supremacia masculina. Comportem-se, as mulheres só querem igualdade, mais nada.

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