Presidente das Honduras envolvido em processo de tráfico de drogas

presidenciaecuador / Flickr

Juan Orlando Hernandez, Presidente das Honduras

Promotores norte-americanos fizeram novas alegações sobre o Presidente das Honduras, aliado de Donald Trump nos esforços para deter os migrantes ilegais, indicando Juan Orlando Hernández recebeu milhões de dólares de traficantes para ajudar a exportar drogas para os Estados Unidos (EUA).

As acusações surgiram num processo apresentado na sexta-feira em Nova Iorque, no caso de Geovanny Fuentes Ramirez, um suposto narcotraficante hondurenho atualmente preso, responsável por um laboratório que produziu centenas de toneladas de cocaína por mês, noticiou esta segunda-feira o Wall Street Journal.

Uma das alegações refere que o Presidente, de 52 anos, terá dito a Geovanny Fuentes Ramirez que “queria enfiar as drogas no nariz dos gringos”.

Estas não são as primeiras acusações contra Juan Orlando Hernández, cujo irmão, Juan Antonio Hernández, foi condenado por tráfico de drogas em 2019. Durante o julgamento, este implicou o Presidente na proteção de traficantes de drogas em troca de dinheiro, mas acabou por não ser acusado.

“A alegação de que o Presidente Hernandez supostamente aceitou o dinheiro da droga de um Geovanny Daniel Fuentes Ramirez, ou deu proteção ou coordenação a traficantes de drogas, é 100% falso”, escreveu o Governo das Honduras no Twitter. As alegações, lê-se na publicação, foram “baseadas em mentiras de criminosos confessos que buscam vingança e reduzir as suas sentenças”.

Na ação, os procurados nova-iorquinos alegam que Juan Orlando Hernández se vangloriou de saquear o fundo de seguridade social do país, bem como fundos de ajuda doados pelos EUA através de organizações não governamentais fraudulentas.

Durante o julgamento do seu irmão, em Nova Iorque, os promotores referiram que este recebeu 1 milhão de dólares (cerca de 800 mil euros) do narcotraficante mexicano Joaquín ‘El Chapo’ Guzmán Loera para financiar o movimento político do Presidente, uma alegação negada pelo Governo hondurenho.

“Por causa da minha luta contra o crime organizado, sou vítima de uma campanha de difamação liderada por traficantes, membros de gangues, policiais corruptos e expurgados, assassinos confessos, empresários coniventes que financiam esses criminosos e políticos”, disse Juan Orlando Hernández em 2019, quando o irmão foi julgado.

A ação indica que, em 2013, Geovanny Fuentes Ramirez pagou ao Presidente, então candidato, “dezenas de milhares de dólares” para garantir que os militares hondurenhos protegessem os seus carregamentos de drogas. O dinheiro também terá comprado imunidade legal e segurança contra extradição.

Em troca, Geovanny Fuentes Ramirez terá supostamente concordado em trabalhar com o Presidente, reportando-se ao seu irmão mais novo.

Juan Orlando Hernández assumiu o poder em 2014 e foi reeleito em 2017, em meio a denúncias generalizadas de fraude, para um mandato que termina em janeiro de 2022.

Sob o governo Trump, os EUA estão dispostos a ignorar as acusações de fraude eleitoral, corrupção e tráfico de drogas contra Juan Orlando Hernández, que tem sido um parceiro na contenção da imigração ilegal.

Taísa Pagno Taísa Pagno //

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