Preços das casas devem descer neste ano (e deixam a banca em risco)

Após se terem aguentado mais ou menos estáveis em 2020, apesar da pandemia de covid-19, os preços das casas devem começar a descer neste ano com o prolongar da crise sanitária. Uma situação que preocupa os agentes de mercado pelos riscos que acarreta, nomeadamente para a Banca.

Tanto agências de rating como entidades bancárias esperam que o mercado imobiliário retome valores mais baixos ao longo de 2021, como consequência da pandemia e, especialmente, da queda significativa do turismo e do menor investimento estrangeiro no sector.

Este cenário está escrito a preto e branco num documento do Banco Montepio a que o Expresso teve acesso.

“Tendo em conta que os actuais preços do imobiliário são relativamente elevados quando comparados com os níveis históricos e com a natureza cíclica do imobiliário português, há o risco de os seus preços descerem dos níveis actuais“, alerta o Montepio, como transcreve o semanário, no documento datado de Dezembro passado e enviado a investidores.

A queda do preço das casas também já foi evidenciada pelo Banco de Portugal como um potencial risco para o sector bancário, notando precisamente as incertezas quanto ao futuro.

Ninguém sabe quando é que os turistas poderão voltar em massa ao país, nem quando o dinheiro estrangeiro voltará a confortar o sector imobiliário.

As moratórias concedidas pelo Governo, estagnando o pagamento de prestações nos créditos à habitação das famílias afectadas pela crise pandémica, ajudam o mercado a resistir no imediato, tal como os juros baixos.

Mas quanto mais a crise sanitária se prolongar, maiores riscos haverá de que a “bomba” do crédito malparado volte a rebentar na banca.

Países como Portugal, com forte dependência do turismo, arriscam-se a sofrer mais com a queda nos preços das casas. O risco do crédito malparado pode abalar as contas de alguns Bancos, mas, para já, vai-se afastando o cenário de uma potencial crise bancária ou crise soberana.

Em Novembro passado, a agência de rating Moody’s sinalizou Portugal como um dos países onde poderá haver uma “destruição económica maior” devido à crise pandémica, bem como uma recuperação mais lenta.

Apesar disso, a agência não antecipava uma crise semelhante à que despoletou em 2008, embora notasse que a Banca pode sofrer “uma deterioração na performance dos empréstimos e dos lucros” e que isso pode “potencialmente minar a confiança nos bancos”.

“Quase inevitável que o crédito malparado comece a aumentar”

O vice-presidente da Comissão Europeia (CE), Valdis Dombrovskis, alerta que “é quase inevitável que o crédito malparado comece a aumentar novamente”.

Em entrevista ao Jornal Económico, aquando da visita a Portugal na semana passada, este responsável europeu nota, porém, que o sistema bancário português está, actualmente, com “um nível mais baixo de crédito malparado” do que na anterior crise, o que o tornará mais resiliente apesar das dificuldades.

Neste âmbito, Dombrovskis refere que o Plano de Acção engendrado por Bruxelas contra os chamados non performing loans (NPL), ou crédito malparado, pretende ajudar a diminuir esta realidade.

Novo confinamento “é uma tragédia” para as imobiliárias

Entretanto, as empresas imobiliárias consideram que este segundo confinamento, decretado pelo Governo no final da semana passada, “é uma tragédia”.

“Desta vez, será muito difícil as imobiliárias conseguirem sobreviver, uma vez que o fundo de maneio existente foi-se esgotando ao longo do ano”, aponta o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), Luís Lima, em comunicado divulgado pelo Jornal Económico.

Luís Lima apela, assim, ao Governo para que deixe que “as empresas de mediação imobiliária continuem a fazer o seu trabalho”, defendendo que “não há nenhum motivo para não [o] permitir”.

“O imobiliário não pode continuar a ser o parente pobre da economia, sobretudo quando tem a relevância a que todos assistimos na anterior crise. Temos que lembrar que foi este sector que alavancou a recuperação económica?”, questiona Luís Lima.

Susana Valente, ZAP //

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