É preciso esforço grande agora para salvar o Natal, alerta Santos Silva

António Cotrim / Lusa

O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, disse esta quarta-feira ser necessário “um esforço muito grande” para travar a propagação do coronavírus ” para salvar o Natal” das famílias dos cerca de 5 milhões de portugueses e lusodescendentes no estrangeiro.

Augusto Santos Silva falava na comissão parlamentar de Assuntos Europeus, onde foi ouvido acerca da cimeira de líderes da União Europeia (UE) dedicada à pandemia que se realiza na quinta-feira por videoconferência.

O ministro foi questionado por deputados do PS, BE e PCP sobre a eventualidade de novas restrições às viagens internacionais devido ao atual agravamento da situação epidemiológica, com a bloquista Fabíola Cardoso a evocar designadamente o habitual fluxo de portugueses no estrangeiro para se reunirem com as famílias em Portugal na época do Natal. “Creio que temos de fazer nestes dias um esforço muito grande para conter o alastramento do vírus exatamente para podermos salvar o Natal”, disse o ministro.

Frisando não querer imprimir um “tom dramático” à expressão, Santos Silva explicou que, sendo o Natal “uma ocasião muito importante de reunião familiar”, em Portugal ela envolve potencialmente as famílias de 2,3 milhões de portugueses no estrangeiro, número que ascende a 5 milhões quando se contam também os que já nasceram fora do país.

“É muito importante que na Europa consigamos conter o vírus de forma a preservarmos esse bem maior que é a mobilidade intraeuropeia”, disse Santos Silva, acrescentando que, para fora da Europa, o Ministério dos Negócios Estrangeiros continua “a desaconselhar vivamente viagens não essenciais”, “designadamente para países fora da UE e países sem representação diplomática portuguesa”.

Nas respostas aos deputados que o questionaram sobre eventuais novos fechos de fronteiras na UE ante o atual agravamento da pandemia, o ministro insistiu que Portugal sempre foi e continua a ser contra medidas desse tipo, mas considerou que todos os países da UE “aprenderam bastante com o resultado que isso teve” e sabem hoje que sempre que houve coordenação foram criadas “melhores condições combater pandemia”.

Conselho extraordinário sábado

O primeiro-ministro, António Costa, marcou reuniões com os partidos na sexta-feira e convocou para sábado um Conselho de Ministros extraordinário para definir novas “ações imediatas” para o controlo da pandemia de covid-19 em Portugal.

Fonte do Governo disse, esta quarta-feira, à agência Lusa que, perante a evolução da pandemia em Portugal nas últimas semanas, a ministra da Saúde, Marta Temido, e a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, estão já a ouvir um conjunto de epidemiologistas e especialistas em saúde pública.

Além das reuniões com os partidos com representação parlamentar, na sexta-feira, e do Conselho de Ministros extraordinário, no sábado, o ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, está a ouvir parceiros sociais.

Esperam-se, por isso, novas medidas de restrição para breve.

O secretário de Estado Adjunto e da Saúde defendeu esta quinta-feira que as novas restrições para combater a pandemia no país serão a nível territorial e mais circunscritas, num modelo que ainda terá que ser estabilizado.

O governante afirmou que “todos os países vão começar a adotar medidas de restrições ao nível territorial, mais circunscrito”. “E essas restrições serão com certeza ao nível mais dos territórios, para que outros territórios que não estão tanto sobre pressão possam respirar do ponto de vista económico e social”, admitiu António Lacerda Sales numa entrevista ao podcast Política com Palavra do Partido Socialista.

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ZAP // Lusa

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