Portugueses estão a abandonar Joanesburgo por causa da onda de violência

Há portugueses a abandonar Joanesburgo, a maior cidade de África do Sul, por precaução na sequência da onda de violência que está a opor residentes sul-africanos e os imigrantes de outros países do continente.

Ao Observador, uma portuguesa residente na Cidade do Cabo diz que “a violência ainda está contida em Joanesburgo” mas que há receio que alastre a outras cidades do país: “Joanesburgo nunca foi uma cidade muito segura e isto foi a gota de água para muita gente”, argumenta.

O Portal das Comunidades Portuguesas do Ministério dos Negócios Estrangeiros publicou esta quarta-feira um aviso a dar conta dos “distúrbios em várias zonas” da África do Sul.

“Devem ser, sobretudo, evitadas as zonas em que se constatem aglomeração de populares ou manifestações políticas. Assim sendo, apela-se a todos os visitantes que evitem movimentações nas áreas sob risco, nomeadamente que sejam anunciadas pela Polícia sul africana; os hotéis deverão ter informação dos alertas da Polícia, bem como os órgãos de comunicação social”.

Há registo de pilhagens contra estrangeiros e o caso de um civil assassinado possivelmente na sequência desta onda de violência, conta a agência Lusa.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, afirmou esta quinta-feira que existem pelo menos duas lojas de portugueses que foram alvo de roubo e pilhagem.

“Continuamos a não ter qualquer informação de cidadãos portugueses feridos ou alvo de qualquer agressão nos distúrbios que ocorreram nos últimos dias em Joanesburgo. A informação que temos é que existem pelo menos dois casos de lojas de cidadãos portugueses que foram objeto de roubos, assaltos ou pilhagens”, disse.

O ministro explicou que as lojas afetadas não foram um alvo específico. “Não foram alvos específicos, estavam no enfiamento de outras lojas alvos destes atos. Existem também informações, sobre a forma de indícios, que possam existir mais casos, em pequeno número, que o cônsul-geral em Joanesburgo está a procurar confirmar”.

Santos Silva disse que o Governo está a acompanhar a situação de perto e explicou que em outros locais da África do Sul não existem portugueses afetados até ao momento.

Os ataques xenófobos de residentes sul-africanos aos imigrantes de outros países de África já têm provocado tensões em Joanesburgo desde 2008. Mas os conflitos eclodiram este fim de semana “sobretudo porque os estrangeiros começaram a responder aos ataques na mesma moeda”.

“Aqui há muito moçambicanos, muitos angolanos, muitos nigerianos. Isto parece quase uma luta de tribos. Ao início, eram atacados por xenofobia. Depois começaram a responder aos ataques”, descreveu a mesma residente portuguesa.

Isso está a acontecer até mesmo fora de África do Sul. Em Lagos, a maior cidade da Nigéria, os imigrantes sul-africanos começam a sofrer represálias por causa das manifestações anti-imigração na África do Sul.

De acordo com o Observador, um sul-africano estava a tentar fazer compras num centro comercial quando lhe mandaram ir embora por causa da sua nacionalidade. “Esta é a resposta à xenofobia na África do Sul. Os manifestantes bloquearam as entradas do ShopRite e ouviram-se tiros. As coisas estão a ficar muito feias na Nigéria por causa daquilo que está a acontecer na África do Sul. As pessoas estão a fugir. As coisas não estão bem. Estão a dizer aos sul-africanos para irem embora”.

Segundo Augusto Santos, esta onda de violência tem raízes nas “manifestações espontâneas de natureza social ligada a questões de desemprego e às condições de vida”. Isso conduziu a uma “dimensão xenófoba, de os alvos de violência incluírem propriedades de pessoas ou empresas estrangeiras, designadamente nigerianos”, explica o ministro. Agora, o problema escalou ainda mais e há “redes criminosas a aproveitarem-se desta instabilidade”.

Muhammadu Buhari, presidente da Nigéria, enviou um representante do governo à África do Sul para “expressar o descontentamento nigeriano pelo tratamentos dos seus cidadãos”. A embaixada da Etiópia no país também pediu cautela aos imigrantes e aconselhou os etíopes “a distanciarem-se de qualquer confronto ou conflito”. O ministro dos Transportes da Zâmbia desaconselhou viagens à África do Sul.

Portugal tem registo de cerca de 200 mil cidadãos em toda a África do Sul, 68 mil destes na grande Joanesburgo.

ZAP // Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. De grande nação a isto..

    Certamente o Futuro dos estados unidos se as pessoas continuam a ser politicamente correctos e a fazer escolhas por quotas (De género e raças) e não por méritocracia

  2. Os antigos colonos foram sempre acusados de “dividir para melhor reinar”. Agora, que se foram embora, perante estas lutas tribais e estes comportamentos xenófobos, somos forçados a aceitar que, ao invés do que se dizia, afinal eram eles os elementos moderadores…

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