Centenas de portugueses foram forçados a trabalhar para Hitler — mas havia voluntários

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Recuerdos de Pandora / Flickr

Um investigador da Universidade de Lisboa encontrou registos de centenas de portugueses que foram forçados a trabalhar para Adolf Hitler.

Antonio Muñoz Sánchez, investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, descobriu pelo menos 500 portugueses que foram forçados a trabalhar para Adolf Hitler durante a 2.ª Guerra Mundial.

Este esforço partiu da vontade de recuperar “uma parte da história que se quis apagar”. Os nomes destes portugueses foram esquecidos durante décadas porque “na história oficial construída pelo Estado Novo os portugueses livraram-se da guerra graças a Salazar”.

O Jornal de Notícias escreve que o regime de Hitler recrutou 13 milhões de europeus para trabalharem na Alemanha e 10 milhões para trabalharem nos países ocupados, dos quais pelo menos 500 eram portugueses a trabalhar na Alemanha.

“Grande parte dos trabalhadores forçados iam do Norte, porque a emigração para França era massivamente proveniente daí”, explica Antonio Muñoz Sánchez. Estes portugueses vinham principalmente do Porto, Aveiro, Braga, mas também Coimbra.

O matutino dá o exemplo de José Correia, de Coimbra, que trabalhou na Muralha Atlântica e na construção de uma base submarina alemã em La Rochelle, em França. José Correia terá sido assassinado pelos alemães.

O trabalho forçado acontecia fundamentalmente em fábricas de armas, químicas, siderúrgicas, hotelaria, agricultura, comboios e na construção da Muralha Atlântica.

Nem todos eram obrigados, por assim dizer. Dos 13 milhões de europeus que trabalharam para os nazis, “20% eram voluntários empurrados pela fome e não pela simpatia com a Alemanha nazi”.

Por exemplo, Júlio Moreno de Sá, de Viseu, viajou até uma vila polaca num comboio especial de trabalhadores voluntários que partiu de Vigo.

Mais de 100 portugueses também terão sido prisioneiros de guerra após terem combatido ao lado dos franceses.

“Há uma faceta da repressão nazi sobre os portugueses até agora pouco conhecida. Embora escassos em número, os portugueses são como um caleidoscópio que permite ver a grande complexidade do gigantesco sistema de exploração de mão-de-obra organizado pelos alemães”, disse Sánchez ao JN.

  ZAP //

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