Portugueses com Hepatite C estão a morrer por falta de medicamento

O vice presidente da Sociedade de Gastrenterologia apelou esta quinta-feira a uma “agilização” nas negociações entre a tutela e a indústria farmacêutica em relação ao tratamento da hepatite C, referindo que “têm morrido doentes por não terem tido acesso ao medicamento”.

José Cotter lembrou que este processo negocial se arrasta há muitos meses e que apesar de oficialmente o novo tratamento ser disponibilizado aos doentes portugueses considerados prioritários, a verdade é que, aparentemente, isso não está a acontecer em todos os casos.

José Cotter falava à Lusa a propósito de um encontro que se realiza sábado, em Guimarães, sobre “Hepatite C, Novas Realidades, Novos Horizontes”.

Em Portugal estima-se que o número de infectados seja de cerca de cem mil, provocando cerca de mil mortos por ano. A hepatite C continua a ser a causa mais frequente de cancro do fígado e de transplante hepático.

“O que se passa neste momento é que há administrações hospitalares que têm doentes já com autorização para fazer tratamentos, mas não desbloqueiam as verbas para o concretizar”, afirmou o especialista.

José Cotter entende que “este circuito” de acesso ao novo tratamento, com custos muito elevados mas com uma eficácia de “cerca de 95%”, tem de ser repensado para que se agilize todo o processo.

“O circuito não está correcto, porque os doentes são autorizados por uma comissão nacional de farmácia e terapêutica, mas depois é endossado aos hospitais a responsabilidade do custo destes tratamentos. Ora, nós sabemos que em Portugal temos hospitais eventualmente subfinanciados, eventualmente descapitalizados e sabemos que estes tratamentos são caros. Portanto, como é que os hospitais vão assumir o custo, se à partida, já estão numa difícil situação financeira”, questionou.

O especialista considera que tem de se encontrar outras formas de os hospitais acederem aos tratamentos.

“Pode haver uma verba fixa para este programa ou pode haver um fundo onde os hospitais recorram especificamente para isto. É uma questão política que compete à tutela e a mais ninguém agilizar”, sublinhou.

Enquanto isso, frisou, “os doentes esperam e desesperam pelos tratamentos e a situação está-se a tornar insustentável, porque isto não tem um mês nem dois”.

“O que estamos aqui a equacionar é uma questão de economia de curto/médio prazo, porque é evidente que alguns destes doentes se forem curados não necessitam de fazer transplantes que também têm custos elevados”, disse.

E questionou: “O que é que é mais caro, fazer um tratamento destes ou um transplante? E a qualidade de vida do doente? Então se o doente ficar curado com um tratamento de 12 semanas, um tratamento cómodo, com pouquíssimos efeitos colaterais, não é muito melhor do que ter de fazer uma grande cirurgia, ter de ficar a tomar medicamentos para o resto da vida para conseguir manter o seu órgão transplantado em boas condições?”

“É uma questão de equacionar custos e equacionar a qualidade de vida dos cidadãos”, frisou.

Litígio entre Ministério e farmacêutica

Em relação às negociações que ainda decorrem entre o Ministério da Saúde e a farmacêutica que disponibiliza o tratamento, o vice presidente da SPG apela a que haja um entendimento urgente de forma que estes fármacos possam ser disponibilizados de acordo com o que é o estado da arte no tratamento da Hepatite C actual.

“Todos estes processos não estão devidamente agilizados, basta lembrar que estamos há cerca de um ano com uma negociação arrastada entre a tutela e a farmacêutica e os resultados até ao momento foram muito poucos”, acrescentou.

O ministro da Saúde disse na quarta-feira no Algarve que espera receber dentro de dias a proposta da farmacêutica Gilead Sciences no âmbito das negociações para baixar o preço de um novo medicamento para a hepatite C que a empresa comercializa.

“Estamos à espera de uma proposta, precisamente durante estes dias, para podermos analisar e reagir”, disse Paulo Macedo aos jornalistas à margem de uma visita às Urgências do Hospital de Faro, sublinhando que, com as condições iniciais, os preços eram “totalmente incomportáveis” e “não valia a pena sequer estar a negociar”.

De acordo com uma notícia publicada esta quinta-feira pelo JN, os cinco maiores hospitais do país vão interpor uma providência cautelar contra a empresa que vende o medicamento Sofosbuvir, por “abuso de posição dominante”, e pretendem também fazer uma queixa na Autoridade da Concorrência.

/Lusa

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2 COMENTÁRIOS

  1. Estou em Fevereiro dia 25 de 2015 e aguardo o novo tratamento a mais de 20 dias, depois do governo ter dado autorização e chagado a acordo, Falo no Hospital Egas Moniz onde faleceu uma pessoa por mentiras literalmente e que eu sinto-me a ser aldrabado pela minha médica onde me diz prazos e vou a saber, e são falsos. Tenho um f4 depois de ter feito o tratamento muito doloroso, na altura com f3, Passei meses a ajustar e acreditar quando sabiam que era escusado pois não dava resultado, inssistindo com ajustes, injeções para as defesas onde a violencia destas me deixava de rastos e nada. Chegaram a conclusão depois de tanto sofrimento que teria de parar. Esperei quase dois meses se a memória não me atraiçoa, pois noto uma falta de concentração e de lembrar das coisas. Fiz analises conclusão. Não negativou passando em 15 dias de 17 para 2000 e tal celulas más no sangue, Disse que iria de imediato enviar o pedido pois era prioritario e sendo o 3º no hospital a ter de iniciar o novo tratamento. Foram mais 15 , nessa altura a médica disse que enviou a uma semana o pedido. Passado uma semana e depois de ter havido o acordo do governo, fui perguntar. Fui tratado como se estivesse a pedir dinheiro emprestado. É a minha saude, A resposta foi, amanha vamos ter uma reunião a definir critérios, isto depois da primeira vez me ter dito que iria de imediato enviar o pedido a mais de um mês atrás. Se enviou não sei sei sim que estou com dores, que a promessa do governo não surte efeito ou então sou tomado de ponta por esta médica que nem o meu nome sabe, pois tem muitos doentes, e por ter escrito a dizer que os meus dois filhos deficientes que dependem de mim, a minha mãe com Alzymer que depende de mim em que a trato litaralmente dela, e por cima de tudo isto a médica iniciou o antigo tratamento depois de novo acordo com a minha mulher, em que sofre e eu sem puder tenho de tratar de tudo. Acham isto justo e aceitavel de alguém que é médica? Não sabe o que é uma pessoa doente? cansada sem poder com dores cada vez maiores!!! O que fazer, pois a carta ue escrevi e reafirmo tudo, foi dizendo que se estiver condenado os responsaveis vão a minha frente, pois tenho a certez que se for um filho, ou familiar o tratameto já estava disponivel como aquele homem que fez e bem perante o ministro, aquele escando, começou de imedoato o tratamento. Mas aqui tenho outra vergonhosa resposta da minha medica dando-me exemplo de bilhetes de autocarro, no caso de eu ter comprado bilhetes a três meses e outro a um dia eu teria prioridade!!!!!! imaginem, Perguntei entõ aurgencia da doemça? sendo assim idosos, gravidas deficientes não tem prioridade comos e diz ou as urgencias dos hospitais???? Isto é um exemplo que se dá a um doente com uma cirrose no figado e onde depende os filhos que são felizes numa feliz apesar com estes problemas são o meu orgulho. Por isso e não sei de que dia é esta informação, hoje aguardo mais de 15 dias após o acordo. No infarmed que atenderam bem disseram que é por numeros e não por nomes os pedidos. Como sei se o meu pedido não vai pata outros doente, quem sabe um conhecido ou amigo? Eu sei sim e desculpem a minha desconfiança, furia e desespero, depois do que se viu neste hospital e na forma como se é tratado, em que a minha mulher hoje tentou ligar a marcar consulta mais de 20 veves e ninguem atendeu???
    Atenciosamente
    JP

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