Ébola: Portugal criou “dispositivo de coordenação” e tem hospitais preparados para eventuais casos

EU Humanitarian Aid and Civil Protection / Flickr

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Portugal criou um “dispositivo de coordenação” que está em alerta e “mobilizará e ativará recursos que sejam adequados a cada situação” de infeção pelo vírus do Ébola que venha a ser identificada, anunciou esta sexta-feira a Direção Geral da Saúde (DGS).

Num comunicado a propósito da declaração pela Organização Mundial de Saúde (OMS) do estado de emergência de saúde pública de âmbito internacional devido ao surto de Ébola, a DGS garante que ainda ” não se verificou nenhum caso de doença por vírus Ébola em Portugal, importado ou autóctone”.

“O risco de contágio interpessoal é baixo na ausência de contacto direto com fluídos corporais“, recorda este organismo.

A OMS considerou que “uma resposta internacional coordenada é essencial para controlar a epidemia e a sua disseminação”, tendo emanado “recomendações temporárias ao abrigo do Regulamento Sanitário Internacional, destinadas a reduzir o risco de propagação internacional do vírus”.

A Portugal, enquanto Estado sem ocorrências de transmissão do vírus e não estando exposto “a riscos ou que façam fronteira com países afetados”, foram dadas orientações que “já se encontram implementadas” e que “são objeto de revisão contínua”.

Entre estas orientações está “o reforço da articulação internacional, nomeadamente com a OMS, com o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), em Estocolmo, e com outros Estados”, indica a nota.

Prevenção e “dispositivo de coordenação”

Apesar de neste momento não estarem interditadas viagens internacionais para áreas afetadas, “os cidadãos devem ponderar viajar apenas em situações essenciais, tendo em atenção o princípio da precaução”.

“Os viajantes são também alertados para procurarem aconselhamento médico, caso se verifique exposição ao vírus ou desenvolvam sintomas de doença”, lê-se no comunicado.

A DGS garante que Portugal tem, em estado de prontidão, “mecanismos para detetar, investigar e gerir casos suspeitos de doença por vírus Ébola, incluindo capacidade laboratorial para confirmação da doença“.

A autoridade de saúde refere que “estão previstas medidas para facilitar a evacuação e a repatriação dos cidadãos que possam ter estado expostos ao vírus”.

Hospitais preparados

Foi entretanto criado um “dispositivo de coordenação” que “se mantém em alerta e, se necessário, mobilizará e ativará recursos que sejam adequados a cada situação que venha a ser identificada”.

“Este dispositivo foi criado no âmbito da Unidade de Apoio à Autoridade de Saúde Nacional e à Gestão de Emergências em Saúde Pública da DGS e integra especialistas internos e de outros organismos”, prossegue o organismo.

A diretora-adjunta da Direção Geral de Saúde (DGS), Graça Freitas, explicou à Lusa que, em caso de ser detetado o vírus no país, os infetados deverão ser encaminhados para o Hospital de S. João, a norte, e o Curry Cabral, a sul, que já têm planos de contingência para fazer face a possíveis casos.

A responsável declarou que, numa reunião com os dois hospitais (aos quais se junta o Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, no caso de o infetado ser uma criança), se “alinhou procedimentos” e que as duas instituições já têm planos concretos de atuação.

São dois hospitais “veteranos” que já estiveram preparados noutras crises, como a gripe aviária, lembrou a responsável.

Graça Freitas disse que a DGS também já teve reuniões com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e com o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), que estão igualmente preparados.

930 mortes em quatro países

A DGS refere que o atual surto começou na Guiné-Conacri em dezembro de 2013 e, até à data, foram identificados cerca de 1.700 casos e 930 mortes, em quatro países: Guiné-Conacri, Libéria, Serra Leoa e Nigéria.

A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, pediu à comunidade internacional que ajude os países afetados a combater a epidemia de Ébola, a pior em quatro décadas.

Em conferência de imprensa, Chan afirmou que os países da África Ocidental mais atingidos pela epidemia – Libéria, Serra Leoa, Guiné-Conacri e Nigéria – “não têm meios para responderem sozinhos” à doença e pediu “à comunidade internacional que forneça o apoio necessário”.

O vírus do Ébola transmite-se por contacto direto com o sangue, líquidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados.

/Lusa

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