Porto 4-0 Boavista | Goleada com sabor a São João

O FC Porto lançou os foguetes, fez a festa e apanhou as canas. Nesta terça-feira, a noite de São João rimou com “dragão” na liderança isolada da Liga NOS.

Os portistas não vacilaram, aproveitaram o desaire benfiquista, derrotaram o rival Boavista por 4-0 e passaram a ter mais três pontos – que na realidade são quatro face à vantagem no confronto directo com as “águias”.

Após uma primeira parte desinspirada, tudo mudou na etapa final: Marega bisou, Alex Telles e Sérgio Oliveira, ambos de grande penalidade, apontaram os golos da equipa de Sérgio Conceição.

Por sua vez, o Boavista que vinha de duas vitórias consecutivas não conseguiu dar sequência aos bons resultados e exibições que foi amealhando nas últimas jornadas.

O jogo explicado em números

  • Olhando para as escolhas inicias, do lado “azul-e-branco” Tomás Esteves manteve a vaga no lado direito da defesa, Alex Telles, após ter cumprido um jogo de castigo ante o Aves (0-0), regressou ao flanco canhoto, deixando Diogo Leite no banco, Uribe (opção) e Zé Luís (lesionado) ficaram de fora e entraram Marega e Tiquinho Soares. Danilo Pereira foi novamente preterido por Sérgio Conceição.
  • Do lado “axadrezado”, e comparativamente ao triunfo diante do Vitória Futebol Clube, Cassiano (castigado), Ackah e Fernando Cardozo, ambos por opção, foram “trocados” por Idris, Yusupha e Paulinho, respectivamente.
  • Entrada em cena afirmativa dos anfitriões, que aos 13 minutos ficaram a centímetros do golo inaugural após cabeceamento de Pepe, e três minutos viram Helton Leite travar o “tiro” enquadrado de Marega. Nesta fase, a equipa já contabiliza três remates, dois cantos, quatro cruzamentos, 104 passes trocados – uma eficácia de 86% – e 86% de posse. Ao passo que o Boavista apenas ia conseguindo travar os sucessivos ataques contrários e não contabilizava nenhum registo ofensivo. 
  • À meia hora, num ataque rápido bem gizado, Yusupha surgiu na cara de Marchesín, mas na hora H não rematou de feição e a bola foi agarrada com tranquilidade pelo guardião argentino, que voltou a ter os reflexos testados dois minutos depois. Desta feita, o camisola 11, de fora da área, atirou com mais potência e obrigou o guarda-redes a defender de forma incompleta. Foram os primeiros dois remates dos visitantes. Na resposta, ao minuto 36, Helton Leite voltou a levar a melhor no duelo com Marega.
  • A cinco minutos do intervalo, Corona aproveitou um ressalto para desferir um “míssil” que falhou por escassos milímetros o fundo da baliza “axadrezada”. Foi o quinto remate dos donos da casa no encontro, face aos dois do rival da cidade Invicta. O mexicano continua a ser um dos elementos mais desequilibradores do FC Porto.
  • No fecho de contas da etapa inicial, o marcador registava um nulo.
  • Face ao desaire do rival Benfica diante do Santa Clara (3-4), o conjunto anfitrião entrou dominador, mas rapidamente adormeceu e não conseguiu encontrar soluções para desmontar a teia defensiva orquestrada por Daniel Ramos.
  • Dos lances de maior perigo, realce para o cabeceamento de Pepe (13′), o tiro de Yusupha (32′) e para a conclusão de Corona (40′). 
  • Nos primeiros 46 minutos da partida o melhor jogador foi Carraça com um GoalPoint Rating de 6.4, ele que conseguiu um passe para finalização, três passes progressivos correctos, 25 acções com a bola, duas recuperações e seis desarmes.  
  • Ao intervalo, Sérgio Conceição procedeu a duas alterações, retirando Tomás Esteves e Luis Díaz e apostando em Manafá e Uribe.
  • Mudanças que fizeram com que os “dragões” abandonassem o 4x2x3x1 com que iniciaram o jogo e apostassem num 4x4x2, com Marega a abandonar o corredor direito e a juntar-se a Soares na linha de ataque, Otávio partia do lado direito e Corona tinha liberdade para a partir da esquerda criar desequilíbrios.
  • Decorria o minuto 52 quando houve grito de golo no palco do Dragão. Corona assistiu e Marega, no terceiro frente a frente com Helton Leite, não perdoou e inaugurou a contenda… com direito a fogo de artifício e tudo. O avançado maliano, que apontou o sétimo tento em 24 partidas na prova, dedicou o golo ao lesionado Marcano.
  • Aos 60 minutos, da marca dos 11 metros, Alex Telles dilatou a vantagem e assinou o nono golo nesta edição da Liga NOS tornando-se no melhor marcador da equipa. Instantes antes, Dulanto tinha derrubado Marega na área e o árbitro Artur Soares Dias assinalou grande penalidade.
  • Após os dois golos de rajada, o FC Porto não baixou a guarda e continuou a somar jogadas de perigo. No mesmo lance, primeiro Otávio e depois Corona ficaram próximos do 3-0. Neste período, havia oito remates “azuis-e-brancos”, sendo que quatro foram enquadrados e dois redundaram em golo, face aos dois dos boavisteiros, que na segunda parte não tinham conseguido articular nenhuma jogada de perigo.
  • Aos 68 minutos, Dulanto – novamente – travou com o braço esquerdo um cruzamento e foi assinalada grande penalidade. Desta vez, Sérgio Oliveira substituiu Alex Telles, mas o desfecho foi o mesmo, mais um golo do FC Porto e o terceiro do médio em 17 encontros do campeonato, e a equipa da casa estava cada vez mais próxima de isolar-se na liderança da Liga NOS.
  • Apenas a 11 minutos dos 90 houve registo de um remate dos visitantes, quando Idris cabeceou muito ao lado na sequência de um canto. Foi apenas a terceira tentativa das “panteras”, ao passo que os “dragões” – já com os jovens Fábio Silva e Fábio Vieira dentro das quatro linhas – tinham 11.
  • Aos 84′, Ackah perdeu a bola em zona perigosa, Uribe recuperou e Marega aproveitou uma assistência a preceito do “rookie” Fábio Vieira para atirar com acerto, assinando o 4-0. Foi o ponto final numa noite de festa para os comandados de Sérgio Conceição – que alterou o figurino táctico ao descanso e foi premiado -, que pintaram o São João e o campeonato de azul e branco.

José Coelho / Lusa

O melhor em campo GoalPoint

Tudo foi diferente nos segundos 45 minutos deste dérbi da Invicta. Marega abriu a chave do cofre com um golo pleno de oportunidade e a fechar bisou, finalizando a contagem do duelo. O maliano foi o MVP  com um GoalPoint Rating de 8.0.

Além do bis, o camisola 11 registou mais alguns números interessantes: cinco remates – quatro dos quais enquadrados -, dois cruzamentos, 38 acções com a bola e um penálti sofrido.

Jogadores em foco

  • Otávio 7.5 – Mais uma boa exibição do médio, que ao longo dos 95 minutos de jogo fez um remate, “ofereceu” dois passes para finalização, dez passes progressivos certos, 88 acções com a bola, quatro dribles eficazes em outros tantos tentados e voltou a destacar-se nas acções defensivas, com seis desarmes.
  • Sérgio Oliveira 7.0 – Dois remates, um golo, cinco recuperações de bola, três desarmes e duas intercepções. Continua a ser peça imprescindível no esquema da equipa. Com o amarelo que viu esta terça-feira será baixa de vulto na visita à Capital do Móvel.
  • Alex Telles 6.9 – De volta ao “onze”, marcou no único remate que fez, gizou três cruzamentos e quatro passes progressivos.
  • Corona 6.8 – Onde quer que actue, joga sempre bem. Na primeira parte foi a “muleta” de Soares e na segunda parte partiu do flanco esquerdo para causar desequilíbrios. Com um passe de ouro, ofereceu o 1-0 a Marega, teve ainda dois remates desenquadrados, dois passes para finalização e falhou duas das oito tentativas de drible.
  • Carraça 6.6 – Boa exibição do defensor boavisteiro, que na primeira parte foi o melhor jogador em campo e nas contas finais o melhor da sua equipa. Fez dois passes para finalização, falhou quatro dos 23 passes feitos e alcançou a marca dos seis desarmes.
  • Dulanto 3.4 – Noite infeliz do defesa-central, que nos 71 minutos em que jogou cometeu duas grandes penalidades, acabando por estar ligado ao resultado final.

Resumo

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