Porque é que a Disney tramou as madrastas?

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Madame Tremaine, a madrasta da Cinderela

Madame Tremaine, a madrasta da Cinderela

Desconstruir a ideia de que as madrastas são sempre as más da fita é um dos objetivos do I Congresso de Madrastas, Padrastos e Enteados, que se realiza este sábado, no Torreão Poente do Terreiro do Paço, em Lisboa, e terá Catarina Furtado e Joana Amaral Dias entre os oradores.

“Trata-se de um tema muito informal, mas espero que com muito conteúdo”, declarou à agência Lusa Fernando Alvim, promotor da iniciativa, explicando que a ideia surgiu depois de várias conversas que foi tendo com amigos e convidados dos seus programas de rádio.

Apesar de não ser padrasto ou enteado e de não ter familiares na mesma situação, Fernando Alvim explicou que o facto de ter vários amigos que falam “desta problemática” fez-lhe sentido e despertou-lhe o interesse para aprofundar o assunto, já que é “um tema do qual não se fala muito”

O radialista adiantou à Lusa que chegou à conclusão, juntamente com outras pessoas, de que “a Disney tem uma cota de responsabilidade na forma e no tom depreciativo com que as madrastas ficaram para o mundo”.

Esse é precisamente um dos temas do painel de abertura do Congresso: “Porque é que a Disney tramou as madrastas?”, e para responder a essa questão foram convidados, entre outros, os psicólogos António Alvim e Joana Amaral Dias.

Fernando Alvim distinguiu que, tanto as princesas Cinderela, como a Branca de Neve, tiveram “duas madrastas malévolas” e que nos filmes de animação de Walt Disney foram sempre representadas “como pessoas más”, imagem que terá passado para a sociedade.

Meio a brincar, meio a sério, Fernando Alvim disse que pretende trazer a questão para a ordem do dia, destacando que, “as próprias madrastas – mais que os padrastos – tentam disfarçar a conotação negativa do termo, encontrando subterfúgios vários, entre os quais, assinando como boadrasta, por exemplo.

“Por isso, gostava também de tentar arranjar alternativas para mudar os nomes. A minha proposta é bastante fraturante: resolvia um problema e criava outro”, realçou, explicando a ideia: “em vez de usar as palavras ‘madrasta’, ‘padrasto’ ou ‘enteado’ — de conotações mais negativas — passaria a usar-se outras mais frendly, como ‘madrinha’, ‘padrinho’ ou ‘afilhado’. “Mas isso ia criar um outro problema, porque ‘madrinha’ e ‘padrinho’ significam outra coisa, embora já sem o sentido de antigamente. ‘Afilhado’ tem a ver com filho: Sounds good [soa bem]. ‘Padrinho’ faz lembrar pai, assim como ‘madrinha’ mãe”, considerou, lembrando que era entendido que os padrinhos de uma criança ficavam encarreguados da educação desta, caso acontecesse alguma coisa a seus pais.

Ana Soares, autora do blog “A vida madrasta“, e que vai ser uma das oradoras do Congresso, explicou à Lusa que a sua experiência enquanto madrasta “é um grande tratado, cheio de coisas boas e outras más”. A autora também partilha a opinião de que as madrastas são o chamado bode expiatório, já que desde sempre, “muito à conta da Disney”, são a “figura má, aquela que ficou com o pai quando a mãe morreu (antes não havia divórcios) e que, à partida, odeiam as crianças que já existem” na nova família.

Numa altura em que, segundo os oradores no congresso, se estão a alterar os modelos familiares, Ana Soares, madrasta há quatro anos de uma criança com oito, considerou à Lusa que cabe aos membros das novas famílias, padrastos e madrastas, mudar a sua imagem, lembrando que ainda existem “más madrastas e maus padrastos, mas também existem más mães e maus pais”.

Ana Soares sente-se, por vezes, injustiçada quando ouve algumas das frases ‘cliché’, como “tu não és minha mãe”, ou “gostava de viver só com o pai”, e desabafou à Lusa que isso “doí” e que fica “verdadeiramente triste”, pois sente ser “ingrato cuidar de uma criança” como filho e essa mesma criança não a ver como mãe, mas admitiu que “faz parte do jogo”. No blog que gere, Ana Soares vai dando conta do seu dia-a-dia familiar e das peripécias como madrasta, apesar de reconhecer que não tem ideias pré-definidas do “quanto é ser madrasta”.

Ana Soares reconheceu à Lusa que falar desta questão pode ser “construtivo e positivo”, sublinhando que, apesar de tudo, a própria sociedade parece estar mudada relativamente a esta questão, “mais adaptada a estes novos conceitos de família”.

“Ainda existem traços de outros tempos, mas aos poucos mudam-se mentalidades. E até mesmo mães que “entregam” os filhos às madrastas têm agora uma postura diferente. Confiam, gostam delas. Dão a oportunidade de haver uma relação”, concluiu.

/Lusa

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