Polícia israelita ataca cortejo fúnebre de jornalista palestiniana baleada em serviço

Carles Palacio / arietcat / Flickr

Caixão da jornalista acabou derrubado e no chão após os indivíduos que o carregavam sofrerem uma carga policial.

As forças policiais israelitas atacaram o cortejo fúnebre da jornalista com origem palestiniana que foi esta semana baleada na cabeça enquanto trabalhava. As agressões incluíram pontapés e bastonadas aos indivíduos que carregavam o caixão de Shireen Abu Aqleh, fazendo com que este caísse ao chão. Durante breves momentos, várias bandeiras da Palestina foram exibidas por aqueles que se deslocaram ao território ocupado na zona Oeste de Jerusalém para prestar a sua última homenagem.

De acordo com a versão da polícia israelita, citada pelo The Guardian, os presentes estavam a causar “disrupções à ordem pública“, ao passo que nas imagens de vídeo divulgadas nas redes sociais é possível ver a carga policial assim que o caixão passa as portas do hospital de São José, coberto pela bandeira da Palestina. É também possível ouvir a explosão de uma granada e os vidros do carro funerário a serem esmagados.

Segundo as declarações da polícia, foram levadas a cabo conversações que “permitissem um funeral respeitoso” a Shireen Abu Aqleh. No entanto, acrescentaram, “sob os auspícios do funeral e aproveitando-se cinicamente do mesmo, centenas de pessoas começaram a perturbar a ordem pública antes mesmo da cerimónia começar. Quando o caixão estava prestes a sair do hospital, começaram a ser atiradas pedras aos oficiais da praça do hospital, com estes a serem forçados a utilizar meios de dispersão de tumultos.”

À luz da lei israelita, qualquer exibição da bandeira palestiniana está proibida, quer em protestos ou comícios. Ao longo do dia, a presença policial nas imediações do hospital foi uma constante (150 elementos só na praça e alguns acompanhados de cavalos), com ruas cortadas e acessos proibidos à zona da Cidade Antiga, mesmo a jornalistas acreditados.

A jornalista foi baleada na manhã de quarta-feira, quando se iniciaram combates entre as forças israelitas e palestinianas na zona em que se encontrava em reportagem. Num primeiro momento, os militares israelitas argumentaram que os confrontos se iniciaram após terem sido atacados, havendo a possibilidade de a bala que atingiu Shireen Abu Aqleh ter sido disparada por elementos palestinianos.

  ZAP //

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