Desafiando as leis da Física, partículas de poeira gigantes viajaram do Saara até às Caraíbas

A deslocação entre continentes das partículas de poeira do deserto do Saara é comum, mas, neste caso, as partículas eram quase 50 vezes maiores do que se acreditava poder ser transportado pelo vento.

No último verão, os carros cobriram-se com poeira castanha, oriunda do Norte de África. A deslocação entre continentes das partículas de poeira do deserto do Saara é comum, mas não só foram detetadas a uma distância recorde de 3.500 quilómetros, como ainda são 50 vezes maiores do que os cientistas julgavam ser possível.

“Estas partículas de pó são levantadas do deserto do Saara e transportadas entre continentes e a maioria das pessoas conhece-as das situações em que acabam por cobrir os carros ou quando provocam aqueles sinistros céus cor de laranja“, afirma Giles Harrison, professor de Física Atmosférica da Universidade de Reading, em Inglaterra, coautor do estudo publicado no Science Advances a 12 de dezembro.

Porém, “as ideias existentes não permitem que partículas tão massivas viagem distâncias tão vastas pela atmosfera, o que sugere que há um processo atmosférico ou uma combinação de processos ainda desconhecidos que as mantém no ar.”

A equipa de investigadores recolheu partículas de poeira em bóias e armadilhas subaquáticas de sedimentos em cinco locais no Oceano Atlântico, entre 2013 e 2016. Se a convicção científica era de que partículas a esta distância poderiam ter entre 0,01 a 0,02 milímetros de diâmetro, as que foram localizadas nas Caraíbas tinham 0,45 milímetros.

“O facto de partículas maiores de poeira se manterem a flutuar na atmosfera durante muito tempo é considerado um conflito com as leis da física e da gravidade“, considera Michele van der Does, outro autor do estudo.

O papel destas partículas, sobretudo na formação de nuvens e no ciclo de carbono dos oceanos não tem tido destaque nos modelos usados para explicar e prever as alterações climáticas porque se pensava que não tinham capacidade para persistir na atmosfera.

“Esta evidência de poeira e cinzas em movimento é significativa porque estas partículas influenciam a transferência de radiação ao redor da Terra e os ciclos de carbono nos oceanos”, diz Harrison.

À medida que dispersam e absorvem a radiação solar que chega, estas partículas têm o poder de realmente alterar as nuvens, influenciando o clima do planeta. A poeira pode até ter um impacto indireto no desenvolvimento de ciclones tropicais.

Os investigadores ainda não encontraram uma explicação para o fenómeno, mas acreditam que pode ter a ver com a carga das partículas e as forças elétricas associadas.

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