Os cientistas têm um plano para transformar a Terra num observatório gigante

Os cabos de fibra estendem-se através dos oceanos e serpenteiam no subsolo para estabelecer os sistemas de comunicação. Um grupo de investigadores acredita que esta vasta rede de infraestruturas pode ser utilizada para observar a superfície da Terra a partir de baixo.

Segundo avançou o Science Alert, a equipa considera que os 1,2 milhões de quilómetros de cabos de fibra ótica existentes poderiam ser combinados com satélites e outros instrumentos de deteção remota para monitorizar o planeta em tempo real.

Tempestades e terramotos poderiam ser seguidos desta forma, assim como os navios e as baleias, sugere a equipa por trás da ideia, que deu origem a estudo publicado em novembro de 2022 na Scientific Reports. A rede poderia até ser utilizada para detetar condutas danificadas.

“Seria um observatório global das ciências oceânicas e terrestres, que mudaria o jogo”, disse o geofísico Martin Landro, da Universidade de Ciência e Tecnologia Norueguesa (NTNU).

A monitorização seria feita através das capacidades de deteção acústica dos cabos de fibra ótica. Quaisquer flexões nos cabos causadas por ondas sonoras ou ondas reais podem ser captadas e interpretadas para medir o movimento.

Em 2022, durante 44 dias, elementos da equipa monitorizaram baleias no Ártico e detetaram mais de 800 vocalizações, através de um cabo submarino de 120 quilómetros, além de uma grande tempestade – a 13.000 quilómetros de distância.

Landro et al / Scientific Reports

O sistema combinaria cabos com outros sensores e instrumentos

Essa experiência foi possível devido a uma instalação conhecida como Distributed Acoustic Sensing (DAS) e de um dispositivo designado por interrogador. Este último envia um impulso de luz pelo cabo de fibra ótica, que depois deteta e mede com precisão qualquer flexão.

“Esta tecnologia já existe há muito. Mas teve um enorme avançou nos últimos cinco anos”, disse Martin Landro. “Agora podemos usá-la para monitorizar e medir sinais acústicos em distâncias até 100 a 200 quilómetros. Esta é a novidade”, frisou.

Mas há limitações. Os resultados produzidos pelo sistema contêm muito ruído, o que significa que é mais difícil apanhar sinais com estes do que com sismómetros. É aqui que entram outros dispositivos de deteção, como os satélites.

Esta é uma tecnologia que também está constantemente a ser atualizada. Neste momento, os interrogadores e o DAS não são capazes de “ver” os componentes dentro dos cabos de fibra ótica utilizados para estender sinais, mas os investigadores estão a trabalhar para ultrapassar essa limitação.

Ainda de acordo com a equipa, a rede mundial de observação atuaria como um complemento a outros sistemas e não como um substituto. Uma vez que esta rede de cabos é tão extensa, o número potencial de descobertas poderia ser enorme.

“A experiência de deteção DAS e a observação de baleias mostra uma utilização completamente nova deste tipo de infraestrutura de fibra ótica, resultando numa ciência excelente e única”, concluiu Martin Landro.

  ZAP //

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