Pilhas de lixo aumentam na Sibéria, devido à greve dos camionistas

A recolha de lixo em partes da cidade russa de Novosibirsk entrou em colapso, à medida que os camionistas continuam a fazer greve, durante os dias de baixa remuneração, e 20 horas de trabalho.

A greve começou na semana passada, quando os motoristas da empresa local de logística de resíduos Eco-Trans-N descobriram que a sua frota de 86 camiões tinha sido confiscada por dívidas não pagas, de acordo com relatos dos meios de comunicação locais.

À medida que o lixo começava a acumular-se, os motoristas em greve receberam 22 camiões mais pequenos, e disseram que teriam de trabalhar o dobro do tempo, sem um aumento de salário, segundo a The Moscow Times.

“Os camiões que nos deram não estão equipados com escovas de limpeza. Não os podemos conduzir através de pátios estreitos ou ruas”, sublinhou um dos trabalhadores em greve. “Não nos recusamos a ir trabalhar, não nos estão é a ser dadas condições em que possamos trabalhar”.

A greve provocou o transbordamento de caixotes do lixo em Novosibirsk, que tem uma população de 1,5 milhões de habitantes.

Muitos residentes locais expressaram a sua indignação nas redes sociais, afixando fotografias das pilhas de sacos do lixo junto às suas casas.

A Eco-Trans-N não tinha pago o aluguer do seu veículo confiscado, três meses antes de serem apreendidos, realçou Vadim Ageenko, que representa o partido comunista da oposição CPRF, na Assembleia Legislativa da Região de Novosibirsk.

Também não é a primeira vez que os problemas de gestão de resíduos da cidade são objeto de polémica.

Uma investigação governamental em 2019 descobriu que a Ecologia Novosibirsk, a empresa por detrás da Eco-Trans-N, tinha estado a pagar menos 40% às suas empresas de logística, sem qualquer razão formal.

O governador de Novosibirsk, Andrey Travnikov, condenou a Eco-Trans-N e a Ecologia Novosibirsk por não resolverem a questão.

“Os atores do mercado não podem usar os residentes da cidade como reféns e não podem sacrificar o seu conforto para resolver os seus desacordos comerciais”, realçou esta segunda-feira.

“[Eco-Trans-N e Ecologia Novosibirsk] assumiram a responsabilidade e têm de resolver esta questão, quaisquer que sejam as circunstâncias”, acrescentou.

Mas Ageenko especulou que Travnikov estava relutante em reprimir mais a Eco-Trans-N e a Ecologia Novosibirsk, por medo do seu proprietário.

Ambas as empresas foram fundadas pela empresa de infraestruturas VIS Group, com sede em Moscovo, e metade das ações da VIS pertencem ao empresário russo Igor Sungurov, também diretor da empresa, de acordo com a Forbes.

Sungurov tinha um património líquido estimado em 600 milhões de dólares, informou a agência noticiosa de negócios russa DP, em 2020.

“O governador pode estar relutante em tomar medidas contra uma empresa gerida pelo VIS”, admite Ageenko, acrescentando que a empresa tinha atualmente quatro grandes contratos na região de Novosibirsk, incluindo para uma ponte sobre o rio Ob, duas fábricas de gestão de resíduos, e quatro clínicas de saúde pública.

  Alice Carqueja, ZAP //

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