Pico de gripe pode chegar mais cedo a Portugal e ser mais severo com os idosos

Apelos são lançados por dois organismos (português e europeu), que alertam para o perigo que a gripe pode ter quando ataca juntamente com a covid-19.

A época de gripe poderá ser especialmente severa para os idosos tendo em conta as provas detetadas até agora, alertou esta terça-feira o Centro Europeu para Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC).

Apesar do número de casos registados na maioria dos países europeus ainda ser baixo, em alguns, como é o caso da Croácia, a circulação do vírus é maior do que o limite sazonal. Além disso, o subtipo mais comum é o A (H3N2), que afeta principalmente a população de maior idade. “As deteções antecipadas do subtipo A são uma indicação de que a próxima época de gripe poderá ser severa, embora ainda não possamos saber com segurança como será”, assinalou em comunicado o diretor do programa de gripe do ECDC, Pasi Penttinen.

Penttinen ressaltou que um forte aumento das infeções durante a pandemia de covid-19 poderá ter consequências “sérias” para os idosos e pessoas com um sistema imunitário fraco, colocando uma carga adicional nos sistemas de saúde já no limite com o coronavírus. “É por isso importante tomar as precauções necessárias e proteger aqueles que estão em maior risco”, disse Penttinen.

Este órgão de referência da União Europeia (UE) lembra que no ano passado houve uma queda considerável nas infeções de gripe devido a intervenções não farmacêuticas, tal como evitar multidões desnecessárias e manter medidas de higiene, que deverão ser consideradas sobretudo em lares de idosos e centros hospitalares. As vacinas, tanto contra a covid-19 como contra gripe, fornecem boa proteção contra casos graves, pelo que o ECDC recomenda que os trabalhadores da saúde e de lares de idosos sejam imunizados antes da chegada dos meses de inverno.

O Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, por sua vez, confirmou ao jornal i o “inevitável”, ou seja, que existem sinais de que a gripe está a começar mais cedo. “Em Portugal, detetámos desde o verão um aumento das infeções respiratórias, em especial associadas ao vírus sincicial respiratório, maioritariamente, em crianças menores de 5 anos. Atualmente, estamos a observar, além do vírus sincicial respiratório, uma circulação esporádica do vírus da gripe, o que é um alerta para a possibilidade de uma epidemia de gripe mais precoce do que em anos anteriores”, diz o instituto.

Estima-se que cerca de 20% da população fica infetada com gripe todos os anos e um em cada quatro infetados desenvolve sintomas, afirma o ECDC, que recorda também a eficácia dos medicamentos antivirais em casos graves ou que se desenvolvem rapidamente.

  ZAP //

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