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Patrão dá 5 mil dólares a quem se demitir ao fim de 15 dias

Valor é proposto a cada trabalhador duas semanas depois do início do contrato. E é melhor para todos, explica Chris Ronzio.

“É importante saber rapidamente se encontramos as pessoas certas“. É a primeira justificação dada por Chris Ronzio, para este esquema invulgar no mundo empresarial.

Chris Ronzio foi o criador e é o director da Trainual, uma empresa focada no SaaS (Software as a Service), ou seja, num tipo de software que ajuda a gerir empresas, a integrar funcionários.

E, no momento de contratar funcionários, a entrevista não chega: “Durante a entrevista o possível trabalhador só conhece uma amostra do que vai encontrar. Tem uma ideia da empresa, da função que vai desempenhar. Quando a pessoa começa a trabalhar, uma semana depois ou duas semanas depois, pode aperceber-se de que não quer ficar durante anos a trabalhar connosco. Percebe que não é um emprego a longo prazo“.

Aí surge a oferta anormal: 5 mil dólares. O próprio Chris Ronzio oferece 5 mil dólares ao novo trabalhador se ele quiser sair da empresa. Esta oferta surge duas semanas depois do início do contrato. Assim o patrão fica a saber quem quer realmente continuar lá. Se a pessoa contratada tiver dúvidas, pode sair já e ainda recebe dinheiro por isso.

Além disso, ficaria mais caro substituir um funcionário “à medida que ele assume mais trabalho e mais responsabilidades”, continuou o empresário, em declarações à revista Fast Company.

Chris alega que esta medida ajuda os funcionários – que saem se quiserem e beneficiam a nível financeiro no momento – mas ajuda também os empregadores.

Ver um trabalhador sair meses ou anos depois de ter sido contratado, além de ficar mais caro, para a empresa representa também uma quebra, uma perda mais acentuada. O trabalhador – sendo competente – vai fazer falta; e o processo de recrutação vai recomeçar (uma ou duas semanas depois da contratação, provavelmente muitos outros candidatos da lista inicial ainda estão disponíveis).

“Acelerar esta decisão é sinónimo de poupança para a empresa. Nós queremos confirmar que, quem está cá, está alinhado connosco, com a empresa. Queremos ter essa certeza antes de investir mais neles. Ao continuar cá, a pessoa contratada já tomou duas decisões: ficar na empresa depois de aceitar a nossa proposta e ficar na empresa depois de estar integrada cá”, analisa o director da Trainual.

Os trabalhadores, ao receberem essa proposta, sabem também que “não estão presos” na empresa. Podem sair e encontrar uma oportunidade melhor, logo naquele momento. E há muitas pessoas que não se sentem bem no seu novo emprego mas não têm coragem de admitir, em conversa com o patrão.

E ainda há outro factor importante: neste esquema, aumentam as responsabilidades para quem contrata. Os responsáveis pelos recursos humanos “sabem que há esse custo para o negócio se errarem. Há uma responsabilidade interna para encontrar pessoas óptimas para o cargo”.

“E acho que também devemos ter a responsabilidade de construir uma cultura onde as pessoas queiram estar. Recusar o dinheiro, aceitar e comprometer-se connosco é algo poderoso – e isso prepara o terreno para um óptimo relacionamento de trabalho”, justificou.

Chris Ronzio não foi propriamente original nesta medida. A loja de roupa Zappos criou um processo chamado «A oferta»: pagar mil dólares a quem sair uma semana depois de ter entrado na empresa. Era um teste ao comportamento dos novos funcionários. Ronzio aumentou o prazo para a decisão…e o valor.

A Trainual foi fundada em 2018. Até agora, 38 pessoas tiveram a oportunidade de receber dinheiro para sair (eram 2.500 dólares, até há pouco tempo). Nenhuma aceitou, todas continuaram.

  Nuno Teixeira da Silva, ZAP //

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