Partex não vai investir mais em Portugal. “Não vale a pena”

socialeurope / Flickr

Isabel Mota presidente da Calouste Gulbenkian

O presidente da Partex afirmou numa entrevista hoje publicada que a empresa decidiu deixar de investir em Portugal e que não vai contestar a rescisão dos contratos com o Governo para exploração e prospeção de petróleo.

Em entrevista ao Público, António Costa e Silva adiantou que relativamente ao Algarve, a Partex decidiu “não contestar a rescisão do contrato”.

“Nós, pura e simplesmente, decidimos não investir mais em Portugal, não vale a pena. Apostámos no projeto do Algarve porque existia um Governo em que o ministro Álvaro Santos Pereira, que foi muito criticado, tinha a preocupação de desenvolver os recursos naturais e percebeu que o país precisava de uma onda de reindustrialização e que isso criaria riqueza e emprego”, disse.

E justificou: “quando mudou o Governo, passámos para o ciclo oposto, que é governar em função do que dizem os autarcas e a opinião pública, sem haver uma visão clara da importância que o projeto Algarve poderia ter”, disse.

Segundo o responsável, o projeto do Algarve era “plausível e executável”, tendo sido feitas campanhas sísmicas. Adianta também que fechou os projetos em Peniche e no Alentejo. No entender do presidente da Partex, “uma política que hostiliza as empresas e o lucro não cria condições amigas do investimento e do desenvolvimento do país”.

Na entrevista ao Público, António Costa e Silva disse também que a Partex vai entrar “num novo ciclo” com a venda ao grupo chinês CEFC, que quer “investir e transformá-la numa plataforma global”, orientada para o Médio oriente, Ásia Central e países de língua portuguesa.

O negócio ainda não estará fechado, mas o presidente da Partex está confiante que é só uma questão de tempo.

“A negociação, complexa, está a decorrer. Nesta altura estão-se a discutir os termos do acordo. Acho que há uma grande probabilidade de se concretizar. Depois, após o acordo, tem de haver a notificação a todas as companhias operadoras onde estamos, e há algumas concessões em que é necessário consultar também os parceiros por causa dos direitos de preferência”, disse.

António Costa e Silva, que se tem reunido com o novo acionista, salienta na entrevista que os “recursos humanos são uma das condições cruciais do contrato“. De acordo com o presidente da Partex, o novo investidor quer a “equipa, as valências, o know-how, a tecnologia”.

Questionado sobre se “vê a Partex a apostar novamente nas energias renováveis, Costa e Silva salienta que a empresa tem “muitos contactos pelo mundo”. A Fundação Calouste Gulbenkian detém 100% do capital da Partex, empresa que é liderada por António Costa Silva.

A Partex foi fundada em 1938, por Calouste Gulbenkian, que até então “tinha sido o grande promotor da criação da Iraq Petroleum Company, uma empresa que reuniu os interesses das empresas que hoje se chamam BP, Shell, Total, Exxon Mobil, e onde ficou com 5%, passando a ser conhecido como o “Mister Five Per Cent”.

Foi a Iraq Petroleum Company que iniciou toda a atividade da indústria petrolífera no Médio Oriente, juntando como parceiros o Iraque, Qatar, Abu Dhabi e Omã.

Calouste Gulbenkian entrou na Iraq Petroleum Company em nome individual, mas depois criou a empresa Participations and Explorations, daí o nome Partex, que assinou em 1939 a primeira concessão com Abu Dhabi.

Com a nacionalização de 60% da concessão em 1971, surgiu a empresa nacional ADNOC em Abu Dhabi, diminuindo a participação de todos os acionistas, o que no caso da Partex representou uma redução de 5% para 2%.

Entretanto, a Fundação Calouste Gulbenkian recebeu uma oferta de compra para a Partex, encontrando-se em processo de negociações com o grupo interessado.

// Lusa

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3 COMENTÁRIOS

  1. É o Portugal em crescimento, com o investimento internacional em fuga !!
    Só loucos se habilitam a meter dinheiro neste país, com a pior legislação laboral europeia, e com uma sofreguidão estatal na cobrança de impostos a tudo o que mexe.
    Crescimento, só se for na arrogância do tosta.

    Outro escândalo, é a delapidação dos ativos da Gulbenkian pelas recentes administrações, para criar liquidez e poder distribuir dividendos e benesses… A Fundação foi uma dádiva de Gulbenkian a Portugal e não a um grupo de gestores que se tem divertido a delapidar a fundação.

    • muito bem !!!! em relaçao ao primeiro paragrafo….. sabe se que o petroleo nao é o forte da geringonça… quanto ao segundo paragrafo sabemos como e facil para a geringonça, gastar o patrimonio do estado….sem sequer alguem apontar o dedo….
      sabemos que o jornalismo esta entrege a mercenarios ao serviço dos institos mais baixos dos marxistas.. enriquecer a qualquer custo desde que escondidos do olhar abulico do povinho.

  2. A “importância do projecto Algarve” seria rebentar com o fundo marinho para chupar o petróleo e deixar a poluição arrasar as praias, deixando os lucros nas mãos da petrolífera e arruinando o Turismo. O Turismo é uma actividade que dá emprego a muito mais pessoas do que a exploração do petróleo daria e os lucros são muito mais bem distribuidos pela população. Colocar o Turismo em risco para satisfazer os interesses estrangeiros teria sido um grande erro. Imaginem uma maré negra na Praia da Rocha ou um petroleiro encalhado na Ilha de Tavira…

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