May sacrifica-se. Demissão em troca do seu acordo para o Brexit

(h) Jessica Taylor / EPA

Esta quarta-feira, o processo do Brexit ficou marcado por dois acontecimentos. O primeiro foi a discussão de oito moções alternativas ao acordo de May e o segundo foi quando a primeira-ministra prometeu demitir-se.

O Parlamento britânico aprovou, com 441 votos a favor e 105 contra, a legislação interna necessária para alterar a data de saída do país da União Europeia, inicialmente agendada para 29 de março.

Foram também votadas oito alternativas – os “votos indicativos” – ao acordo de Theresa May, no entanto, todas as propostas foram rejeitadas pelo Parlamento. As opções serão novamente debatidas e votadas na próxima segunda-feira.

Após mais de uma hora de debate, os deputados da Câmara dos Comuns pronunciaram-se por uma maioria de 336 votos a favor desta proposta do Governo que já se sabia antecipadamente contar com o apoio do executivo da primeira-ministra conservadora, Theresa May, e do principal partido da oposição, o Partido Trabalhista.

A legislação agora aprovada tem duas datas de saída: às 23h00 de 12 de abril, caso o acordo seja rejeitado; ou, na condição de um Acordo de Saída ser aprovado, até às 23h00 do dia 22 de maio.

Estas datas foram estipuladas nas conclusões do Conselho Europeu de 21 de março, na sequência de um pedido do Governo britânico para uma extensão do artigo 50.º do Tratado de Lisboa, que define um período de dois anos para negociar a saída de um Estado-membro da UE.

Esta tarde, antes do debate, a primeira-ministra britânica anunciou que pretende sair de funções se o Acordo de Saída para o Brexit for aprovado. A data de saída de funções, a que se seguirá uma eleição para a liderança daquela formação política, não foi especificada.

Reconhecendo as críticas internas no partido e “desejo por uma nova abordagem – e nova liderança – na segunda fase das negociações do Brexit”, prometeu afastar-se.

O anúncio foi feito durante uma reunião à porta fechada com o grupo parlamentar do partido conservador e a informação foi inicialmente avançada BBC, a partir das declarações do deputado James Cartilage, entretanto confirmadas pelo gabinete da primeira-ministra.

“Estou preparada para deixar este trabalho mais cedo do que pretendia para fazer o que é certo para o nosso país e o nosso partido”, adiantou, pedindo aos deputados Conservadores para apoiarem o acordo. A primeira-ministra apelou ao cumprimento de um “dever histórico – cumprir a decisão do povo britânico e deixar a União Europeia com uma saída suave e ordenada”.

Ao prometer a própria demissão, Theresa May conseguiu atrair a aprovação de alguns dos seus principais adversários internos, todos membros do European Research Group, que junta os deputados eurocéticos do Partido Conservador.

Um deles foi Jacob Rees-Mogg, que disse que apoiaria o acordo de Theresa May em troca da sua demissão caso o DUP também o fizesse. Também Boris Johnson, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Theresa May que bateu com a porta por discordar do rumo que o Brexit levava, garantiu que agora apoiaria este acordo.

Ao todo, de acordo com a BBC, foram pelo menos 25 os conservadores eurocéticos que decidiram mudar de ideias agora que tinham nas mãos a possibilidade de Theresa May se demitir e abrir alas a um novo governo conservador. Porém, estima-se que aquele grupo tenha mais mais de 60 membros.

Steve Baker, vice-líder daquele grupo, que estava perplexo com a facilidade com que alguns dos seus colegas mudaram de ideias quanto ao acordo de Theresa May. “Estou consumido por uma raiva feroz depois daquela intrujice”, disse sobre a promessa de Theresa May de se demitir em troca da aprovação do seu acordo. “Estou capaz de mandar isto abaixo e mandar tudo ao rio com uma escavadora.”

Os unionistas do DUP tomaram também uma decisão fulcral: se o acordo de Theresa May voltar a ser votado, o voto deles é “não”.

O caminho fica, agors, em aberto para que, de acordo com a ordem dos trabalhos aprovada pelos deputados o início da tarde, as oito moções voltassem a ser discutidas. Entre estas, parece haver especial vontade entre parlamentares para discutir precisamente a Moção J, por ter sido a que esteve mais perto de ser aprovada.

Porém, nada disso será necessário se, até lá, a primeira-ministra conseguir aprovar na Câmara dos Comuns o seu acordo. Essa votação pode vir a acontecer já na sexta-feira.

Mas nem isso é garantido. Primeiro, porque não é certo que seja autorizada a votação e, segundo, porque Theresa May continua a não ter apoio suficiente para um acordo.

Pelo menos para já, é garantido que o Brexit sem acordo está marcado para 12 de abril e para 22 de maio na eventualidade de haver um entendimento. Faltam, por isso, entre 16 dias a 56 dias.

ZAP // Lusa

 

PARTILHAR

2 COMENTÁRIOS

RESPONDER

Coronavírus. EUA pedem mais transparência ao Governo chinês

O secretário da Saúde dos EUA, Alex Azar, pediu hoje ao Governo chinês maior "transparência" na gestão da epidemia do novo coronavírus, que já provocou mais de cem mortes na China. “Dissemos à China que mais …

"Amigo" de António Joaquim entregou carta ao tribunal a dizer que viu Luís Grilo a ser morto

Há uma carta que pode baralhar a investigação do caso da morte do triatleta Luís Grilo cuja viúva, Rosa Grilo, é a principal suspeita de o ter assassinado. Um homem que alega ser "amigo" de …

Sismo de magnitude 7,7 entre Cuba e Jamaica lança alerta de tsunami

Um terramoto de magnitude 7,7 fez-se sentir esta terça-feira em Cuba e na Jamaica. Os países estão agora em alerta de tsunami, que também se estende às Ilhas Caimão. Esta terça-feira foi detetado um terramoto de …

"Apagaram um continente". Ativista do Uganda foi eliminada de fotografia com Greta Thunberg

Vanessa Nakate, uma ativista do Uganda, posou com outras quatro ativistas pelo clima, incluindo a sueca Greta Thunberg, para uma fotografia em Davos, na Suíça. Porém, a agência de notícias Associated Press (AP) cortou Vanessa …

PSD assegura que sem contrapartidas proposta de redução do IVA da eletricidade "não será votada"

O deputado do PSD Duarte Pacheco assegurou hoje que a proposta do partido para reduzir o IVA da eletricidade para consumo doméstico "não será votada" se não lhe estiver associada qualquer contrapartida de compensação da …

Português nos EUA queixa-se de roubo de raspadinha de 4 milhões de dólares

Imigrante pensava que o bilhete só valia quatro mil euros e alega ter sido enganado por duas mulheres. Um português imigrante em New Bedford, Estados Unidos, queixa-se em tribunal de ser vítima de um "esquema de …

Diego Miranda é o primeiro português a atuar no palco principal do Tomorrowland

Diego Miranda vai ser o primeiro DJ português a atuar no palco principal do festival de música eletrónica Tomorrowland. Este será a quinta presença consecutiva do artista. O DJ e produtor Diego Miranda vai ser o …

Bruno Fernandes assina pelo Manchester United. Sporting pode encaixar 80 milhões de euros

Bruno Fernandes assinou pelo Manchester United e viaja para Inglaterra esta quarta-feira. O Sporting recebe 55 milhões de euros a pronto, com o negócio a poder atingir os 80 milhões mediante o cumprimento de certos …

China ultrapassa a Rússia e torna-se o segundo maior vendedor de armas do mundo

A China tornou-se, em 2017, o segundo maior exportador mundial de armas, de acordo com um novo relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), publicado na segunda-feira. O país ultrapassou …

Antero Henrique perto de se mudar para o Manchester United

Depois de passar pelo FC Porto e pelo Paris Saint-Germain, Antero Henrique está perto de assumir um cargo na direção desportiva do Manchester United. Antero Henrique, antigo diretor desportivo do Paris Saint-Germain, pode estar perto de …