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Parkour de esquilos pode inspirar robôs revolucionários

Pixabay / Pexels

A inteligência e tomada de decisão na hora de os esquilos fazerem os seus saltos pode inspirar robôs mais ágeis, que possam, por exemplo, auxiliar nos esforços de busca e resgate.

O laboratório de Lucia Jacobs, na Universidade da Califórnia, estuda cognição em esquilos-raposas que andam em liberdade pelo campus universitário. Há especialmente duas espécies que abundam lá: o esquilo-cinzento (Sciurus carolinensis) e o esquilo-raposa (Sciurus niger).

Num novo estudo, a equipa de investigadores mostra que os esquilos saltam e pousam sem cair, fazendo cálculos entre a distância que têm de cobrir e a elasticidade do seu poleiro de salto.

As observações forneceram uma nova visão sobre as funções da tomada de decisão, aprendizagem e comportamento em ambientes desafiantes. Os autores estão a partilhar as descobertas com investigadores sobre movimento humano e engenheiros.

Este estudo, segundo o portal Big Think, sugere os tipos de habilidades de que os robôs precisam para conseguir saltar como os esquilos.

Os investigadores procuraram perceber se a tomada de decisão cognitiva dos esquilos gera mudanças dinâmicas na sua locomoção. Para estudar esta questão em esquilos selvagens, os autores criaram uma parede de escalada magnética. Foram usadas câmaras de alta-velocidade e amendoins para persuadir os esquilos a esperar pacientemente pela sua vez na parede.

No vídeo podemos ver os esquilos em ação. Antes do salto, os esquilos devem decidir onde o fazer com base num equilíbrio entre a flexibilidade do galho e o tamanho do salto.

Os investigadores descobriram que os esquilos corriam mais ao longo de um galho rígido, para terem um salto mais curto e fácil. Em contraste, eles saltaram com apenas alguns passos de galhos flexíveis, arriscando um salto mais longo.

O modelo dos investigadores mostrou que os esquilos importavam-se seis vezes mais com uma posição estável de descolagem do que com a distância que teriam de saltar — surpreendendo os autores.

Depois, os esquilos foram postos a saltar de uma base muito rígida. Sem que eles percebessem, a plataforma foi trocada por uma de aparência muito idêntica, mas três vezes mais flexível. Os esquilos aprenderam rapidamente a saltar do galho muito flexível que esperavam ser rígido e conseguiam pousar apenas ao fim de cinco tentativas. 

Não satisfeitos, os investigadores subiram a parada e aumentaram a altura e a distância da plataforma de aterragem. Mais uma vez, os esquilos deixaram os autores de boca aberta.

Ao estilo de parkour, os esquilos usaram a parede de escalada para ressaltar e ajustar a velocidade, fazendo uma aterragem perfeita.

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Os autores deste novo estudo juntaram-se a uma equipa de robóticos, neurocientistas, cientistas de materiais e matemáticos para extrair princípios de design de saltos e aterragens de esquilo.

O próximo passo é criar novos materiais para o robô mais ágil e inteligente já construído: um que possa auxiliar nos esforços de busca e resgate e detetar rapidamente perigos ambientais catastróficos, como libertação de produtos químicos tóxicos, realça o Big Think.

O artigo científico foi publicado recentemente na revista Science.

  ZAP //

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