Há um “parasita da beleza” que parece tornar as pessoas mais atraentes

O parasita cerebral toxoplasma gondii parece tornar dos seus hospedeiros mais simétricos e atraentes e também lhes dá uma aparência mais saudável.

Espelho meu, espelho meu, haverá uma parasita mais belo do que eu? Num mundo em que há tendências no mundo da beleza e cosméticos cada vez mais estranhos que prometem resultados milagrosos, a chave para nos tornarmos mais atraentes pode, afinal, ser um parasita cerebral.

O toxoplasma gondii afecta entre 30% e 50% das pessoas e é o parasita mais bem-sucedido do mundo. Foi associado vários distúrbios neurológicos, desde episódios psicóticos até à esquizofrenia, apesar de ser assintomático na maioria dos casos.

É transmitido maioritariamente por três formas — a ingestão de carne mal-cozinhada, através do contacto com as fezes de gatos, ou de mãe para filhos durante a gravidez.

Mas há um efeito seu que até agora não era conhecido. Um novo estudo publicado na Peerj concluiu que as pessoas infectadas com o parasita são mais atraentes e que o seu aspecto também parece ser mais saudável.

Os cientistas acreditam que há uma explicação da biologia evolutiva para este fenómeno. Há algumas mudanças causadas pelo parasita que aparentam beneficiar os hospedeiros — o que por sua vez ajuda o parasita a tornar-se mais transmissível —, como mostrou um estudo que concluiu que os ratos infectados eram considerados mais atraentes e preferidos pelas fêmeas.

Os cientistas têm  tentado perceber se estes efeitos também se verificam nos hospedeiros humanos. Algumas provas apontam que os homens infectados têm nívels de testosterona mais altos do que os homens que não são infectados, o que pode influenciar o quão atraentes as mulheres os consideram.

Borráz-Leon et. al

Composição de imagens dos rostos de 10 homens e mulheres infectados (a) e de imagens de homens e mulheres não infectados (b)

No entanto, pode-se argumentar que não é a infecção que causa os maiores níveis de testosterona, mas sim que os homens com níveis mais altos são simplesmente mais susceptíveis a serem infectados devido aos comportamentos mais arriscados que estão associados a esta hormona, revela o Science Alert.

Outra hipótese sugere que o parasita pode mudar subtilmente o fenótipo do hospedeiro, o que pode acabar por alterar os níveis hormonais e aparência dos infectados. A equipa decidiu testar estas teorias ao comparar 35 infectados (22 homens e 13 mulheres) com outras 178 pessoas (86 homens e 92 mulheres).

Todos os participantes eram estudantes universitários saudáveis, incluindo os infectados. Ao fim de vários testes, os investigadores concluíram que os hospedeiros do parasita tinham uma assimetria facial bastante mais baixa. Geralmente, a simetria é associada a bons genes e os rostos mais simétricos sinalizam uma boa saúde e são considerados mais atraentes.

As mulheres infectadas também tinham um índice de massa corporal mais baixo, mostraram ser mais confiantes na sua aparência e reportaram ter mais parceiros sexuais. Numa outra experiência, 205 voluntários avaliaram as fotografias dos rostos dos participantes e também preferiram os infectados.

O estudo dá uma pista sobre o possível impacto da infecção no metabolismo dos pacientes, mas os cientistas afirmam que ainda são precisas mais pesquisas com amostras mais completas antes de se tirar conclusões definitivas.

  Adriana Peixoto, ZAP //

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