Cientistas identificam a última refeição de um monstro marinho do tempo dos dinossauros

Todd Marshall / Universidade de Edimburgo

Conceito artístico de parente de ictiossauro descoberto na Escócia

Os ictiossauros, “primos” dos golfinhos dos mares da época mesozoica, comiam grandes lulas e peixes, assim como os seus sucessores contemporâneos – baleias, revelam cientistas britânicos num artigo publicado na revista Historical Biology.

“Entre as costelas deste ictiossauro, conseguimos encontrar muitos espinhos que cobrem os tentáculos de lulas antigas. É muito surpreendente que tenhamos conseguido descobrir o que comeu pela última vez uma criatura que viveu na Terra há cerca de 200 milhões de anos”, diz Dean Lomax da Universidade de Manchester, Reino Unido.

“Outros ictiossauros comiam peixe nos primeiros dias de vida, por isso esta descoberta é interessantíssima”, acrescenta o paleontólogo.

Os répteis marítimos da época mesozoica são em muitos aspetos um enigma para os paleontólogos, pois os seus restos mortais dificilmente são conservados, devido às particularidades do ambiente em que viviam. Contudo, durante as últimas décadas, cientistas conseguiram revelar muitos detalhes que mudaram radicalmente teorias antes aceites, como, por exemplo, sobre a comida e o estilo de vida destas criaturas.

Por exemplo, há três anos, um grupo de cientistas revelou que os ictiossauros surgiram na Terra antes mesmo de viverem no mar. Além disso, revelou-se que pliossauros, principais abutres marítimos do período cretáceo, possuíam problemas de saúde como cancro e artrite reumatoide.

Outras peculiaridades da sua anatomia indicam semelhanças entre ictiossauros e mamíferos marítimos contemporâneos dos nichos que foram libertados depois da morte dos gigantescos pangolins há 65,5 milhões de anos.

A equipa de Dean Lomax desvendou mais um segredo dos monstros marítimos da época dos dinossauros ao estudar os restos do menor ictiossauro na história da ciência, Ichthyosaurus communis, que atingia 70 centímetros de comprimento na fase adulta.

Heinrich Harder / Wikimedia Commons

Ictiossauro, dinossauro primo dos golfinhos

Este pangolim marítimo foi uma das primeiras descobertas deste ramo na história da ciência – os fósseis foram encontrados por Mary Anning, primeira paleontóloga, em placas de giz na costa sul da Inglaterra e registados ainda em 1822.

Em 2015, Nigel Larkin, analisou os fósseis destes pangolins guardados no museu da Universidade de Birmingham, limpando-os e catalogando. Um dos fósseis pequenos atraiu a atenção do cientista por conter inserções fora do habitual, levando-o a pedir ajuda a Lomax, especialista na esfera de paleontologia de dinossauros.

Segundo Lomax, Larkin tinha encontrado um fóssil único – esqueleto verdadeiro de um Ichthyosaurus communis recém-nascido que morreu depois de ter comido uma lula do início do período Jurássico, por volta de 200 milhões de anos atrás.

Esta descoberta, segundo paleontólogos, é importantíssima para a ciência, já que nunca tinha sido encontrado ou analisado ictiossauros primitivos que comiam algo além de peixe.

Consecutivamente, a existência de mais opções na dieta dos ictiossauros indica que estes pangolins marítimos começaram a explorar os mares e ocupar nichos ecológicos diferentes já no início de sua evolução, concluem Lomax e Larkin no artigo na revista Historical Biology.

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1 COMENTÁRIO

  1. Porque apelidam os ictiossauros de pangolins quando este termo refere mamíferos terrestres actuais e não répteis marítimos? Os pangolins ão criaturas cobertas de escamas que se enrolam como um ouriço quando estão ameaçadas.

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