Cientistas propõem que indústria da moda pague “royalties” pelo padrão leopardo

Cientistas de Oxford, no Reino Unido, propõem que a indústria da moda comece a pagar royalties pelo uso do padrão que imita a pele de leopardo, para tentar ajudar a reverter o declínio deste felino.

“O padrão leopardo é uma das tendências mais duradouras da moda. Mas, infelizmente, os próprios leopardos desapareceram de mais de 75% da sua distribuição histórica e já se encontram extintos em pelo menos uma dúzia de países e regiões”, afirmou, em comunicado, Caroline Good, da Unidade de Pesquisa em Conservação da Vida Selvagem da Universidade de Oxford (WildCRU) e responsável por esta pesquisa.

A investigadora explicou que a equipa decidiu então “quantificar o interesse do padrão leopardo na indústria da moda, analisando os meios de comunicação tradicionais, a atividade no Google e publicações de Instagram”.

“Descobrimos que, embora haja 2,9 milhões de posts no Instagram com a hashtag #leopardprint e 80 mil artigos de notícias em Inglês num período de 15 anos, há muitas poucas provas de que este interesse leve à discussão de questões em torno da perda de biodiversidade e da crise de extinção. Por exemplo, nos media tradicionais, menos de 2% das referências ao padrão leopardo estavam associadas ao estado de conservação do animal”, declarou na mesma nota.

“Há uma clara desconexão entre o interesse contínuo na moda do padrão leopardo e a falta de interesse – ou preocupação – com o próprio animal”, lamentou ainda Good, uma das autoras do estudo publicado, a 15 de fevereiro, na revista científica Journal for Nature Conservation.

Porém, os investigadores dizem que, embora este desinteresse apresente desafios, também pode trazer oportunidades para a conservação do leopardo (Panthera pardus).

“Neste artigo, revisitamos a nossa ideia de implementar uma espécie de royalties para o uso do simbolismo de animais em economias culturais prósperas, o que poderia revolucionar o financiamento da conservação. Seria um grande desafio que envolveria compromissos de muitas partes, mas acreditamos que é uma ideia que vale a pena explorar”, disse, por sua vez, David Macdonald, diretor do WildCRU e co-autor do estudo publicado em 2017.

A equipa sugere que, com a grande quantidade de produtos com padrão leopardo vendidos em todo o mundo anualmente, mesmo o menor royalty pago por cada um deles como uma troca de benefício mútuo poderia ter um grande impacto no financiamento para a conservação deste animal.

“Esperamos que este estudo seja do interesse de ONGs conservacionistas que procuram campanhas de marketing inovadoras, bem como de marcas de moda com fins lucrativos e revendedores que se querem envolver com consumidores que exigem responsabilidade social. Esta é uma solução potencial de longo prazo para financiar a conservação do leopardo que poderia ser implementada em todo o mundo”, conclui Macdonald.

  ZAP //

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