Entre os boletins de voto dos emigrantes, também há cheques e contas da luz

Lance Cheung / USAF

Para exercer o seu direito de voto, os eleitores portugueses residentes no estrangeiro deveriam enviar de volta para Portugal a documentação que receberam em casa – um envelope verde com o boletim de voto, dentro de um envelope branco, com uma cópia do cartão de cidadão.

Mas algumas pessoas resolveram inovar e acrescentaram alguns itens no mínimo insólitos: “Já encontrámos um cheque, já encontrámos duas folhas de pensão, uma conta para pagar de luz”, tudo na mesma mesa, conta aos jornalistas Joaquim Morgado, secretário-geral adjunto para a Administração Eleitoral, indicando que estes documentos foram guardados e serão devolvidos a quem os remeteu.

No pavilhão municipal do Casal Vistoso, em Lisboa, estão montadas 100 mesas para apuramento de resultados, 70 dedicadas ao círculo da Europa e 30 dedicadas ao círculo fora da Europa, cada uma com quatro ou cinco elementos, perfazendo um total de cerca de “500 pessoas associadas às mesas”.

Aos membros de mesa juntam-se “cerca de 50 delegados que vêm presenciar e vêm também auditar todo o processo” e outras “cerca de 120 pessoas” para dar apoio ao processo, adiantou o responsável.

Todas estas pessoas estão debruçadas sobre 158 mil cartas resposta que foram recebidas – 5.800 deram entrada já esta quarta-feira – de entre um universo de 1,4 milhões de eleitores recenseados no estrangeiro. A sua função é registar os envelopes, verificar quais os que têm condições legais para o voto poder ser considerado e, finalmente, fazer o apuramento dos resultados.

“Os trabalhos iniciaram-se às 9h”, referiu Joaquim Morgado, estimando que os resultados possam ser divulgados “cerca das 22h30”.

Os círculos da Europa e Fora da Europa elegem dois deputados cada um e, tradicionalmente, esses mandatos têm sido distribuídos entre PS e PSD.

De acordo com o secretário-geral adjunto para a Administração Eleitoral, o processo está a decorrer de forma normal. Pelas 15h, metade do procedimento estava feito, mas a contagem ainda não tinha arrancado.

“Os últimos números que eu tenho são de cerca de 47% [dos boletins] já registados”, adiantou Joaquim Morgado, considerando que “os números em muitas mesas são muito agradáveis, muito boas surpresas, noutras também teremos que melhorar e teremos que ter aqui uma capacidade mais de intensificar este processo”.

Até agora tudo está a correr normalmente, com as pequeninas situações que temos do dia-a-dia, do normal deste processo de votação”, assinalou, destacando que, “comparando com há quatro anos”, a participação é “muito maior”.

O atual processo de apuramento dos votos dos emigrantes “é idêntico” aquele usado nas eleições legislativas de 2015, notou o secretário-geral adjunto da Administração Eleitoral, explicando que “a única diferença é que, face ao número de inscritos”, estão a ser utilizados cadernos eleitorais desmaterializados, tecnologia usada para “o voto eletrónico em Évora”, em vez dos tradicionais cadernos eleitorais em papel.

Por isso, era possível ouvir, praticamente a cada segundo, um ‘bip’ em cada uma das duas salas onde estavam montadas as mesas de apuramento (uma para cada círculo), barulho feito de cada vez que o leitor registava um novo boletim.

Esta quarta-feira, a Assembleia de Recolha e Contagem dos Votos contou também com duas “mesas especiais”, que “não vão fazer apuramento de resultados”, mas sim tentar identificar o remetente de um boletim que não tenha chegado de acordo com as regras estipuladas.

“Se houver condições legais para habilitar esse voto, ele é identificado, é encaminhado para a mesa respetiva, e a mesa respetiva acrescenta-o e contabiliza-o e delibera sobre esse voto”, explicou Jorge Morgado, salientando que esta “é das ações mais nobres” porque permitem salvar alguns votos.

Apontando que ali não é contada a abstenção, Joaquim Morgado sublinhou que “o valor importante a realçar aqui é a participação” dos emigrantes nestas legislativas.

// Lusa

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