Cientistas identificaram organismo que prospera ao comer meteoritos

(dr) Milojevic et al., Scientific Reports 2019

O micróbio Metallosphaera sedula tem uma propensão para comer minerais. E não estamos a falar de granito ou giz, mas de rochas muito mais especiais como meteoritos.

Segundo o Science Alert, uma equipa internacional de cientistas quis perceber se certos organismos podem ter desenvolvido um talento para tirar proveito dessas misturas bastante especiais de minerais.

O termo técnico para a biologia capaz de usar rochas como fonte de energia é “chemolithotroph”. Algumas bactérias, como a Leptospirillum ferrooxidans e a Acidithiobacillus ferrooxidans, são conhecidas por oxidar o ferro em meteoritos.

Para encontrar um micróbio que olha para os meteoritos como mais do que apenas uma refeição, a equipa voltou-se para um termoacidófilo, um micro-organismo que lida bem com calor e baixo pH.

A sua escolha — Metallosphaera sedula — é conhecida por ter gostos estranhos. No passado, os investigadores demonstraram o seu potencial para remover o sulfeto de ferro do carvão.

A equipa selecionou então um tipo de meteorito comum chamado Northwest Africa 1172 (NWA 1172), um pedaço de 120 quilos de mineral descoberto em 2000.

“O NWA 1172 é um material multimetálico, que pode fornecer muitos mais traços de metais para facilitar a atividade metabólica e o crescimento microbiano. Além disso, a sua porosidade também pode refletir a taxa de crescimento superior do M. sedula“, explica a astrobióloga Tetyana Milojevic, da Universidade de Viena, na Áustria.

Uma cultura desta arquea foi aplicada em lajes esterilizadas do meteorito, sendo monitorizada com microscopia e uma análise dos iões metálicos que os micróbios libertaram quando alimentados. Uma amostra também foi alimentada com uma mistura moída do mesmo mineral.

Para termo de comparação, culturas microbianas semelhantes foram alimentadas com amostras moídas da calcopirita mineral cobre-ferro-enxofre.

As duas refeições produziram taxas de crescimento significativamente diferentes, com os números da arquea a atingir um pico muito mais cedo no meteorito do que na calcopirita. Qualquer que fosse a mistura específica fornecida pelo meteorito, o M. sedula ficou satisfeito muito mais rapidamente.

Uma inspeção mais minuciosa com outras técnicas de microscopia revelou alguns truques usados pelo micróbio. Bolhas minúsculas foram vistas fora dos corpos da arquea, o que parecia ajudar a catalisar reações e possivelmente reduzir a toxicidade da refeição, por exemplo.

“Os meteoritos parecem ser mais benéficos para esse microorganismo antigo do que uma dieta com fontes minerais terrestres”, diz Milojevic, autora do estudo publicado na Scientific Reports.

Uma análise química e microscópica das sobras deste ‘banquete’ apresentou aos investigadores uma potencial assinatura biológica que poderia ser usada no futuro para detetar se um meteorito — ou outras rochas espaciais — foi mastigado por um “chemolithotroph” faminto.

“As nossas investigações validam a capacidade do M. sedula de executar a biotransformação dos minerais de meteoritos, desvendar impressões digitais microbianas deixadas no meteorito e dar o próximo passo para uma compreensão da biogeoquímica de meteoritos”, conclui Milojevic.

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