Marques Mendes: “Este é claramente o Orçamento do imposto escondido”

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Carlos Barroso / Lusa

Luís Marques Mendes

No seu habitual espaço de comentário na SIC, este domingo, Luís Marques Mendes falou sobre o Orçamento do Estado para 2022 e analisou o artigo do ex-Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Para Luís Marques Mendes, a proposta de Orçamento entregue na passada quarta-feira pelo ministro das Finanças é um “Orçamento do imposto escondido“.

“É o Orçamento da inflação, e a inflação é uma espécie de imposto escondido, é um imposto que come rendimento”, disse o antigo líder social-democrata, no comentário semanal no Jornal da Noite, na SIC.

Entre os aspetos positivos, o comentador salientou cinco: as medidas sociais, sobretudo nas pensões e nas creches; a redução do défice; a redução da dívida em percentagem do PIB; as medidas para compensar a subida dos preços; e o fim do imposto “Costa Silva” – as medidas que o ministro da Economia tinha admitido lançar e que acabaram por cair.

No entanto, há também aspetos negativos neste OE, nomeadamente a perda de poder de compra dos funcionários públicos; a perda de poder de compra dos pensionistas; a não atualização dos escalões do IRS; e a falta de ímpeto reformista, prosseguindo a tendência dos OE anteriores.

O comentador político salientou ainda que este é o primeiro Orçamento de António Costa em que há uma diminuição dos rendimentos e não um aumento.

“Há perda de poder de compra em vários segmentos da sociedade por causa da inflação”, motivo pelo qual o PS “vai ter uma pressão” por parte da opinião pública, considerou. “Isto é um bónus para o PCP e para a CGTP.”

Quando a Fernando Medina, Marques Mendes entende que o “grande teste” será no Orçamento do Estado para 2023. “Em relação a este, a sua responsabilidade principal é apenas na execução. Quanto ao conteúdo, o essencial vinha de trás. Medina limitou-se a adaptar o OE à situação de guerra que se vive na Europa, minimizando os seus efeitos.”

“Mas daqui a poucos meses, no OE para o próximo ano, Fernando Medina tem o seu verdadeiro teste: ou faz história, deixando a sua marca própria no OE; ou é apenas mais um ministro que passa pelo lugar, sem deixar uma marca”, disse.

Já em relação ao artigo de opinião de Aníbal Cavaco Silva, publicado na semana passada no jornal Público, Luís Marques Mendes admite que o autor é muito “acutilante” e que, como “praticamente não há oposição em Portugal”, este tipo de posições são necessárias.

“Desta vez, este artigo de Cavaco Silva pode ter um outro resultado”, afirmou, referindo-se à ajuda que pode dar aos candidatos à liderança do PSD.

“Este artigo pode influenciar os programas” no sentido de “contribuir” para que estas mensagens possam ser incorporadas “nos discursos” tendo em conta as eleições internas do partido, referiu Marques Mendes, defendendo que tanto Montenegro como Moreira da Silva não “vão deixar de incorporar” as respetivas mensagens.

“Seguramente que Luís Montenegro e Jorge Moreira da Silva não andam distraídos e percebem a mensagem”, afirmou.

Por último, em relação ao descontentamento de Rui Moreira, que ameaçou sair da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Marques Mendes disse que a questão de fundo é saber se a descentralização está ou não a ser bem feita.

“Aí Rui Moreira tem toda a razão, teve a coragem de ir ao ponto: é uma descentralização de fachada”, disse, acrescentando ainda que existe um estudo independente da Universidade do Minho que dá razão aos municípios.

  ZAP //

9 Comments

  1. Um partido (PS) que levou o país à bancarrota, não muito longínqua, a falar de contas certas, parece algo surrealista. Nunca percebi o que é isso de contas certas. Parece linguagem de contas de merceeiro ou de taberneiro.

    • É essencialmente não criar condições para a insolvabilidade. Gerir receitas e despesas de forma racional. Se sistematicamente gastares mais do que recebes, e sobretudo se gastares mal (despesas correntes e não de investimento profícuo), um dia vais ser confrontado com a realidade. Em Portugal isso já aconteceu 3 vezes.

  2. O país não twm dinheiro para pagar o modelo de democracia que construiu. Por esse facto, ainda não conheci um único orçamento desde o 25/04 que não fosse do “imposto escondido”.

  3. Neste caso não difere dos anteriores, mas como já estamos tão habituados a políticos mentirosos, nem já estranhamos!

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