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Opositor do regime da Nicarágua morre na prisão. Governo diz que foi um acidente

Jeffrey Arguedas / EPA

Um opositor detido na Nicarágua por ter participado em manifestações anti-governamentais morreu esta sexta-feira durante um incidente ocorrido numa prisão de alta segurança, anunciou o Governo nicaraguense.

Eddy Montes, de 57 anos, foi ferido durante “um confronto” com um segurança, ao qual pretendia roubar a arma, tendo morrido no hospital para onde foi levado, indicou o Ministério da Administração Interna em comunicado.

Pelo menos seis funcionários da prisão Modelo, a 20 quilómetros a norte de Managua, ficaram feridos e estão a ser assistidos, declarou o ministro da Administração Interna, Luis Cañas. O incidente ocorreu durante uma visita de uma delegação do Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) à prisão, de acordo com a mesma nota.

Eddy Montes foi detido em novembro de 2018, durante manifestações contra o Presidente nicaraguense, Daniel Ortega, e foi acusado de atos terroristas, roubo e uso de armas proibidas, além de outros delitos. O Ministério disse que “um grupo de presos lançou-se sobre os seguranças e lutou com um dos guardas com a intenção clara de roubar a arma. No confronto, um tiro foi disparado e atingiu o detido”.

A plataforma da oposição Aliança Cívica para a Justiça e a Democracia (ACJD) protestou, através da rede social Twitter, contra os acontecimentos que levaram à morte do opositor detido. “Condenamos a repressão do Governo que causou a morte de Eddy Montes Praslin”, declarou a ACJD.

Na quarta-feira, um responsável da ACJD  Tunnermann indicou que o CICV tinha pedido às autoridades nicaraguenses autorização para “entrar nas prisões e verificar a situação dos presos políticos”. Centenas de opositores que participaram nas manifestações de 2018 contra o regime de Ortega estão detidos na prisão Modelo.

Nos últimos dias, familiares dos detidos e organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram a deterioração das condições de detenção.

Desde abril de 2018, a repressão do regime causou 325 mortos, centenas de opositores foram detidos e mais de 62 mil nicaraguenses fugiram do país, de acordo com organizações de defesa dos direitos humanos.

Também a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, lembrou no mês passado que “mais de 300 pessoas foram mortas, duas mil feridas, 62 mil deslocadas para fora do país e várias centenas privadas de liberdade” durante a repressão em 2018.

A Nicarágua vive uma crise desde que, a 18 de abril de 2018, uma controversa reforma da segurança social desencadeou uma onda de contestação popular a exigir a demissão de Daniel Ortega, há quase 12 anos consecutivos no poder.

O Governo só reconheceu a existência de 199 vítimas mortais e denunciou uma alegada tentativa de golpe de Estado.

  ZAP // Lusa

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