ONU fala em “uso excessivo de força” em Melilla e ONG’s apontam o dedo à “fortaleza europeia”

EPA

Migrantes a tentarem atravessar a fronteira em Melilla.

Número real de vítimas é contestado pelas organizações não governamentais.

A União Europeia quer mais esclarecimentos sobre as circunstâncias que estiveram na origem da morte de pelo menos 23 migrantes que tentavam ultrapassar a fronteira entre Marrocos e Espanha, no enclave de Melilla, na última semana. Em declarações à Europa Press, Nabila Massrali, porta-voz dos 27 para assuntos de política externa, esclareceu que “é importante esclarecer os factos destes episódios deploráveis” e que “é do interesse de todos que eventos como este não se voltem a repetir no futuro“.

Citado pelo Público, o assessor de Josep Borrell acrescentou que “a violência e a perda de vidas nas fronteiras externas é inaceitável”.

Na sequência do sucedido, a procuradora-geral espanhola abriu um inquérito para investigar todos os factos, destacando a “transcendência e gravidade” dos acontecimentos, assim como a “singularidade e complexidade da investigação“, já que as mortes aconteceram em território marroquino.

Ao longo do dia de ontem, também o comité de migração do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU solicitou aos Governos de Marrocos e Espanha que abrissem investigações para apurar o sucedido. “Está por esclarecer se as vítimas morreram ao cair na vala, na fuga ou como resultado de alguma ação dos agentes fronteiriços”, explicou o responsável. Ressalvou ainda que a situação “poderia ter-se evitado se as políticas de fronteira tivessem em conta os direitos humanos de forma exaustiva”.

Já o porta-voz da ONU, na sua conferência de imprensa diária, mostrou-se “chocado” com as “imagens de violência” que surgiram da fronteira entre Marrocos e Espanha. O responsável falou ainda no “uso excessivo da força pelas autoridades“, defendendo que este “deve ser investigado”, porque é “inaceitável”.

Apesar dos apelos para investigações, a União Europeia não se tem livrado de acusações de culpas — ainda que morais — no desfecho, isto por parte de ONG’s. “A morte destes jovens africanos nas fronteiras da ‘fortaleza europeia‘ sublinha a natureza mortífera da cooperação securitária em matéria de imigração entre Marrocos e Espanha.”

Mesmo dois dias após o incidente, permanecem as dúvidas em relação a questões tão básicas como o verdadeiro número de vítimas, já que, de acordo com algumas organizações mão governamentais, o número real é muito superior ao oficial. Enquanto que os relatos oficiais falam em 23 vítimas, estas entidades apontam para 37 pessoas mortas.

  ZAP //

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