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ONU alerta que bloqueio de fronteiras europeias vai provocar caos e confusão

O “encerramento crescente” de fronteiras europeias vai provocar “mais caos e confusão”, advertiu esta terça-feira o alto-comissário da ONU para os Refugiados.

“Estou muito preocupado com as notícias sobre um encerramento crescente de fronteiras europeias ao longo da rota dos Balcãs porque isso vai criar mais caos e confusão” e “muito provavelmente aumentar os fluxos irregulares”, disse Filippo Grandi durante uma visita ao hotspot (centro de registo) da ilha grega de Lesbos, principal porta de entrada de migrantes na Europa.

Andrew Wheeler / OECD

Filippo Grandi, Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados

O responsável reagia à decisão anunciada no domingo pela Macedónia de recusar aos afegãos a passagem na sua fronteira com a Grécia, bloqueando do lado grego milhares de pessoas que pretendem seguir para a Europa central e do norte.

O tráfego naquela fronteira foi igualmente dificultado pela introdução de um controlo de documentos mais apertado para sírios e iraquianos.

“Isso vai aumentar o fardo da Grécia, que já assume uma responsabilidade muito pesada”, e “criar desordem nos países que recebem migrantes e refugiados” numa altura em que “ainda não há alternativas” para a gestão dos fluxos migratórios, acrescentou Grandi.

“O programa europeu de relocalização ainda é muito limitado e o programa de reinstalação na Turquia ainda não começou”, explicou o alto-comissário.

“Assim, fechar fronteiras ou geri-las de forma apertada na ausência de alternativas legais e seguras para os refugiados vai aumentar o caos e muito provavelmente aumentar os movimentos irregulares que põem as pessoas em risco”, afirmou.

Mais de 100 mil refugiados desde o início do ano

Segundo números divulgados hoje pela Organização Internacional das Migrações (OIM), mais de 100 mil pessoas chegaram à Europa através do Mediterrâneo apenas este ano, a esmagadora maioria das quais – 102 mil -, à Grécia.

Desde 1 de janeiro, 102 mil pessoas chegaram à Grécia e 7.507 a Itália através do Mediterrâneo, e 413 morreram a tentá-lo.

“Atingimos este número em dois meses”, disse um porta-voz da OIM, Itayi Viriri, sublinhando que, em 2015, a marca dos 100 mil só foi atingida em junho.

Em 2015, 1.046.599 migrantes, incluindo refugiados em busca de asilo, chegaram à Europa.

Das 413 pessoas que morreram durante a travessia, a maioria, 312, afogou-se na rota do Mediterrâneo oriental, entre a costa da Turquia e as ilhas gregas.

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À Grécia chegaram, só em fevereiro, mais de 35 mil refugiados e migrantes, 48% dos quais oriundos da Síria, 25% do Afeganistão, 17% do Iraque, 3% do Irão e 2% do Paquistão.

Os restantes 5% provêm de Marrocos, Bangladesh e Somália, entre outros países.

Em Itália, em contrapartida, durante fevereiro “foram reportados vários dias sem chegadas, devido às duras condições do mar”. No entanto, apenas na segunda-feira passada, 940 pessoas foram resgatadas no Canal da Sicília.

A maioria dos migrantes que chega a Itália é proveniente de África – Marrocos, Guiné-Conacri, Senegal, Gâmbia, Nigéria ou Somália, entre outros países.

“Continuamos a registar a chegada de muitos imigrantes vulneráveis, geralmente em más condições e que foram vítimas de violência por parte dos traficantes. Também há muitas mulheres vítimas de tráfico, uma tendência alarmante que já observávamos em 2015″, explicou um porta-voz da OIM em Itália, Flavio Di Giacomo.

Agência Brasil

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