Onda de violência. A cada hora, uma mulher é assassinada na África do Sul

governmentza / Flickr

Cyril Ramaphosa, Presidente da África do Sul

O Presidente da República, Cyril Ramaphosa está a ser pressionado por membros do seu partido a declarar estado de emergência na África do Sul e já se viu obrigado a cancelar a deslocação às Nações Unidas.

O presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, cancelou a ida ao encontro anual de líderes mundiais das Nações Unidas devido aos problemas que afetam o país, com uma onda de violência de género e xenófoba.

Esta sexta-feira, centenas de manifestantes reuniram-se em Joanesburgo para exigir uma ação governamental mais forte contra os crescentes níveis de violência no país. Alguns membros do partido no Congresso Nacional Africano (ANC) estão a pedir ao Governo que declare estado de emergência.

A polícia divulgou esta quinta-feira estatísticas anuais sobre crimes, que revelam que abusos sexuais e violações aumentaram 4,6% e 3,9%, respetivamente, no ano passado. Mulheres de todo o país têm partilhado experiências de violência e receios nas redes sociais e meios de comunicação locais.

Segundo a TSF, uma das estatísticas que permite ter noção da violência na África do Sul é que, a cada sessenta minutos, uma mulher é assassinada no país.

Estes acontecimentos surgem depois de vários dias de protestos na Cidade do Cabo, na semana passada, após uma série de assassínios de jovens, mulheres e crianças. Nas últimas semanas, relatos de assassínios de jovens mulheres – incluindo de uma rapariga de 14 anos – encheram as manchetes da imprensa sul-africana.

A 24 de agosto, uma estudante da Universidade da Cidade do Cabo, Uyinene Mrweyanda, de 19 anos, foi, alegadamente, violada e agredida até à morte por um trabalhador do serviço postal. Poucos dias depois, a 30 de agosto, a campeã de boxe sul-africana Leighandre “Baby Lee” Jegels, de 25 anos, foi assassinada a tiro pelo namorado, um agente da polícia.

As mortes e a violência levaram mulheres de todo o país a partilharem as suas experiências e receios de serem as próximas vítimas da violência por parte de homens, recorrendo às redes sociais através da ‘hashtag’ “#AmINext” (“serei a próxima”).

A África do Sul é um dos países mais violentos do mundo para as mulheres, registando a quarta maior taxa de mortes por “violência interpessoal”, de acordo com o portal de verificação de factos Africa Check.

No ano passado, a África do Sul registou um aumento de 6,9% no número de homicídios, com uma média de 57 por dia.

ZAP // Lusa

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