Objeto misterioso em forma de espiral encontrado a rodopiar na Via Láctea

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Uma ilustração do objeto misterioso em forma de espiral

Os astrónomos espreitaram para o centro da Via Láctea e descobriram o que parece ser uma galáxia espiral em miniatura, a girar em torno de uma estrela.

A estrela — localizada a cerca de 26.000 anos-luz da Terra perto do denso e poeirento centro galáctico — é cerca de 32 vezes mais maciça do que o sol e está dentro de um enorme disco de gás, conhecido como um “disco protoestelar”.

Estes discos estão difundidos no universo, e servem como combustível estelar que ajuda as jovens estrelas a crescerem em grandes e brilhantes sóis ao longo de milhões de anos. Mas os astrónomos nunca tinham visto um como este: uma galáxia em miniatura, a orbitar perigosamente perto do centro da nossa própria galáxia.

As observações do objeto misterioso, cerca de três vezes maior do que o sol da Terra, à espreita fora da órbita do disco em espiral, foram publicadas num novo estudo, a 30 de maio, na revista Nature Astronomy.

Através do telescópio Atacama Large Millimeter / submillimeter Array (ALMA) no Chile, os investigadores descobriram que o disco não parece mover-se de uma forma que explique o seu formato em espiral, segundo noticia a Live Science.

Pelo contrário, explicam os investigadores, o disco parece ter sido agitado por uma quase colisão com outro corpo — possivelmente o misterioso objeto que tem o triplo do tamanho do sol, ainda visível perto dele.

Para verificar esta hipótese, a equipa calculou uma dúzia de órbitas potenciais para o objeto misterioso, e fez uma simulação para ver se alguma dessas órbitas poderia ter aproximado o objeto o suficiente do disco protoestelar para rodopiar em espiral.

Descobriram que, se o objeto tivesse seguido um caminho específico, poderia ter passado pelo disco há cerca de 12.000 anos, perturbando a poeira apenas o suficiente para resultar na forma em espiral que hoje se vê.

“A boa combinação entre cálculos analíticos, a simulação numérica e as observações ALMA fornece provas sólidas de que os braços em espiral no disco foram provocadas pelo voo do objeto intruso”, explicou Lu Xing, co-autor do estudo.

Além de serem as primeiras imagens diretas de um disco protoestelar no centro galáctico, este estudo mostra que objetos externos podem agitar discos estelares em formas espirais, normalmente vistas apenas à escala galáctica.

E porque o centro da Via Láctea é milhões de vezes mais denso em estrelas do que o nosso pescoço da galáxia, é provável que eventos quase imperfeitos como este ocorram no centro galáctico com bastante regularidade, segundo os investigadores.

Isso significa que o centro da nossa galáxia pode estar sobrecarregado com espirais em miniatura, apenas à espera de serem descobertas.

  Alice Carqueja, ZAP //

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