O segredo por trás das crateras que se abrem de repente na terra

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A Rainbow Beach, em Queensland, na Austrália, foi engolida por um buraco

A Rainbow Beach, em Queensland, na Austrália, foi engolida por um buraco

Uma enorme cratera formou-se no último sábado à noite, numa área de campismo numa praia popular de Queensland, no nordeste da Austrália.

O buraco, com 150 metros de diâmetro e 3 metros de profundidade, engoliu um carro, uma carrinha e tendas, mas não fez vítimas nem desaparecidos.

A área foi evacuada e 140 pessoas tiveram que deixar o parque de campismo, temendo-se que as correntes marítimas pudessem aumentar o tamanho da cratera.

Mas porque se abrem estes gigantes poços naturais à superfície?

O fenómeno é bastante mais comum do que imagina, e já ocorreu em várias partes do planeta. Já nesta mesma praia, outro gigantesco buraco tinha aparecido há quatro anos.

Estas crateras resultam de um processo de erosão no qual uma camada de rocha sob o solo, em geral formada por rochas de carbonato de cálcio (como as pedras calcárias), é dissolvida por águas ácidas.

A água fica ácida porque, quando a chuva se infiltra no solo, absorve o dióxido de carbono e entra em reação com a vegetação em decomposição.

Com o passar do tempo, a erosão vai criando um sistema de pequenas cavernas e, quando estas cavidades não suportam o peso da terra ou areia por cima delas a terra afunda e forma um escoadouro.

Dependendo das circunstâncias, o colapso final destes poços pode levar minutos ou horas, além de poder dar-se naturalmente ou ter outros catalisadores, como chuva intensa ou um terramoto.

Nas áreas urbanas, há alguns sinais de alerta, como janelas e portas que não fecham mais completamente ou fendas que aparecerem nas fundações da casa. Em alguns casos, é possível sentir tremores no solo.

No caso da praia australiana, não está claro porque é que o buraco surgiu, mas os geólogos estão a monitorizá-lo para descobrir as causas e perceber se é possível que toda a península desapareça.

Até agora, dizem, não há sinais de que tal esteja a ocorrer ou possa vir a acontecer.

Outros escoadouros

Estas crateras podem variar no tempo de formação – algumas levaram milhares de anos para se formar – e variam muito no tamanho. Algumas surgem na natureza, outras em áreas urbanas.

A mais profunda de que se tem notícia localiza-se na China, com mais de 650 metros de profundidade e 600 metros de diâmetro.

Outro escoadouro de 100 metros de profundidade abriu-se em 2007 na Cidade da Guatemala, matando três pessoas e engolindo várias casas.

Em 2013, na Flórida, nos Estados Unidos, um buraco de poucos metros de largura levou consigo um quarto de uma casa e matou o seu habitante.

Há ainda milhares destes buracos às margens do Mar Morto, no Médio Oriente, que surgem desde os anos 1980 devido ao recuo das águas, à medida que o lago salgado seca.

Por fim, uma cratera que se abriu há dez meses na Rússia está a ser monitorizada de perto, já que triplicou de tamanho, atingindo 120 m de largura, desde que surgiu.

ZAP / BBC

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