O pico de choro nos bebés vai para além das seis semanas

Um novo estudo mostra que o choro sustentado em bebés pode durar muito mais que seis semanas.

Quando se é mãe ou pai de primeira viagem, surgem dúvidas após dúvidas. E ir procurar resposta à internet é bastante recorrente.

Uma das perguntas mais frequente é: Quando é que os bebés param de chorar tanto?

De acordo com a Science Alert, o estudo mais completo sobre o tema é de 1962 e sugere que o choro atinge os picos às seis semanas, antes de se estabilizar a um nível baixo após 12 semanas — “a curva do choro” geralmente aceite.

Agora, um novo estudo publicado na Onlinelibrary, em Abril deste ano, abrange uma maior quantidade de dados recolhidos durante um período mais longo, mostra que o choro sustentado em bebés pode durar muito mais tempo — e a equipa responsável pela investigação quer redesenhar a curva de choro.

“Se procurar no Google choro infantil verá muitas imagens deste gráfico em particular”, diz Arnault-Quentin Vermillet, instrutor em ciência cognitiva na Universidade de Aarhus, na Dinamarca.

“Por conseguinte, achámos que seria interessante modelar todos os dados disponíveis para ver que tipo de padrão melhor representa os dados, e testar se este é consistente com a curva de choro original”.

A definição padrão para o choro excessivo (cólicas) é estar a chorar durante mais de três horas por dia, e pelo menos durante três dias por semana. Nas primeiras seis semanas após o nascimento, pensa-se que entre 17% a 25% do choro dos bebés é por cólicas.

A equipa reuniu informações de 17 países diferentes e 57 projetos de investigação separados, abrangendo hábitos de choro para um total de 7.580 bebés, tal como relatado pelos seus pais. É importante notar que os dados abrangeram 12 meses, em vez das 12 semanas que o estudo de 1962 tratou.

Embora os dados mostrassem uma grande variabilidade em termos de padrões de choro, os investigadores esmagaram os números para chegarem a dois modelos estatísticos.

Um modelo mostra um pico de choro após quatro semanas, e outro mostra um nível constante de choro durante as primeiras semanas, seguido de uma redução gradual.

Nenhum dos modelos alinha tão bem com a curva de choro tradicionalmente aceite, enquanto os dados também mostram que o choro excessivo pode frequentemente continuar durante meses — o que pode ser tranquilizador para os novos pais que se interrogam sobre os seus bebés.

“Criámos dois modelos matemáticos que representam razoavelmente os dados disponíveis”, diz a neurocientista Christine Parsons, da Universidade de Aarhus.

“Nenhum deles mostra que a duração do choro cai tão acentuadamente após cinco semanas, que é o que de resto se vê nos gráficos que são apresentados aos pais. Os dados disponíveis mostram que o choro ainda é uma parte significativa do repertório de muitos bebés após seis meses“.

Os investigadores também notaram que os hábitos de choro podem variar consideravelmente entre países, embora os dados sejam limitados em algumas regiões.

Por exemplo, as taxas de choro infantil na Índia, México e Coreia do Sul são menores do que em países como os EUA, Grã-Bretanha, e Canadá.

O choro é uma parte importante do desenvolvimento de uma criança. É utilizado para chamar a atenção dos pais, e como os pais reagem pode ser influente em termos do desenvolvimento cognitivo e emocional da criança.

Para além de tranquilizar os pais sobre quais podem ser as normas em termos de padrões de choro, a nova investigação também pode ser útil para os profissionais de saúde que têm a tarefa de reconhecer quando algo mais sério pode estar a acontecer.

“Para os clínicos em particular, é importante porque o seu trabalho é ajudar, apoiar, e conciliar as expectativas de quaisquer pais preocupados”, diz Parsons.

“É importante que os médicos tenham dados atualizados sobre o que é normal para o choro infantil, para que possam apoiar da melhor forma os novos pais”.

  Inês Costa Macedo, ZAP //

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