O número de Dunbar está errado. É possível ter mais de 150 amigos

O número de Dunbar sugere que uma pessoa só consegue manter relações sociais estáveis com 150 pessoas. Um novo estudo vem deitar por terra esta estimativa.

O número de Dunbar define o limite de pessoas com as quais um indivíduo pode manter relações sociais estáveis, ou seja, uma relação onde o indivíduo conhece cada membro do grupo e sabe identificar em que relação cada indivíduo se encontra com os outros indivíduos do grupo. Proposto por Robin Dunbar, esse número varia entre 148 e 150.

A autoridade fiscal sueca, por exemplo, mantém escritórios com menos de 150 pessoas devido ao número de Dunbar. Mas, para surpresa do fisco sueco — e do resto do mundo —, esta estimativa está provavelmente errada.



Um novo estudo publicado na revista Biology Letters sugere que o número de Dunbar pode estar teórica e empiricamente incorreto.

Afinal de contas, como é que Dunbar chegou a este número mágico? O antropólogo britânico observou a razão entre o tamanho do neocórtex em primatas e o tamanho médio dos grupos que eles formam. Essas proporções foram então aplicadas a dados do cérebro humano e o valor médio de cerca de 150 relacionamentos foi determinado, explica o portal Big Think.

Um valor alternativo baseado em estudos empíricos de grupos sociais norte-americanos é muito mais alto: 291. Os investigadores calculam que, em média, cada rede social tem 231 pessoas nela.

Este valor surgiu várias vezes quando os autores do estudo analisaram as redes profissionais e sociais cultivadas por diferentes grupos de pessoas.

Neste novo estudo, os investigadores fizeram cálculos semelhantes aos de Dunbar, mas com informações atualizadas sobre o tamanho dos cérebros dos macacos e das redes sociais das pessoas.

Os autores do novo estudo também argumentam que a ideia de que processamos as informações sociais exatamente como os macacos fazem é uma afirmação ousada e amplamente infundada. Assim, os cientistas discutem a natureza frágil da teoria por trás do número de Dunbar.

O objetivo deste estudo não é substituir o número de Dunbar, mas descartar a noção de que tal número pode ser determinado.

“É a nossa esperança, embora talvez fútil, que este estudo acabe com o uso do ‘número de Dunbar’ na ciência e na media popular. O ‘número de Dunbar’ é um conceito com base teórica limitada e carente de suporte empírico”, escrevem os autores.

Daniel Costa, ZAP //

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