Nasceu no S. José um bebé de mãe em morte cerebral há 15 semanas

Marcello Casal Jr. / ABr

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Um bebé nasceu esta terça-feira, no Hospital de S. José, em Lisboa, após uma cesariana realizada a uma mulher que estava em morte cerebral desde fevereiro. É um recorde de sobrevivência de um feto nestas condições no nosso país.

O bebé, um menino, nasceu com 2,350 kg, após uma gestação de 32 semanas, num parto sem complicações que se realizou no Hospital de S. José. O bebé foi depois encaminhado para a Unidade de Cuidados Intensivos Neonatais da Maternidade Alfredo da Costa.

Em comunicado, o Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC) informou que as equipas de Obstetrícia e da Unidade de Neurocríticos do centro, a que pertencem o Hospital S. José e Maternidade Alfredo da Costa, procederam ontem à tarde a uma cesariana programada, “com o objetivo de fazer nascer uma criança, cujas últimas semanas de gestação ocorreram com a mãe em estado de morte cerebral”.

O feto esteve quase quatro meses no útero, depois de em fevereiro ter sido declarada a morte cerebral da mãe a 20 de fevereiro, pelas 23h43, na sequência de uma hemorragia intracerebral.

S., de 37 anos, foi mantida “viva” por mais 15 semanas para permitir a gestação.

“Perante a gravidez em curso, S. foi avaliada pela especialidade de Obstetrícia, que considerou que o feto se encontrava em aparente condição de saúde. Após parecer da Comissão de Ética e direção clínica do CHLC e numa decisão concertada com a família de S. e família paterna da criança, foi acordada a manutenção da gravidez até às 32 semanas, por forma a garantir a viabilidade do feto”, refere o comunicado.

De acordo com as equipas médicas que acompanharam o caso, “trata-se do período mais longo alguma vez registado em Portugal – 15 semanas – de sobrevivência de um feto em que a mãe está em morte cerebral”.

Em declarações à TSF, Luís Graça, presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-fetal, sublinha que se trata de um caso excecional.

“Com este tempo de duração é absolutamente excecional. Há outros casos, mas com duração de duas a três semanas. Neste caso conseguiu-se 15 semanas. É excecional. A medicina portuguesa está de parabéns. É excecional em todo o mundo”, ressaltou o médico.

Luís Graça exaltou em particular a equipa de obstetrícia, que avaliou tudo o que se passava no feto, e a equipa multidisciplinar que contribuiu para o sucesso deste tipo de casos.

“Há que destacar a equipa, médicos, enfermeiros, auxiliares que trabalham nos cuidados intensivos e que mantiveram esta mulher viva durante 15 semanas. Viva, oxigenada, alimentada para a circulação entre o útero, placenta e feto se mantivesse em níveis adequados para o feto continuar a crescer a para conseguir manter esta mulher sem complicações como por exemplo infeções que podiam comprometer a vida do bebé.

Por fim, o médico afirma que “é preciso destacar o próprio Serviço Nacional de Saúde, porque uma coisa destas é brutalmente cara e é difícil haver hospitais privados a ter este tipo de práticas“.

ZAP

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